O ministro Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ao participar de uma palestra aos associados da Câmara, afirmou sobre a necessidade de incrementar parcerias nos investimentos em ações de incentivo à produção e ao desenvolvimento entre empresas brasileiras e japonesas. O evento ocorreu em São Paulo, no dia 20 de fevereiro último.
Para o ministro do Desenvolvimento, essa parceria com os japoneses é primordial na integração para o século XXI. Para isso, como exemplo recente bem-sucedido e concreto, o ministro citou como referência a experiência da Embraer que fabrica aeronaves, utilizando asas montadas pela Kawasaki. “ Queremos atrair empresas para favorecer o adensamento das cadeias. As oportunidades entre o Brasil e o Japão são inúmeras”, ressaltou.
O ministro Furlan comentou sobre a possibilidade do aumento das exportações brasileiras ao Japão, e que o mais importante neste processo seria o incremento na venda de produtos com maior valor agregado, pois atualmente, as exportações brasileiras àquele país se constituem basicamente por produtos primários. “ No comércio bilateral o Brasil exporta produtos pobres em valor agregado e importa produtos ricos em valor agregado. Não é culpa do Japão, é claro. O grande desafio nesse comércio seria o Brasil oferecer produtos de maior valor agregado ao Japão”, disse.
O álcool começou a ter mais mercado há poucos anos, com a preocupação mundial em relação ao meio ambiente – Protocolo de Kyoto -, e segundo o ministro, este é um setor que também pode incrementar o comércio bilateral. Entre os fatores ressalta-se a importância que o governo federal está dando ao produto como alternativa energética e recuperação nas vendas de veículos movidos pelo álcool, principalmente agora, com o lançamento do veículo bicombustível e a nova tecnologia desenvolvida, chamada célula combustível, gerada através de energia, que daqui a alguns anos poderá substituir o tradicional motor.
O ministro lembrou que o Japão em 2010 adotaria o álcool etanol na sua matriz energética. Recentemente, a notícia de que o Japão está banindo da gasolina o aditivo ETBE (etil tércio butil éter), considerado forte poluente, abriu caminho para, a partir do ano que vem, misturar 3% de etanol como novo aditivo, possibilitando ao Brasil ser o maior exportador de álcool do mundo. Neste possível cenário, os empresários japoneses demonstraram preocupação quanto a ocorrência do desequilíbrio entre a oferta e a demanda, principalmente na época da entressafra da cana-de-açúcar. Outras áreas promissoras de parceria elencadas pelo ministro foram a fitoterápica, cosméticos, eletroeletrônicos, medicamentos, telecomunicações e software.
No evento, que reuniu aproximadamente 150 pessoas, estavam presentes o embaixador do Japão no Brasil, Takahiko Horimura, o presidente da Câmara, Makoto Tanaka, o cônsul-geral do Japão em São Paulo, Masuo Nishibayashi, conselheiros e demais membros da diretoria executiva da entidade.
Comércio exterior em 2005
De acordo com números divulgados recentemente pelo Ministério do Desenvolvimento, no ano de 2005, o comércio exterior brasileiro registrou o melhor desempenho de sua história, apesar do câmbio desfavorável e dos juros altos. Pelo terceiro ano consecutivo, as exportações brasileiras cresceram em ritmo superior (23%) ao do aumento do comércio mundial (14%). O feito ganha mais relevo quando se tem em conta que o triênio registrou um avanço historicamente notável da atividade mercantil global, determinado pelo crescimento das importações chinesas e norte-americanas. Numa conjuntura em que o mundo passa atualmente por um dos ciclos mais favoráveis ao crescimento em décadas.
O desempenho dos bens manufaturados, os mais elaborados e que trazem mais divisas ao país por unidade vendida foi o outro aspecto a destacar no resultado da balança comercial brasileira. Esses produtos foram os que mais ganharam espaço na quantidade física vendida e responderam por mais da metade dos quase 120 bilhões de dólares exportados em 2005 (US$ 118,3 bilhões), com um saldo comercial obtido de quase 45 bilhões de dólares (US$ 44,764 bilhões).
A curto prazo, a valorização do real frente ao dólar, ajuda no controle da inflação, alivia os setores que têm dívida em dólar, barateia importações. Porém, tem se notado a perda de participação das exportações brasileiras em mercados estratégicos, de bens manufaturados de maior valor agregado. A quantidade exportada de manufaturas brasileiras, que se expandia com velocidade ao longo de 2005, já transitou para a virtual estagnação, conforme dados da Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior).
Com a inflação apresentando comportamento favorável, tendo seu índice atingido nível próximo da meta definida para este ano, diversos analistas apontam a oportunidade de acelerar a redução da taxa de juros básica da economia, pois não haveria mais justificativa para, em nome do esforço de controlar a inflação, contribuir para um movimento de valorização cambial que vem revelando ameaçador para a competitividade do setor produtivo e a estabilidade futura da economia.
Rubens Ito – CCIJB – 20/02/2006





