Ansiedade e Depressão no Ambiente de Trabalho

Atualmente, vivemos coletivamente uma tendência à ansiedade, pois a quantidade de informações que recebemos por minuto hoje, há 50 anos atrás se equivaleria a um ano inteiro, o que acaba por ocasionar uma corrida sem fim para algo que tem urgência em ser sabido, no entanto, a capacidade de elaboração do homem não se alterou a ponto de conseguir acompanhar tanta sobrecarga.
 
Vivemos portanto, um conflito entre o tempo externo e o tempo interno, principalmente quando diminuímos ou quase eliminamos os rituais, pois estes nos ajudam a perceber o fechamento de um ciclo e o início de outro, harmonizando dessa forma as duas dimensões temporais, interna e externa e funcionado como amenizador tanto da ansiedade como da depressão, visto que ambas estão ligadas à percepção e vivência do tempo.
 
Na ansiedade podemos notar um terror do tempo, pois diante de tantas possibilidades e de caminhos a serem seguidos, o indivíduo encontra dificuldades em viver o presente , ficando a angústia de algo que está se perdendo – o presente. É por este motivo que muitas pessoas acabam cometendo excessos na alimentação, na tentativa de preencher um espaço que se encontra vazio – o espaço do hoje. Uma pessoa ansiosa se caracteriza principalmente pelo envolvimento "pela metade", pois está sempre na expectativa de algo que virá a ser, engolindo o tempo e vivendo numa eterna prontidão, com o coração galopando e o ritmo respiratório sem conclusão, além do aumento do tônus muscular, podendo chegar a um aumento dos movimentos peristálticos ou à diminuição do ciclo menstrual para a mulher.
 
Na depressão, a pessoa se prende ao passado, normalmente se apegando a um erro cometido anteriormente e fica com a impressão de que nada mais dará certo. Ocorre um temor do futuro, inviabilizando um progresso na vida psíquica, é como tudo se tornasse cinza. Geralmente, a depressão surge em momentos quando se faz necessária uma transformação no modo da pessoa se relacionar consigo mesma e com a vida. Temos como exemplo, pessoas que se aposentam ou mudam de emprego ou quando passamos por algum luto etc. Neste caso, o tempo encontra-se parado, pois o depressivo não consegue vivenciar ritmos, que é dado pelos movimentos.
 
No ambiente de trabalho, depressão e ansiedade podem ocasionar certa dificuldade de concentração e também de envolvimento com o próprio trabalho, além de limitar idéias e ações criativas. A ansiedade pode surgir devido à modificações neste ambiente ou à cobranças com relação aos prazos ou novas tarefas a serem executadas. Já a depressão pode acontecer em funções que não propiciam uma participação criativa do empregado ou nas mudanças de cargo, tanto inferior quanto superior, sem que ocorra uma preparação para isso.
 
Podemos concluir então, que tanto a depressão quanto a ansiedade se caracterizam por uma alteração no ritmo da vida. Desta forma, a melhor maneira de combatê-las é buscar retomar o próprio ritmo e isto é possível através do nosso corpo. Subir montanhas, caminhar, andar de bicicleta, mobiliza endorfinas nas articulações, possibilitando o movimento daquilo que está parado nas articulações e uma saída do quadro depressivo. Já no caso da ansiedade, o mais importante é tentar regular o ritmo corporal, desacelerando o movimento interno e isto é possível através de massagens ou meditações. No ambiente de trabalho, isto pode ser feito através de exercícios antes de se começar o dia e também através da inclusão de um espaço onde o funcionário possa expressar sua criatividade, se isso não for possível dentro da sua função. Contar com os rituais também pode ser uma saída, como por exemplo uma confraternização ao deixar um cargo e as celebrações de fim de ano.
 
Não podemos esquecer, no entanto, que uma certa dose de depressão e ansiedade se faz necessária em momentos transitórios da vida, pois sem elas nos exporíamos à perigos sem nos darmos conta do risco que corremos ou não teríamos iniciativa para algo novo quando preciso. Desta forma, dentro de uma graduação normal, vivemos constantemente momentos de ansiedade ou de depressão.
 
O texto abaixo é uma boa ilustração para entendermos melhor como a ansiedade e a depressão pode atuar em nossas vidas. Podemos identificar o pequeno príncipe como "ansioso" e a raposa, como "depressiva" :
 
O Pequeno Príncipe
 
Antoine de Saint-Exupéry
 
" E foi então que apareceu a raposa:
– Bom dia, disse a raposa.
– Bom dia, respondeu polidamente o princepezinho que se voltou mas não viu nada.
– Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira …
– Quem és tu? perguntou o princepezinho. Tu és bem bonita.
– Sou uma raposa, disse a raposa.
– Vem brincar comigo, propôs o príncipe, estou tão triste…
– Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
– Ah! Desculpa, disse o princepezinho.
 
Após uma reflexão acrescentou:

– O que quer dizer "cativar"?
– Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
– Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
– É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços"…
– Criar laços?
– Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim, o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo…

Mas a raposa voltou a sua idéia:
– Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como uma música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo…

A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
– Por, favor, cativa-me! disse ela.
– Bem quisera, disse o príncipe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
– A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
– Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa. Mas tu não deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

" No meio da dificuldade, esconde-se a oportunidade." Eisntein

Vanessa Juliana Pavan, psicóloga clínica e especialista em cinesiologia psicológica – integração fisiopsíquica.