A economista-chefe do Banco ABN AMRO Real S/A., Zeina Abdel Latif, mestra e doutora em Economia pelo Instituto de Pesquisas Econômicas da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), foi a palestrante na Câmara, no dia 23 de novembro. Evento organizado pelo Departamento de Comércio Exterior e Departamento de Consultoria e Assessoria contou com a participação de 30 membros-associados, composta, principalmente, por presidentes e executivos de companhias japonesas instaladas no Brasil.
A palestra "Cenário 2006", proferida em inglês, foi mediada pelo presidente do Departamento de Comércio Exterior da entidade e diretor-presidente da Marubeni Brasil S/A., Junichi Nakamura.
O ABN AMRO é um banco internacional, criado em 1824 na Holanda, e hoje está posicionado como 20º maior no mundo e 11º na Europa por patrimônio de referência – nivel I. Possui cerca de 3.000 agências em 60 países, mais de 97.000 funcionários e ativos totais de 855,7 bilhões de euros.
Leia a seguir resumo dos principais trechos da palestra:
. O crescimento mundial desacelera, mas é ainda robusto e sincronizado.
. Há várias fontes de incerteza que poderão ser gatilho para um cenário menos favorável: a) desequilíbrio estrutural dos EUA: o elevado déficit externo sugere taxas de juros mais elevadas; b) bolha no mercado imobiliário nos EUA: uma eventual queda abrupta dos preços de imóveis geraria recessão na economia; c) alta do preço do petróleo: riscos inflacionários limitando o crescimento econômico; d) limites estruturais ao crescimento chinês: risco de rápida desaceleração do comércio mundial.
. Mas não se espera uma interrupção precoce do ciclo econômico: o ciclo econômico mundial recente é de 7 ou 8 anos de crescimento.
. Riscos externos: reduzida dependência do Brasil no petróleo importado.
. Política: quadro eleitoral é ainda bastante incerto (resultados das CPI´s e sua prorrogação); enfraquecimento de Lula e do PT (qual a importância do quadro econômico?); estratégia dos partidos: PMDB é a grande incógnita; o tema das eleições não será a política econômica, mas sim corrupção e segurança; chance de “outsider” é reduzida; portanto, cenário político não deverá contaminar a economia de forma preocupante; eleições presidenciais serão bastante concorridas e há muitos indecisos; queda de popularidade de Lula foi interrompida: a melhora na economia evitou uma maior queda da aprovação; e o presidente ainda dispõe de forte carisma pessoal; chances mínimas de aprovação da agenda de reformas.
. Setor externo: preços de commodities devem se manter elevados: crescimento mundial robusto, inclusive da China, evita queda expressiva dos preços.
. Superávit da balança comercial com ajuste modesto: crescimento econômico mundial ainda elevado e preços de commodities elevados reduzem o impacto da apreciação cambial.
. Contas externas mostram conforto: taxa real de câmbio deve se manter relativamente estável.
. Fundamentos externos aumentam a “blindagem” do país: em caso de eventual piora do quadro internacional, reduz-se o espaço para depreciação da taxa de câmbio.
. Inflação: elevada probabilidade de cumprimento das metas; estabilidade cambial e dos preços de commodities contribuirão para a queda da inflação; e redução da inflação dos IGP´s causará recuo nos reajustes de preços administrados.
. Política monetária: há importante espaço para corte da taxa Selic; a despeito de estar acima dos padrões internacionais, a queda das taxas de juros contribuirá para a atividade econômica.
. Atividade econômica: ampliação da oferta de crédito bancário. Está em curso uma ampliação estrutural da oferta de crédito e há importante demanda reprimida na economia.
. Mercado de trabalho segue em recuperação: inflação baixa preserva a renda real do trabalhador.
. Investimentos produtivos recuperam-se, mas lentamente.
. A aprovação da agenda de reformas microeconômicas é essencial para acelerar o ritmo de investimentos.
. Política fiscal: o resultado primário vem subindo. A elevada receita tributária tem contribuído para aumentos contínuos no superávit fiscal primário. Mas é necessário que o esforço fiscal seja duradouro.
. A administração da dívida pública encontra muitos desafios. Elevada participação de títulos pós-fixados permanece sendo a principal fragilidade na composição do endividamento público doméstico.
. Há elevadas chances de interrompermos o ciclo de “stop and go”. A perspectiva de crescimento mais duradouro, ainda que modesto, tende a ter importante impacto nas decisões de investimento.
. O desafio é promover a eficiência econômica e os investimentos de forma a elevar o potencial de crescimento do país: a) reduzir a carga e as distorções do sistema tributário; melhorar a alocação de recursos públicos para aumentar investimentos em infra-estrutura e reduzir as disparidades sociais; c) fortalecer as instituições; d) aumentar a abertura comercial.
. Cenário macroeconômico: A economia deverá permanecer nos trilhos, embora crescendo menos que outros países emergentes.
. Previsões para 2006: a) Crescimento do PIB: 4%; b) balança comercial (US$ bilhões): 35,4; c) dívida líquida do setor público consolidado (% do PIB): 50,8; d) Selic média (% aa): 15,50; e) Selic real ex ante – dezembro (% aa): 10,29 ; f) IGP-DI (%): 4,7 ; g) IPCA (%): 4,3 ; h) Saldo em transações correntes (US$ bilhões): 10,9; i) taxa de câmbio R$/US$ (dez): 2,45; j) taxa de desemprego – IBGE 30 dias (% dez): 7,7 .
RI / CCIJB – 23/11/2005





