Comércio bilateral foi discutido por empresários do Brasil e do Japão

Comércio bilateral foi discutido por empresários do Brasil e do Japão

 

 
Armando Monteiro Neto
 
Minoru Murofushi
(fotos: arquivo CNI)

 

Sessão de Abertura

Mário Vilalva (embaixador), Rinaldo Campos Soares (Usiminas), Makoto Tanaka (Câmara) e Takezo Yanagida (Jetro, São Paulo)

Sessão de Abertura – Minoru Murofushi, Armando Monteiro Neto, Luiz Fernando Furlan e José de Freitas Mascarenhas

 

(São Paulo-SP, 18/03/2003) – A X Reunião Conjunta do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão foi realizada em São Paulo, no dia 17 de março, encontro este que reuniu 180 empresários brasileiros e japoneses, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Nippon Keidanren (Federação das Organizações Econômicas do Japão) para a reativação do comércio e dos investimentos e a criação de novas parcerias. Entre os temas, a possibilidade de um acordo de livre comércio entre Brasil e Japão e a importação de álcool brasileiro.

De manhã, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, participou da abertura junto com o presidente da CNI, deputado Armando Monteiro Neto (PMDB-PE), o líder da delegação japonesa, Minoru Murofushi, a secretária parlamentar para Assuntos Estrangeiros do Japão, Shinako Tsuchiya (representando o primeiro-ministro Junichiro Koizumi) e os embaixadores do Brasil e do Japão, Ivan Cannabrava e Tadashi Ikeda.

À tarde, o líder da delegação japonesa, Minoru Murofushi, e o presidente do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão da CNI, José de Freitas Mascarenhas, concederam entrevista coletiva à imprensa.

Na primeira sessão plenária – O cenário político e econômico, coordenado pelo presidente do Comitê Econômico Brasil-Japão da CNI, José de Freitas Mascarenhas, foram efetuadas as palestras do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy e do assessor da Presidência do The Bank of Tokyo-Mitsubishi, Ltd., Tadahiro Asami, com os respectivos temas "A agenda do novo governo e perspectivas econômicas para o Brasil" e "Como o Japão está lidando com o desafio da reforma econômica".

A sessão plenária 2 – As estratégias comerciais do Brasil e do Japão e as perspectivas na esfera bilateral, foi coordenada pelo presidente do Comitê Econômico Brasil-Japão da Nippon Keidanren, Minoru Murofushi. Os expositores foram Osvaldo Douat, presidente do Conselho de Integração Internacional da CNI, que explanou sobre a perspectiva brasileira e o vice-presidente-executivo-sênior da Mitsubishi Corporation, Hironori Aihara, que enfocou o lado japonês sobre o tema.

Promovendo projetos de investimento foi o tema da sessão plenária 3, que foi coordenada pelo presidente do Comitê Econômico Brasil-Japão da CNI, José de Freitas Mascarenhas. Ministraram palestras o presidente da Investe Brasil, Rudolf Höhn, com o tema "Oportunidades de investimento que podem induzir negócios em comum", o CEO para a América Latina da Itochu Corporation e diretor-presidente da Itochu Brasil S/A., Masahiro Kanaoka, sob o tema "Melhorias no cenário empresarial que facilitariam contatos de negócios", o diretor de Relações com Investidores da Companhia Vale do Rio Doce S/A., Roberto Castello Branco, que fez explanação sobre "As associações de capital como ferramenta de multiplicação das oportunidades de negócios". Finalizando esta sessão, Ernani Teixeira Torres Filho, superintendente de Comércio Exterior do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e Fumihiko Wada, diretor-executivo residente para as Américas do JBIC – Japan Bank for International Cooperation que ministraram palestras sobre "O apoio financeiro aos negócios entre Brasil e Japão".

A quarta sessão plenária, a última, sob o tema "Ações de promoção do comércio bilateral", foi coordenada pelo presidente da Usiminas, Rinaldo Campos Soares. Carlos Mariani Bittencourt, presidente da Abiquim – Associação Brasileira da Indústria Química e Makoto Tanaka, presidente da Câmara, expuseram sobre o tema "Tendências no comércio bilateral, obstáculos e perspectivas de expansão". O embaixador Mário Vilalva, diretor-geral do Departamento de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores e o diretor-presidente da Jetro (São Paulo) ministraram palestra sobre "Ações de promoção que visam impulsionar o comércio bilateral".

