Economista traça cenário macroeconômico do país para os próximos anos

O economista-chefe e diretor de pesquisa, Octavio de Barros, do maior banco privado do país, o Bradesco, fez palestra durante confraternização dos associados da Câmara sobre o cenário macroeconômico do Brasil para os próximos anos. A palestra aconteceu no dia 10 de novembro em São Paulo e foi a principal atração do evento.

Segundo Octavio de Barros, o país passa por um bom momento econômico, com a queda das dívidas interna e externa e o controle da inflação, por exemplo. “O Brasil passa hoje por uma transição historicamente de economia fechada para uma economia mais aberta para o exterior. Houve uma melhora substancial no quadro econômico do país, sobretudo no balanço de pagamentos. O Brasil é um país mais confiável do ponto de vista da capacidade de pagamentos com o ajuste e o superávit nas contas correntes. O Brasil sepultou a vulnerabilidade externa”, afirmou.

“O fato de o Brasil ter superado de forma definitiva sua histórica vulnerabilidade externa, que nos deixava de joelhos durante décadas, essa fase terminou. A taxa de câmbio é radicalmente diferente do que o Brasil precisou operar durante as quatro últimas décadas. O Brasil era muito dependente externamente e essa dependência desapareceu. Ninguém poderia evitar essa mudança nessa nossa vulnerabilidade externa seja com FHC, Geraldo Alckmin, Lula, ou qualquer outro”, disse.

Na opinião de Barros, o grande trunfo do desenvolvimento do país é melhorar o ambiente econômico. “O Brasil tem que ambicionar a crescer 4,5% a 5%, mas para isso tem que ter atitude reformista e agenda de modernização, melhorar o ambiente de negócios do setor privado, reduzindo a carga tributária, fazendo ajuste fiscal para sobrar dinheiro em investimentos na infra-estrutura, por exemplo. Quanto melhor o ambiente econômico, reduzindo gastos públicos, para aumentar investimentos em infra-estrutura e outras ações, implica em reduzir os juros, criar um clima favorável para a redução dos juros”, afirmou.

Aproveitando a presença de diversos empresários e executivos, em sua maioria, japoneses, o economista enumerou alguns números do Brasil com relação ao PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas no país durante o ano) como a menor taxa de crescimento apresentado do que os demais países emergentes como a China e a Rússia (dados do IBGE: a expansão do PIB em 2005 em relação a 2004 foi de 2,3%, pouco mais da metade da média mundial estimada pelo FMI para o ano passado de 4,3% ). Para ele, “esta é a hora e a vez dos mercados voltados para o mercado doméstico. Por que o Lula foi reeleito com 22 milhões de votos a mais do que o concorrente, com PIB baixo? A sensação térmica foi crescimento do PIB de 4% a 4,5%. O poder de compra, o mercado de crédito é espetacular. O PIB não cresceu tanto porque a contribuição do setor externo foi negativa. Cresceram as exportações, mas as importações cresceram mais. Mas a absorção doméstica está entre 4% a 4,5% de aumento, enquanto que as exportações ficam em 1%. O Brasil não pode ser comparado com o crescimento da China, Rússia porque o Brasil foi a China e a Rússia de hoje nos anos 70 (10% de crescimento consecutivamente, porque tudo na época era ´green field ´, sendo o desbravador da fronteira, setor industrial chegando pela primeira vez). Diferentemente de hoje, pois o país já tem uma indústria completa e complexa, agroindústria desenvolvida, setor de serviços sofisticado”.

Para o economista a taxa de câmbio não cairá. “Quanto mais o Brasil melhorar, mais o câmbio aprecia, mais confiável o país será, havendo mais dinheiro, mais financiamento”. Neste cenário, segundo ele, não há espaço para a desvalorização do real. “Os próximos 3, 4 anos o câmbio (dólar) ficará entre R$ 2,00 a R$ 2,30”. E conclui: “Tudo o que é bom aprecia o câmbio”. Ponto de vista diferente do que pregam certos analistas econômicos que defendem a desvalorização da moeda a fim de estimular a indústria brasileira diante da concorrência, para permitir a competitividade aos setores industriais mais afetados, assim buscar maior crescimento, emprego e proteção da indústria.

