A contribuição dos nipo-brasileiros é extremamente importante para o Brasil, diz Meirelles

A importância da contribuição dos nipo-brasileiros para o Brasil foi um dos principais pontos destacados pelo secretário João Carlos de Souza Meirelles, de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo, na sexta-feira, dia 13 de fevereiro, em seu discurso aos associados e convidados da Câmara, na ocasião do Almoço de Confraternização. "A inteligência e o brilho do povo brasileiro fazem do Brasil ser um dos países mais dinâmicos do mundo e a contribuição dos nipo-brasileiros é extremamente importante", declarou.

Cerca de 120 empresários e executivos participaram do evento ocorrido na capital paulista, que contou com a presença do presidente da Câmara, Makoto Tanaka, do cônsul-geral do Japão em São Paulo, Hitohiro Ishida, dos conselheiros Takashi Goto, Tadashi Yamada e Masahiko Sadakata, da empresária Chieko Aoki, do vereador William Woo, vice-presidentes da entidade, Tsunekiyo Endo e Seiji Ishikawa, demais membros da Diretoria Executiva, entre outros.

Após seu pronunciamento, o secretário pediu para se retirar porque foi convocado pelo governador Geraldo Alckmin, para uma visita ao jornal Folha de S. Paulo, onde foram recebidos pela direção daquele diário. Portanto, o secretário não permaneceu até o fim do evento, sendo representado pelo secretário-executivo de Desenvolvimento, Luigi Massimo Giavina Bianchi; e pelos assessores especiais, Aline Cardoso Barabinot e Flávio Musa de Freitas Guimarães.

Secretário João Carlos de Souza Meirelles

Palavras do presidente Makoto Tanaka

O presidente Makoto Tanaka, em seu discurso de boas-vindas ao secretário João Carlos de Souza Meirelles, disse que um dos principais aspectos do atual governo paulista é a credibilidade do governador Geraldo Alckmin e sua equipe. "Seu governo vem desempenhando um importante papel: o de indutor do desenvolvimento. Vem estimulando as atividades econômicas a fim de garantir a ampliação das ofertas de emprego, de um lado, e a geração de riquezas e aumento da arrecadação, de outro, permitindo que o Estado invista mais em obras, políticas e serviços".

"São Paulo é um Estado que se impõe e se destaca no contexto nacional e internacional. Mais que isso, é considerado a locomotiva do país, pela pujança de suas potencialidades econômicas, riquezas naturais, e grande diversidade étnico-cultural", afirmou Tanaka, num discurso que emocionou grande parte da platéia.

Novo modelo de desenvolvimento

O secretário disse que os investimentos que vêm sendo feitos pelo governo do Estado fazem parte de um planejamento estratégico que visa preparar o Estado e o país para um novo modelo, de desenvolvimento sócio-econômico com geração de trabalho e renda. De acordo com o secretário, o Estado de São Paulo como um todo e principalmente a região metropolitana da capital vêm apresentando crescimento populacional bem acima da média brasileira. Neste último caso, um crescimento desordenado que precisa ser mais bem distribuído para o interior. "A população do Brasil cresceu 82%, no Estado de São Paulo 108% e na região metropolitana 117%, respectivamente 26% e 35% acima do crescimento médio do país. Para isso, há uma enorme responsabilidade do governo. Geramos trabalho e renda no interior do Estado, para ser modelo no interior de todo Brasil".

Meirelles disse que no momento a economia interna está fraca e para gerar trabalho e renda "é preciso que o produto seja também comercializado no exterior". O importante, segundo o secretário, é a garantia de novos mercados, e conseqüente crescimento da economia, fator do desenvolvimento tanto econômico quanto social.

O secretário lembrou, entre várias conquistas, que o Brasil se tornou o primeiro em exportação de carne no mundo. No dia 11 de setembro de 2003 foi divulgado pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que o país ultrapassou a Austrália, como maior exportador mundial do produto. "Marcamos um gol mundial. Somos o primeiro exportador de carne bovina do mundo desde o ano passado. Exportamos 1,3 milhão de toneladas, o equivalente a US$ 1,5 bilhão. Em 25 anos transformamos o país de importador para maior exportador e segundo a previsão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), dentro de cinco anos estaremos exportando 2,3 milhões de toneladas", destacou.

Meirelles conclamou a comunidade nipo-brasileira a se engajar na vinda de novos empresários japoneses nos projetos e programas que vêm sendo executados pelo Governo do Estado. "Precisamos da comunidade nikkei para trazer novos empresários para a agregação máxima de valor dos nossos produtos exportados", destacou o secretário.

Infraestrutura

Segundo o secretário, a rede de infra-estrutura vem recebendo no mandato do governador Geraldo Alckmin grandes investimentos, dotando o Estado da infra-estrutura necessária (portos, rodovias, ferrovias, aeroportos) a fim de dar suporte para o desenvolvimento econômico.

Destacou a evolução do transporte ferroviário junto ao porto de Santos, lembrando que o total exportado por este porto via ferrovia passou de 2 milhões de toneladas em 1998 para 12 milhões de toneladas no ano passado, com isso tirou das rodovias 400 mil viagens de carretas de 25 mil toneladas cada um. Também, destacou a construção de um novo complexo portuário em São Sebastião; a hidrovia Tietê-Paraná, trazendo cargas de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Triângulo Mineiro até Pederneiras e Barra Bonita, ligada a complexos ferroviários e rodoviários.