Brasil e Japão divulgam documento conjunto

Na cerimônia de encerramento da X Reunião Conjunta do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão foi feita a leitura e a divulgação do Comunicado Conjunto pelo presidente do Comitê Econômico Brasil-Japão da CNI, José de Freitas Mascarenhas. O comunicado na íntegra está descrito conforme a seguir :

1. Realizou-se em São Paulo, Brasil, no dia 17 de março de 2003. a X Reunião Conjunta do Comitê de Cooperação Econômica Brasil – Japão. A delegação brasileira, chefiada por Armando Monteiro Neto, presidente da Confederação Nacional da Indústria, e coordenada por José de Freitas Mascarenhas, presidente do Comitê Brasil-Japão na CNI, foi composta de 180 empresários. A Reunião Conjunta contou ainda com a presença, pelo lado brasileiro, por S. Excia. Luiz Fernando Furlan, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, por S. Excia. Bernard Appy, vice- ministro da Fazenda, e outros representantes governamentais. A delegação japonesa, com cerca de 80 membros, foi liderada por Minoru Murofushi, chairman do Comitê Econômico Japão – Brasil no Nippon Keidanren, e contou ainda com a participação da Sra. Shinako Tsuchiya, secretária parlamentar para Assuntos Estrangeiros e outras autoridades japonesas.

2. O lado brasileiro demonstrou grande confiança no novo governo, empossado em janeiro de 2003, que vem implementando políticas econômicas focadas na melhoria das condições macroeconômicas e na expansão do comércio e do investimento, ao mesmo tempo em que busca aperfeiçoar o quadro social. As políticas do novo presidente têm atraído amplo apoio e foram muito bem avaliadas tanto no plano doméstico como no exterior. No âmbito do comércio internacional, o Brasil continuará a buscar o fortalecimento do Mercosul e uma mais profunda integração na América do Sul. O Brasil prosseguirá tendo um papel ativo nas negociações da Rodada de Doha, da ALCA e no Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Européia. O país buscará, ainda, desenvolver relações mais estreitas com o Japão e outras nações asiáticas.

3. As duas delegações compartilharam a visão de que o comércio e o investimento bilateral passaram, nos últimos anos, por um período de pouco dinamismo, que não reflete adequadamente o seu potencial, lastreado em uma longa e estreita história e na escala do relacionamento bilateral entre os dois países. Conscientes de que os Acordos de Livre Comércio (ALC) constituem uma tendência internacional calcada na liberalização comercial e na desregulamentação, bem como um catalisador do comércio bilateral, os delegados compartilharam a opinião de que o setor privado deveria iniciar estudos sobre as oportunidades e desafios de um ALC entre o Brasil e o Japão como uma ferramenta em prol do fortalecimento das relações econômicas entre os dois países. O lado japonês enfatizou que as firmas japonesas deveriam monitorar cuidadosamente, desde os seus estágios iniciais, o progresso das negociações da ALCA e do acordo entre o MERCOSUL e a UE, e estar preparadas para tomar medidas preventivas quanto à possibilidade de desvios de comércio e do investimento. O ALC entre o Brasil e o Japão deveria permitir que as firmas japonesas expandissem suas atividades na América Central e do Sul através de suas subsidiárias no Brasil, bem como possibilitar às empresas brasileiras uma mais efetiva presença no leste asiático através de um maior acesso no mercado japonês.

4. Durante a 9ª Reunião Conjunta, realizada em São Paulo em novembro do ano 2000, o documento "Brasil-Japão: Aliança para o Século XXI" destacou medidas necessárias ao fortalecimento dos laços econômicos entre os dois países. Na presente Reunião Conjunta, os dois lados reiteraram a importância daquele documento e se comprometeram a trabalhar para a revitalização das relações bilaterais. O lado japonês mencionou os custos de se fazer negócios no Brasil, como o complexo sistema tributário, as relações trabalhistas e questões previdenciárias, e que essas barreiras e problemas devem ser removidos. Em resposta, o lado brasileiro destacou que as políticas voltadas para a facilitação dos negócios e para atração do investimento estrangeiro direto irão prosseguir. O lado brasileiro pediu a redução e eliminação das barreiras comerciais no mercado japonês. Foi enfatizado que para a promoção e desenvolvimento de parcerias entre as indústrias dos dois países, os governos japonês e brasileiro deveriam buscar meios de prover apoio financeiro sistemático ao investimento japonês no Brasil e às exportações brasileiras para o Japão. As duas delegações destacaram que as questões ambientais podem ensejar perspectivas de novos negócios entre os dois países e que, nesse sentido, o etanol se destaca como exemplo de uma promissora área de cooperação.

5. As delegações brasileira e japonesa deverão examinar a possibilidade de estabelecer um grupo de trabalho para analisar os efeitos de um Acordo de Livre Comércio entre os dois países no sentido de melhoria do ambiente de negócios, da expansão das oportunidades de negócios, e a revitalização das relações econômicas bilaterais. Ficou acordado que a próxima Reunião Conjunta deverá realizar-se em data e local ainda a ser definido.