“Com o controle e equilíbrio orçamentário o candidato do governo ganha. Há grande possibilidade de o Serra ganhar, a continuar persistir o equilíbrio econômico atual. Obviamente, fatores internacionais repentinos ou alterações no orçamento podem favorecer o candidato da oposição. As eleições deste ano estão muito condicionadas com a performance da economia e das alianças partidárias”. A declaração foi do deputado federal Paulo Kobayashi (PSDB-SP), ao comentar sobre as perspectivas de desempenho do ex-ministro da Saúde, José Serra, pré-candidato do PSDB à presidência, nas eleições deste ano no Brasil, durante palestra que proferiu no Almoço de Confraternização da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, realizado em São Paulo, no último dia 12 de abril.
Coordenador da Bancada Paulista e membro da Comissão de Planos e Orçamento no Congresso Nacional, o deputado federal Paulo Kobayashi é também membro da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional na Câmara dos Deputados. Foi presidente da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, presidente da Câmara Municipal de São Paulo, professor e coordenador de Geografia do Colégio e Faculdades Objetivo / UNIP.
Paulo Kobayashi participou da mesa, ao lado do presidente da Câmara, Akira Kudo. Na mesa estavam também sentados membros da Diretoria e conselheiros da entidade, e o chefe do Escritório de Representação do ministro da Fazenda Pedro Malan em São Paulo, Flávio Del Comuni.
Mais de 130 pessoas participaram do evento, entre associados e convidados para prestigiar a palestra do deputado. Após o almoço, que durou cerca de uma hora, teve início o discurso do presidente da Câmara, Akira Kudo e logo em seguida, a palestra do deputado.
O deputado Paulo Kobayashi ouviu atentamente o discurso de boas-vindas do presidente da Câmara, Akira Kudo. O presidente, que dirige a Mitsubishi Corporation do Brasil, subsidiária de uma das maiores trading companies do mundo, a Mitsubishi Corporation, lembrou que o deputado atualmente “é o único representante da comunidade nikkei na Câmara dos Deputados, e vem desempenhando com brilhantismo as funções daquela augusta e respeitada Casa” e explicou brevemente sobre a entidade da qual ele preside. “A Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil é constituída por cerca de trezentas empresas associadas, entre as quais, a maioria das firmas de capital japonês, sediadas no país, e tem por um de seus principais objetivos, divulgar a realidade brasileira e despertar interesses para ativar ainda mais o intercâmbio econômico, cultural e social entre o Brasil e o Japão, iniciados há mais de um século”. “E, normalmente, os eminentes convidados que aqui comparecem são personalidades ligadas à área econômica ou política”, destacou Kudo.
No início do discurso aos membros da Câmara, Kobayashi agradeceu à entidade, pelo convite que recebeu, para estar presente ao Almoço de Confraternização, e disse que já havia sido convidado anteriormente, em dezembro do ano passado, mas que em razão de compromissos na Câmara dos Deputados, ficou impossibilitado de participar do evento naquela ocasião.
Kobayashi afirmou que a grande obsessão do presidente Fernando Henrique Cardoso era a questão da credibilidade internacional, a capacidade de atrair investimentos externos, diante do novo cenário que aponta para o desenvolvimento e a modernidade com justiça social. O presidente Fernando Henrique Cardoso teve o mérito de manter a estabilidade monetária. “A globalização e a modernidade, alterações que se têm observado no Brasil, apesar dos desajustes, distorções, de um modo geral, foram muito positivas para o país”, disse. O parlamentar explicou que o otimismo que hoje impregna o Brasil, com a credibilidade externa junto aos investidores, é resultante de uma política de ajuste – o equilíbrio fiscal – implementada nos anos que sucederam a adoção do Plano Real, com as privatizações, na procura do superávit com o incremento na arrecadação e corte de gastos, o não retorno das taxas inflacionárias, possibilitando a inserção do país no mercado internacional, facilitando a captação de recursos no exterior, nas deficiências do país.
A América Latina precisa no momento, trabalhar em três aspectos, a fim de resgatar a auto-estima do povo: política de promoção da inclusão social e de combate à pobreza, fomento ao desenvolvimento econômico, a fim de agregar valor aos produtos, e com isso, ter maior competitividade no mercado internacional, e preocupação de que os países busquem no ajuste fiscal o equilíbrio de suas contas.
Ao refletir sobre o rompimento do PFL com o governo e sobre a obstrução desse partido à votação da prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), Kobayashi contou que a mesma atrapalhou o esforço concentrado da base governista, mas acredita que não deve impedir a aprovação da matéria tanto na Câmara como no Senado. “Não se pode perder a base de sustentação no Congresso Nacional, porque dá rombo como este da CPMF”, declarou.
O deputado sublinhou a necessidade do retorno da aliança política, para que se permita o mais rápido possível a sua aprovação, a fim de que o equilíbrio orçamentário brasileiro não seja prejudicado. Pelos cálculos do governo, haverá uma queda de arrecadação entre R$ 4,4 bilhões e R$ 6 bilhões.
Lembrou que em ano eleitoral há fortes reivindicações do funcionalismo público, especialmente no federal, usado pelos partidos políticos, dificultando o ajuste das contas.
Defendeu relacionamento, cada vez mais estreito, entre o Grupo Parlamentar Brasil-Japão no Congresso Nacional, do qual é secretário-geral, com a Câmara. A idéia, segundo o deputado, seria criar um diálogo mais permanente entre a Câmara e o Grupo Parlamentar. “Para corrigir eventuais distorções e dificuldades que possam surgir pela frente”, emendou. “Outras Câmaras têm participação muito mais ativa dentro do Congresso Nacional e dentro dos mecanismos do governo”, comentou ao referir-se à atuação das Câmaras de Comércio de outros países no Brasil.
Paulo Kobayashi fez um balanço de sua recente viagem ao Japão, no início deste ano, a convite do Ministério das Relações Exteriores daquele país, quando visitou órgãos governamentais, entidades e empresas no país do Sol Nascente.
Rubens Ito – CCIJB – 12/04/2002