Em conjunto com o governo federal está sendo feita a expansão dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos – maior aeroporto de cargas do hemisfério Sul; seis aeroportos internacionais de exportação no interior do Estado: Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Bauru, Presidente Prudente, Sorocaba e São José dos Campos.

O secretário informou que o governo do Estado pretende ampliar rapidamente a rede de gasodutos para a exploração do gás de Santos. Em maio de 2003, a Petrobrás anunciou a descoberta de uma reserva de gás natural na Bacia de Santos, a BS-400, com potencial de 419 milhões de metros cúbicos do produto.

O campo pode atingir 1 trilhão de metros cúbicos, segundo novas avaliações realizadas em setembro do ano passado, o que a tornará uma mega reserva, semelhante à da Bolívia. A estimativa de sua capacidade de produção é de 55 milhões de metros cúbicos/dia, durante 20 anos.

O objetivo seria reduzir o consumo do gás boliviano e aumentar o produzido no campo de Mexilhão pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O gás boliviano custa US$ 3,37 o milhão de BTUs, enquanto o nacional é comercializado a US$ 2,88, produzido nas Bacias de Campos, de Mexilhão (em Santos) e outras (Bahia, Rio Grande do Norte).

11 milhões de metros cúbicos de gás natural/dia são consumidos pelo Estado, dos 28 milhões consumidos pelo país, isto é, 40%. Desse volume, 1 milhão vem do campo de Merluza (Santos), 2 milhões da Bacia de Campos e 8 milhões da Bolívia (dos 13 milhões importados pelo Brasil).

São Paulo compra cerca de 77% de seu gás ao preço maior de US$ 3,36 o milhão de BTUS. A entrada em operação do campo BS-400, da Bacia de Santos permitirá a ampliação da oferta e a queda do preço praticado.

O Estado poderá consumir até 30 milhões de metros cúbicos/dia, até o ano de 2010, com a redução imediata do preço a cerca de US$ 2,00, para novos volumes nos setores de co-geração, termoelétrico, industrial, veicular, comercial, residencial, além da sua utilização como matéria-prima na indústria petroquímica.

Central de Atendimento ao Exportador

Meirelles informou que está em funcionamento desde agosto do ano passado, um centro de logística do comércio exterior, a Central de Atendimento ao Exportador, criada pelo Governo do Estado de São Paulo e pela Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), com o objetivo de facilitar as exportações, ampliando as oportunidades dos produtos brasileiros no mercado internacional ( www.exporta.sp.gov.br ).

Pólos de desenvolvimento

Citou o desenvolvimento no Estado de São Paulo de "clusters" – arranjos ou cadeias produtivas horizontais, organizados em aglomerações industriais regionais -, que possuem um forte poder de inovação, seja tecnológico ou mesmo organizacional, com mão-de-obra especializada e fornecedores de máquinas e componentes, além de facilitar o acesso à informação e à tecnologia. Dentre os pólos exemplificou o de calçados masculinos em Franca; calçados femininos em Jahu; calçados infantis em Birigüi (maior pólo exportador de calçados infantis da América Latina); de jóias em Limeira; ouro em São José do Rio Preto; jóias e diamantes em Franca; fiação, tecelagem e vestuário em Americana.

Menos impostos e mais arrecadação

O Estado reduziu as alíquotas do ICMS para setores de produção que mais geram emprego e desenvolvimento, como no ano passado para todas as cadeias produtivas de fiação, tecelagem, confecção e vestuário de 18% para 12%. De 25% para 12% do álcool hidratado, resultando no aumento da arrecadação do imposto do álcool em 7%. Há um decreto que mantém, por tempo indeterminado, reduzida a carga tributária de ICMS dos produtos da cesta básica em 7%. "Se recebe o valor do imposto de forma compatível com cada segmento da economia".

O Japão como plataforma de exportação

João Carlos Meirelles transmitiu aos membros da Câmara que o governador Geraldo Alckmin ficou extremamente honrado pelo convite do governo japonês para o governador visitar o Japão. O governador deverá ir ao Japão, nos próximos meses, para assinar um contrato de financiamento no valor de R$ 1 bilhão (sendo 50% do JBIC e 50% do Estado), voltado a obras de coleta e tratamento de esgoto na Baixada Santista, que vão melhorar a vida de grande parcela da população do litoral.

O secretário informou que participará da Missão Empresarial ao Japão, coordenada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), programada para 7 a 11 de junho, com equipe de secretários de Estado e empresariado paulista, com a finalidade de ampliar mercados para os produtos de São Paulo e do país. "Queremos que o Japão não só compre produtos de São Paulo, mas também que haja parcerias entre empresas brasileiras e japonesas, levando produtos semi-acabados do Brasil e transformando portos japoneses em plataformas de exportação para todo o Sudeste Asiático e Pacífico, onde o Japão já tem presença secular. São visões modernas de comércio exterior", explica o secretário.

Lembrou de importantes parcerias entre o Estado e o Japão como a obra de aprofundamento da calha do rio Tietê, que será concluída neste ano e conta com financiamento do JBIC (Japan Bank for International Cooperation). 

RI