Octavio de Barros explica que quando a moeda é depreciada, as deficiências ficam camufladas. Por outro lado, ele diz que quando a moeda fica apreciada as deficiências como a carga tributária, infra-estrutura, Previdência, legislação do trabalho (defende não a mudanças, mas acabar com os encargos), entre outras ficam expostas e há uma demanda muito maior sobre elas. Ele lembra que quando a taxa de câmbio era depreciada as reclamações sobre a carga tributária eram menores. Para ele, o grau de ineficiência da economia chinesa é infinitamente maior do que o do Brasil. “Ocorre que a moeda chinesa fica escondendo essas deficiências, mas um dia elas aparecem. O governo chinês enfrenta os grandes dilemas econômicos, políticos (como democracia)”. O economista diz que as mensagens do presidente Lula após as eleições “são excelentes”, exemplificando o caso da infra-estrutura. “Necessariamente esses temas vão ter mais objetividade, com avanços pertinentes no sentido de melhoria”, deduz.

Com essa valorização do câmbio, o economista aponta uma direção: “Enquanto a liquidez externa continuar favorável, as ineficiências serão combatidas com as reformas”. Evidentemente que, o câmbio apreciado prejudica a rentabilidade dos exportadores e aumenta as importações, mas acha “muito bom o Brasil estar em uma economia aberta com inflação baixa, próximo da fronteira tecnológica, com aumento da eficiência e da concorrência”. No seu entender “o câmbio elevado é doloroso, e a saída para esse obstáculo seria o avanço das reformas na área tributária (dobro dos emergentes), na infra-estrutura (reduzir custos), entre outros”.

“Hoje as taxas de juros são as mais baixas dos últimos 35 anos, e vão abaixar mais ainda”. Nesse ambiente de câmbio apreciado, consolidação da inflação baixa e queda dos juros, o economista aponta como perdedores os exportadores clássicos protegidos. E os vencedores do processo os setores que dependem de renda do trabalho (salário real) e créditos. São setores que dependem do mercado doméstico de consumo como serviços, comércio, construção civil e infra-estrutura. Exceções entre os perdedores seriam os setores que exportam commodities (para a China), cujas vendas continuam elevados; e as exportadoras que têm elevado índice de componentes importados para exportação.

Participaram do evento o presidente, Makoto Tanaka, o cônsul-geral do Japão em São Paulo, Masuo Nishibayashi, o presidente de honra, Akira Kudo, os conselheiros Takashi Goto e Masahiko Sadakata, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Japão do Paraná, Antonio Ueno, o vice-presidente da Câmara, Seiji Ishikawa, o presidente do Conselho Fiscal, Tadashi Yamada, o secretário-geral, Fujiyoshi Hirata, o deputado estadual pelo Paraná, Luiz Nishimori, demais diretores, além de mais de 100 membros-associados.

 

 

Makoto Tanaka, presidente da Câmara e Octavio de Barros, diretor de pesquisa e economista-chefe do Bradesco. (fotos: Rubens Ito / CCIJB).

 Toshifumi Murata (Bradesco), Makoto Tanaka (presidente da Câmara), Octavio de Barros (Bradesco), Luiz Francisco Dias e Antonio Firoshi Namiki (NGK do Brasil) e Fujiyoshi Hirata (secretário-geral da Câmara).

Fujiyoshi Hirata (secretário-geral da Câmara), Makoto Tanaka (presidente da Câmara) e o ex-deputado Antonio Ueno (presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Japão do Paraná).

 

Mais de 100 membros-associados prestigiaram a palestra do diretor de pesquisa e economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros.

 

 

A palestra do diretor de pesquisa e economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, foi a principal atração da confraternização dos associados de novembro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rubens Ito – CCIJB – 10/11/2006