São Paulo, 02/12/2005 – As oportunidades de negócios no Brasil foram apresentadas a mais de 100 empresários de 28 países em um seminário em São Paulo, no dia 2 de dezembro. Os trabalhos começaram às 10 horas, com discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seguido de exposição e debate sobre a situação econômica brasileira, os programas sociais, a integração internacional e as perspectivas para 2006. Participaram os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan; da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues; do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho; do Turismo, Walfrido Mares Guia; e o interino das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães; além do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Antes da abertura do encontro e acompanhado dos ministros, Lula reuniu-se reservadamente (8h30) com 15 investidores internacionais. As discussões do seminário prosseguiram durante toda a manhã e à tarde. Por volta das 13h30, Furlan e dirigentes de quatro empresas (Companhia Vale do Rio Doce, Grupo Gerdau, Telmex e Hamburg Süd) deram entrevista coletiva. No restante do dia (a partir das 14h30), ocorreram reuniões setoriais sobre infra-estrutura, energia e as parcerias público-privadas; agroenergia; e finanças e investimentos. Participaram os ministros Roberto Rodrigues e Dilma Rousseff; os presidentes do Banco Central, Henrique Meirelles, e do BNDES, Guido Mantega; e o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy.
Denominado "Brasil & Parceiros: Oportunidades de Investimentos", este é o sétimo encontro para empresários promovido pelo governo federal. As outras seis edições ocorreram nas cidades suíças de Genebra e Davos, em Seul (Coréia do Sul), Tóquio (Japão) e Nova Iorque (EUA), onde foram realizados dois eventos.
Participaram do evento pela Câmara, o presidente Makoto Tanaka e o secretário-geral, Fujiyoshi Hirata.
Lula deixou o seminário logo após almoçar com investidores, seguindo direto para Santo André (SP). Às 15h30, inaugurou o pólo tecnológico da empresa de telefonia Tim. Ainda no município, lançou a pedra fundamental da Universidade Federal do ABC e visitou a área das futuras instalações do estabelecimento de ensino. Criada em julho de 2005, a universidade entrará em funcionamento no ano que vem (2006) oferecendo 19 cursos de graduação nas áreas de engenharia e ciências exatas.
Falta de acordo sobre divergências comerciais entre ricos e pobres ameaça Metas do Milênio, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou que, se os países ricos e pobres não chegarem a um acordo sobre divergências comerciais, as Metas do Milênio não serão cumpridas. Para investidores de 28 paises que participam do encontro sobre oportunidades de negócio no Brasil, Lula comentou a conversa por telefone que teve um dia antes (1 de dezembro) com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair.
Lula informou que propôs a Tony Blair uma reunião dos chefes de estado do G8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia) e cinco nações emergentes para destravar as negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC), principalmente o impasse quanto aos subsídios agrícolas, a ajuda que os países ricos dão aos seus agricultores e que prejudica as nações mais pobres.
Para o presidente, se os governantes do mundo querem provar que têm intenção de fazer uma política justa, que permita aos países mais pobres vender seus produtos agrícolas, é necessário dar andamento às negociações na OMC. "Se não acontecer (o encontro) e não houver acordo, os ricos continuarão mais ricos e os pobres continuarão mais pobres e as Metas do Milênio dificilmente serão alcançadas". As metas foram assumidas pelos paises membros da Organização das Nações Unidas (ONU) e prevêem o fim da pobreza e fome no mundo ate 2015.
Lula e Dilma farão "pressão" para que obras de infra-estrutura andem, afirma Furlan
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, farão "marcação sob pressão" para que as obras de infra-estrutura, principalmente nos portos do país, andem em ritmo mais acelerado. A afirmação do presidente, relatada aos jornalistas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, foi feita durante o evento.
"Já no início da semana, juntamente com a ministra Dilma, ele (Lula) vai fazer uma marcação sob pressão para fazer com que essas obras caminhem, para evitar que tenhamos, em um futuro próximo, mais dificuldades de escoamento das importações e exportações", afirmou Furlan.
O ministro afirmou também que os empresários questionaram o governo sobre o comportamento que a taxa de juros vai assumir a partir de agora. Em resposta, Furlan disse que há um consenso no governo de que existe uma tendência consistente de queda de juros, principalmente por força dos números da inflação e das metas de superávit primário (a economia que o país faz para o pagamento dos juros da dívida), que foram atingidas.
"Mas a discussão toda que se trava é em torno da velocidade (da queda dos juros). E essa resposta da velocidade, se houver, não foi dada, porque ela faz parte da estratégia", ressaltou.
Um dos empresários presentes no encontro, Jorge Gerdau, presidente do grupo Gerdau, considerou que o país terá de ter uma grande "sensibilidade" para baixar os juros sob risco de afetar a inflação.
"Assim como nós podemos ter errado e eventualmente ter subido demais, também corremos o risco de fazer o contrário. Aquela conquista de ter colocado a inflação nos níveis atuais, o risco de se perder esse patamar é enorme", disse Gerdau.
Presidente afirma que investir no Brasil é também uma forma de investir na América do Sul
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda durante o encontro, destacou que investir no Brasil é também uma forma de investir na América do Sul.
Para uma platéia de investidores de 28 países, Lula avaliou que América do Sul passa por um processo integração e citou diversas obras que estão em andamento na região, como a construção de pontes, gasodutos, hidrelétricas e rodovias entre os países. "Estamos realizando um dos mais importantes projetos de integração continental no mundo, no século 21". E acrescentou: "Investir no Brasil hoje, diferentemente do passado, equivale também a participar de um encadeamento virtuoso de projetos e oportunidades que não se observava na arquitetura regional".
Lula disse que o Brasil rechaça qualquer tentativa de liderança hegemônica do processo de integração. "Nosso otimismo se apóia no chão firme das decisões refletidas e de uma estratégia vitoriosa. Estamos fazendo uma transição benigna de um passado marcado pela estagnação para um ciclo de verdadeiro desenvolvimento econômico e social".
Agência Brasil – Carolina Pimentel e Bruno Bocchini





