Câmara recebeu especialista em comunicação empresarial

Poucas são as empresas que efetivamente resolveram o problema da comunicação. E aquelas que afirmam tê-lo resolvido, muitas vezes, isso ainda não ocorreu. Essa é a opinião do jornalista José Antônio Rosa, especialista em comunicação empresarial, que veio à Câmara palestrar sobre o tema "Comunicação Empresarial e Criação de Cultura da Competência". Acompanhado da diretora-executiva da empresa Assessoria em Recursos Humanos Manager Ltda., Izabel de Almeida, ele foi recebido na tarde do dia 22 de abril, na sede social, pelo presidente da Comissão de Estudos de Assuntos Trabalhistas e vice-presidente da entidade, Seiji Ishikawa.

Segundo José Antônio Rosa, muitas empresas são formadas por pessoas de alta qualificação, mas nelas existem um clima de competição e de disputa interna. No entanto, outras organizações que não são tão brilhantes, os empregados colaboram um com o outro e a empresa se torna inteligente e eficaz.

Sua palestra foi centrada em três questões: Por que a empresa deve investir em comunicação; quais os problemas típicos de comunicação; e o caminho para a solução dos problemas de comunicação.

O jornalista menciona dez razões para que a empresa invista em comunicação:
. Melhor comunicação implica em melhor direção, orientação, sincronização e maior produtividade. Se a comunicação conseguir mostrar quais as estratégias da organização, o empregado poderá direcionar melhor os seus esforços, podendo tomar melhores decisões, e conseqüentemente obter maior produtividade.
. Para os outros, você é aquilo que comunica: entendimento, aceitação. Não adianta a empresa 100% honesta se não parecer honesta. Ela se desgasta e provoca uma série de problemas.
. Maior comunicação significa melhor clima e mais qualidade de vida no trabalho. Os empregados serão mais espontâneos e amigáveis, resolvendo uma parte dos problemas pessoais.
. A comunicação cria a realidade. As coisas mais importantes são criadas pela comunicação. Cria-se ou não uma cultura de competência.
. Melhor comunicação, melhor alinhamento emocional. As pessoas partilham dos mesmos valores e se entendem afetivamente.
. Melhor comunicação, maior QIE – Quociente de Informação (Inteligência) da Empresa.
. Maior comunicação, menor esforço de gestão e maiores resultados.
. Maior comunicação, maior integração e sintonia vertical e horizontal.
. Maior comunicação, maior competência de adaptação para as mudanças e oportunidades que vêm pela frente.
. Maior comunicação, maior sucesso.

Ele cita os problemas típicos de comunicação numa empresa:
. Economia informativa. Comunicação insuficiente. Os funcionários não sabem o que a diretoria pensa.
. Excesso de Comunicação: "Comuniquite".
. Incoerência. Comunicações contraditórias dentro da empresa, criando falsas expectativas, propostas fantasiosas (não realista do ponto de vista funcional), identificações impróprias, pessoas mimadas ("você é o dono da empresa").
. Contrato psicológico mal formulado. Empresas que não informam ou esclarecem corretamente aos empregados.
. Ignorância organizada. Depende da conveniência. As pessoas não querem jogar os problemas na mesa, têm medo de ofender o colega. O problema cresce e não é resolvido.
. Competição disfuncional. Existem empresas que criam competição do interesse das pessoas e não da empresa.
. Distanciamento social. Existem pessoas muito especiais na empresa que não podem conviver com os demais funcionários: "salto alto". Não custa nada um diretor passar pelo operário e cumprimentá-lo. Para se manter a autoridade, basta a distância psicológica e não a distância social.
. Tom inadequado, propagandístico: aniquila por si mesmo. "A empresa 'x' é ótima". Recomendação: menos adjetivos e mais substantivos.
. Ausência de reação ("feed-back"). A empresa fica com medo de perguntar o que os funcionários estão achando dela. Não tem canais de comunicação.
. Comportamento comunicativo impróprio. Um executivo atrasado à reunião na empresa pede ao motorista que use uma estrada não-habitual e corte o caminho para chegar ao local mais rapidamente possível, mas mesmo assim chega atrasado. E ao chegar diz aos demais que se atrasou porque o motorista errou o caminho.

Como caminho para a solução dos problemas da comunicação na empresa, o professor José Antônio Rosa sugere ter um programa com o objetivo de informar, formar, sensibilizar e integrar os funcionários. Montar estratégias: veículos (quadro de aviso, jornal, intranet, reuniões, encontros etc), discurso (conteúdo, forma). "O que queremos, como vamos fazer isto, quais veículos vamos usar, como vamos atacar o problema da comunicação".

Para José Antônio Rosa, os empregados devem pensar na qualificação pessoal: perceber que eles se comunicam mais do que imaginam, mesmo quando não haja intenção; visual; credibilidade da palavra; o conteúdo revela quem a pessoa é; empatia; atratividade (ser simpático e não ser antipático); influência (não ter medo de influenciar os outros); expressão; e três "Bs": boa intenção na comunicação; boa vontade; e boa educação.

Graduado em Comunicação/Jornalismo pela PUC/Campinas, recebeu o Prêmio Aberje de Comunicação Empresarial. Autor de cinco livros da área de comunicação e 15 da área de gestão, assinou colaborações para jornais e revistas destacados como O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Exame, Gazeta Mercantil etc. Mestre em Administração de Empresas pela PUC/SP, atualmente está cursando a disciplina de Comunicação e Política, na USP, em nível de doutorado. Consultor de várias empresas, dentre elas, da Assessoria em Recursos Humanos Manager S/C. Ltda. – associada à Câmara -, é professor de pós-graduação (INPG – Instituto Nacional de Pós-Graduação), editor-fundador da Editora STS.

A Manager, líder no mercado brasileiro em consultoria de Headhunting (caça talentos – recrutamento e seleção de executivos) e Outplacement (recolocação profissional), atua em âmbito nacional e internacional. Com sede em São Paulo, tem sete filiais próprias (não-franqueadas). O capital humano é composto por 277 colaboradores, sendo 122 psicólogos. A empresa tem alianças estratégicas internacionais com consultorias líderes em 28 países por meio da Arbóra Global Career Partners. A Manager conquistou quatro prêmios Top of Mind (dois como a mais destacada consultoria em RH do Brasil) e um prêmio Top RH.

 

Rubens Ito / CCIJB – 22/04/2004