Alegria e vigor dos brasileiros podem servir de modelo para os japoneses, diz consultor

 

Cônsul do Japão em São Paulo, Hiroshi Watanabe; consultor Reugene Nishikawa; e secretário-geral da Câmara, Fujiyoshi Hirata.

 

O diretor-presidente do Centro de Pesquisas do Comércio Rezon, de Tóquio, Reugene Nishikawa, destacou em São Paulo, durante palestra para mais de cem associados e convidados, no Almoço de Confraternização da Câmara, que a alegria e o vigor dos brasileiros podem servir de modelo para os japoneses. "O defeito do japonês é que ele é muito sério, bota a culpa na crise, na recessão, tornando-se um emissário da tragédia. Enquanto que no Brasil, o amor prevalece mesmo nos momentos mais difíceis, o brasileiro fica alegre e não prega a crise".

Reugene Nishikawa observa que o Japão, apesar de em termos globais possuir o segundo maior PIB (Produto Interno Bruto – soma de todas as riquezas, incluindo serviços, produzidas no país) e seu povo detentor de uma das maiores rendas per capita (3º lugar no ranking em 2001), é campeão mundial em suicídios. "Será que está tão ruim assim para se matar?", indagou. "Nesses últimos anos acompanhei o número de suicídios no mundo e observei que, ao contrário do Japão, nos demais países, inclusive nos emergentes, essa taxa é baixíssima. Então, só porque está desempregado não é motivo para cometer suicídio. O japonês pensa reto demais", afirmou.

"O Brasil é uma fusão de culturas, mistura de raças, de muita criatividade, virtudes estas que o Japão não tem", disse o consultor. Segundo Nishikawa, "o Brasil está repleto de potenciais, de novas idéias e sugestões".

Concluindo uma maratona de conferências no Brasil, antes de vir a Câmara, esteve ministrando palestra na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEPR) e no Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo).

Enviado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, Nishikawa é especialista em marketing internacional. Ele recebeu da Fortune Magazine dos Estados Unidos o título de "jovem gênio do marketing japonês". Consultor de empresas como NTT DoComo, Sony, UCC, Isetan, entre outros, Nishikawa é colunista regular de grandes jornais e revistas e professor do Instituto de Tecnologia de Tóquio, das Universidades Waseda, Konan e Hitotsubashi, e professor-visitante da Universidade Takushoku.

O consultor de marketing também enfocou as tendências do mercado consumidor japonês, com as profundas mudanças no Japão, resultado da quebra de velhos tabus da conservadora sociedade nipônica, que segundo ele, pode influenciar no mercado de consumo, o que seria uma oportunidade para a entrada de produtos brasileiros naquele país. Exemplificou a eleição do primeiro-ministro Junichiro Koizumi, que quebrou regras e tabus, pois não era o indicado para o cargo e é divorciado; a participação feminina em altos cargos governamentais, entre outros.

O especialista Nishikawa analisou que, no Japão, empresas que vendem caros os seus produtos, apesar da crise econômica em que o país atravessa, algumas estão indo bem. "O que vale é o bom gosto e a qualidade", disse o consultor, acrescentando também que marcas estrangeiras famosas e aparelhos celulares, que, apesar de não serem imprescindíveis, têm uma demanda alta no Japão. "As empresas que conseguem agregar valor são vencedoras, mesmo que não sejam líderes no mercado. As empresas devem valorizar a mudança ("change"), pois cada mudança é uma chance".

Nishikawa destacou também o poder da mídia junto ao consumidor, lembrando que logo após a bolha econômica, devido à crise, os japoneses poderiam ter abandonado em consumir o vinho e beber cerveja que custa menos, mas eles continuaram tomando o vinho. "Isto foi por causa da mídia que dizia que a vinho fazia bem à saúde (coração) das pessoas". Ele comentou sobre uma pesquisa elaborada no Japão, para detectar os efeitos causados na saúde das pessoas com o consumo de "shochu", bebida alcoólica feita à base de batata doce. Esta pesquisa mostrou que, em regiões onde havia maior consumo deste produto, a expectativa de vida da população era maior. Com a divulgação pela mídia deste fato, a bebida está sendo um enorme sucesso no país e tornou-se o sucessor natural do vinho. O mesmo, segundo ele, poderia ser aplicado no Japão com a famosa caipirinha, feita através da cachaça brasileira.

 

 

 

 

 

 

 

 

Rubens Ito – CCIJB – CCIJB – 18/08/2006