O economista Francisco Vidal Luna, disse, durante sua palestra na Câmara, que o grande desafio do Brasil é recuperar a trajetória de crescimento econômico a taxas elevadas. Segundo ele, na conjuntura atual, o que prejudica o desenvolvimento e a redistribuição de renda para o horizonte de médio e longo prazo seriam as dificuldades do governo em aprovar as reformas fundamentais como a fiscal-tributária, previdenciária, política, trabalhista, Judiciário, entre outros. “No Brasil, o poder do presidente da República dura muito pouco tempo: dois a dois anos e meio. Infelizmente, o governo Lula politicamente se enfraqueceu cedo (um ano e meio). Vai ter dificuldades em aprovar as reformas fundamentais. Se isto acontecer, é possível que esse governo seja ‘um pouco medíocre’ em termos de avanços, que seriam as tais reformas na sociedade brasileira, que poderão ser postergadas para mais dois a três anos”.
Ao seu ver, o governo Lula, apesar do pequeno crescimento na economia até o momento, vai tentar manter a atual política econômica até o final do seu mandato. “Lula manteve a política econômica do governo anterior (FHC). Vendo hoje o Brasil e os próximos dois anos de Lula, não me parece que teremos um processo de ingovernabilidade, apesar da posição cerrada da oposição. O interesse da oposição é manter a governabilidade. Não quer o caos. Se tudo for mal, o governo Lula ainda vai se manter na situação de governabilidade, apesar de fraco e de pouco crescimento econômico”.
Francisco Vidal Luna lembrou que foi, até alguns anos atrás, um dos sócios do Banco SRL (outros seriam o ex-ministro João Sayad e o ex-presidente da Petrobrás Henri Philippe Reischtul) – incorporado ao Banco Inter-American Express, do qual é conselheiro atualmente -, e disse que, apesar de ter sido um banco de pequeno porte possuía o seu “Japan Desk”, uma forma de dinamizar maior integração e aproximação com a comunidade e o empresariado japonês. Doutor em economia pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), a convite da Câmara, por seu Departamento Financeiro – presidido por Takashi Tsunoda (Mitsui Sumitomo Seguros S/A.), ele palestrou para cerca de 40 pessoas, no dia 7 de julho último, na sede social.
Luna destacou também que nas últimas décadas o Brasil sofreu importantes transformações na economia, que foram superar alguns pontos mais sérios como a inflação alta (com economia indexada) para uma taxa inflacionária mais organizada, em torno de 5%, 6%, 7% anuais; e a mudança estrutural com a abertura da economia brasileira à competição internacional, integrando o país no processo produtivo mundial, fazendo com que as empresas se adaptassem com o mercado externo.
Além de algumas condições fundamentais como a confiança da comunidade internacional, situação favorável da economia mundial e da América Latina, segundo Francisco Vidal Luna, recuperar o crescimento econômico a taxas elevadas, significa efetuar as reformas no país, na verdade, “mudanças fundamentais e contínuas”, para aumentar o índice de investimento dos atuais 12% a 13% para algo em trono de 20% a 30% do PIB (Produto Interno Bruto), reduzir os juros, gerar renda, diminuir a dívida interna e externa, ter capacidade de vender ao exterior mesmo com a expansão interna e tentar sanar o problema do elevado desemprego, na sua opinião, de difícil solução, uma vez que, mesmo o país crescendo a taxas anuais de 4% ou 5%, uma parte será incorporada pela produtividade e não em forma de geração de novos empregos. “Nesta década difícil, não sei se teremos a percepção de mudança social. Quanto mais demorar as reformas, mais a situação vai piorar”.
Rubens Ito – CCIJB





