Malan destaca potencial e desafios do Brasil em palestra a empresários japoneses

As potencialidades econômicas do Brasil, as ações estratégicas e os desafios foram o centro da palestra feita pelo ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, no dia 21 de julho, a empresários e investidores japoneses que participaram da Confraternização dos Associados, promovida pela Câmara, no Hotel Intercontinental São Paulo. Mais de 120 pessoas prestigiaram o evento. O ex-ministro, que preside atualmente o Conselho de Administração do Unibanco, destacou a importância do empresariado e disse que o governo terá de ser responsável na sua gestão macroeconômica, colocando o país no papel de indutor do desenvolvimento, a fim de criar as condições para o crescimento sustentado da economia. “Temos uma unanimidade nacional. O desejo de o Brasil crescer a uma taxa média mais elevada do que nesses últimos 25 anos. O Brasil mudou desde então. Temos que olhar para a frente. Outros países que competem com o Brasil estão fazendo crescer a taxas mais elevadas”.

O Brasil, segundo o ex-ministro, é um país privilegiado, pois dispõe de um “potencial extraordinário ”, especialmente para atração de investimentos, citando que o país é o quinto em população e o quinto em extensão territorial, com grandes recursos naturais.

Quatro desafios foram destacados pelo ex-ministro para a consecução do crescimento sustentado no país: controle da inflação, redução da carga tributária e da dívida pública e aumento dos investimentos públicos em particular na infra-estrutura. “Não há mais espaço para a volta da inflação. A memória do próprio brasileiro sabe que a inflação baixa é manter o poder de compra como em qualquer país sério no mundo. O problema macro no Brasil é a área fiscal: maior carga tributária e a mais alta taxa de gastos públicos do mundo. Não há mais espaço para o aumento da tributação. Não há mais espaço para o aumento da dívida pública. Não há mais espaço para o aumento da compressão dos investimentos públicos, em particular na infra-estrutura”. Outro ponto realçado pelo ex-ministro foi a necessidade das reformas em algumas áreas básicas como a da Previdência, a trabalhista, e na tributária a unificação das 27 legislações sobre o ICMS, enfim, sanar uma quantidade enorme de barreiras que dificultam a realização dos investimentos e a eficiência da economia brasileira.

Pedro Malan citou dados do FMI de que o crescimento da economia mundial, a liquidez internacional entre 2003 a 2006 não tem paralelo na história recente, pois está sendo um período tão fenomenal da expansão do comércio mundial, lembrando que tal crescimento só ocorreu no início da década de 50 e no começo da década de 70. “As atuais taxas de inflação estão tão baixas, só equiparáveis as obtidas nas décadas de 50 e 60. Entre 2003 a 2006 a situação internacional está sendo absolutamente extraordinária. As exportações brasileiras, apesar da apreciação do real em relação ao dólar, cresceram bastante. Esses fatores são extraordinariamente importantes”.

O ex-ministro teceu elogios ao então ministro Antonio Palocci, que fez uma “lenta e gradual desconstrução do que o PT chegou nas urnas em 2002. Modificando gradualmente, o ministro Palocci teve o bom senso e o pragmatismo ao colocar técnicos e funcionários públicos competentes e não políticos e militantes no Ministério da Fazenda. Uma definição não-ideológica”.

Disse que o atual governo beneficiou-se da herança derivada das administrações anteriores como a abertura da economia, derrota da hiperinflação, reestruturação da dívida externa, privatizações das telecomunicações, infra-estrutura, petróleo, gás, distribuição de energia, entre outros. “Este governo se beneficiou dessas mudanças”.

Pedro Malan prevê que do ano 2007 em diante, “o contexto internacional não será tão brilhante. Não será tão fenomenal, mas não traria grandes impactos, exceto se houver tragédias extemporâneas”. No seu entender, "os EUA devem crescer a taxas razoáveis e o seu déficit será feito de modo ordenado. O cenário não será como nos últimos três anos e meio, mas vai ter crescimento. O Japão já está retomando o crescimento. A China, a Índia apresentando alto crescimento”.

O ex-ministro disse que a meta inflacionária para 2008 será de 4,5%, com uma margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. “2008 teremos 13 anos de inflação civilizada. Constitui uma base para termos mais 12 , mais 24 anos de inflação civilizada”.

Em sua opinião, qualquer que seja o resultado das eleições de outubro não vê dramáticas mudanças no rumo da economia. “Seja quem for o presidente não haverá espaços para aventureiros”.

Quanto às relações Brasil-Japão, o ex-ministro espera que o comércio bilateral não seja apenas de bens e serviços, e sim da maior presença japonesa nos investimentos como na agroindústria e na infra-estrutura. “Espero que os 100 anos da imigração japonesa no Brasil possam conferir um impulso adicional”.

Rubens Ito – CCIJB – 21/07/2006