Elevada carga tributária pode trazer perda da competitividade, diz Ishikawa
Com os impostos a 40% do PIB, o país acaba com toda a sua competitividade internacional, alertou o vice-presidente da Câmara, Seiji Ishikawa, na reunião mensal da Comissão de Estudos de Assuntos Trabalhistas, da qual preside, realizada no dia 17 de julho, na sede social. Ele mostrou-se preocupado com os rumos da reforma tributária que está por vir, bem como da conjuntura atual da economia. "Devagar estamos entrando na fase da realidade. A elevada carga tributária pode trazer a perda da competitividade dos produtos brasileiros no exterior". "Como ter meta de inflação de 9,5% ao ano se o assalariado quer reajuste de 18%, 19%?". "Então, o problema da inflação ainda não acabou. Precisamos lutar muito para acabar com ele".
O tão esperado ''espetáculo do crescimento'', anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode não vir tão cedo. Segundo Ishikawa, "o povo não tem poder de compra", por conta do estrago da "bolha inflacionária". "O preço lá em cima e o salário não sobe, a massa salarial global está diminuindo. Se você desaquece a economia de uma vez, é difícil reaquecê-la. A economia para voltar a crescer é difícil", explica. Na opinião de Ishikawa "o país não está no ambiente de incentivo para se investir. Eu não acredito que dentro de dois a três meses o juro real vai baixar. Esse desaquecimento é a defasagem dos salários com a subida dos preços. Não é só no Brasil que acontece isso. O ciclo virtuoso de crescimento econômico está difícil de vir no governo Lula", adverte.
Retorno ao contribuinte
A carga tributária com as reformas, provavelmente, não irá diminuir, e sim, vai aumentar ainda mais. Hoje, os impostos consomem 36% do PIB – Produto Interno Bruto (soma de todas as riquezas produzidas no país, incluindo serviços). 1/3 do que é arrecadado vai para pagar os juros. O IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) e estudiosos no assunto estimam que os tributos, com a reforma vão representar 40% ou mais do PIB. O fim da cumulatividade do Cofins, a uniformização das alíquotas do ICMS e a proibição dos incentivos fiscais são citados por especialistas como pontos positivos da reforma.
Esta elevada carga tributária que o Estado arrecada não retorna ao povo brasileiro em forma de benefícios como educação de boa qualidade e gratuita, planos de saúde com baixas mensalidades, saúde pública, moradia, segurança, infra-estrutura, entre outros. Em outros países do continente se cobram menos impostos, mas os serviços públicos prestados à população são de qualidade melhor. No Canadá os impostos representam 35% do PIB, nos Estados Unidos, 30%, no Chile, 17%. Nesses países, os serviços públicos prestados pelo governo são, de longe, muito melhores e dignificantes aos contribuintes.
Restrições ao desenvolvimento
O arrocho fiscal e as altas taxas de juros restringem a atividade econômica, impedindo o desenvolvimento do país. A produção fica estagnada, aumentando o desemprego e a redução do consumo. A elevação dos juros, como forma de conter a inflação, tem prejudicado o setor produtivo. Sem crédito barato fica difícil produzir. O impacto do choque de juros custa muito dinheiro para ser gasto com o pagamento de juros da dívida do governo.
Mesmo assim, o país conseguiu até o dia 20 de julho, superávit de mais de 11 bilhões de dólares na balança comercial deste ano, puxado pelos produtos agrícolas. O volume de recursos na rolagem da dívida interna, principalmente o lastreado em dólares, vem sendo reduzido pelo Banco Central e os compromissos com a dívida externa estão em dia.
Evidentemente, o ajuste fiscal e o equilíbrio das contas são necessários para a estabilidade da economia. A reforma previdenciária, principalmente, poderá reduzir os gastos do governo, ajudando melhor distribuir a renda e reduzir o sofrimento da maioria do povo brasileiro. A reforma tributária está muito longe de ser o ideal para o lado do contribuinte.
País perde posição econômica
Enquanto a economia brasileira está praticamente estagnada, outros países estão galgando degraus preciosos no cenário global. Isto é o que mostra o estudo da consultoria Global Invest, segundo o qual o Brasil provavelmente cairá este ano da 12ª posição de 2002 para a 15ª colocação entre as maiores economias do mundo, atrás de Holanda, Austrália e Índia. O Produto Interno Bruto (PIB) americano, locomotiva do globo, apesar de todos os percalços deverá crescer dos US$ 10,366 trilhões do ano passado para US$ 10,838 trilhões no fim deste ano. Atrás, pela ordem, surgem outros nomes do Primeiro Mundo: Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália.
Começam a surgir depois, os países emergentes, como a China, em sétimo lugar, com um PIB de US$ 1,329 trilhão, seguida do Canadá, Espanha, México e Coréia do Sul. Quando se esperava que o Brasil ao menos mantivesse a 12ª posição como no ano passado, ultrapassam a Holanda, Austrália e Índia. De acordo com o estudo, o PIB brasileiro vai crescer dos US$ 450 bilhões de 2002 para US$ 484 bilhões este ano.
Como dever de casa, o estudo aponta não só a conclusão das reformas em curso – da Previdência, tributária -, mas também medidas que poderiam acelerar o desenvolvimento. Ainda, o estudo diz que a política de juros elevados no país proporcionou a maior transferência de renda dos últimos tempos, do setor produtivo para os bancos e o mercado financeiro.
O crescimento esperado para o Brasil este ano, de acordo com o levantamento, é de 1,5%, enquanto a Índia, por exemplo, irá avançar 5,1% e a Austrália, 3%. Ressaltando que, esses números são sempre de previsão. Apenas em dois anos recentes, 1995 e 2000 o crescimento do PIB do país foi em torno de 4% ao ano.
O estudo da empresa de consultoria foi baseado em dados do Banco Central, projeções do Fundo Monetário Internacional e também da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A Índia, Holanda e Austrália ganharam posições desde o último levantamento feito pela Global Invest, em 2002. O câmbio não foi o vilão dessa queda, segundo mostra o estudo. Pois, em 1998, com a desvalorização, o Brasil chegou à sétima posição no ranking dos países. O câmbio utilizado nas previsões é a média do fim do ano, de R$ 2,87 o dólar.
Avaliação 360º
Na reunião, foi realizada também uma palestra sobre Avaliação 360º, que foi proferida pelo consultor, Paulo Arasaki. O palestrante apresentou projeto desenvolvido pela Tokio Marine Brasil Seguradora S/A. – conceituação do modelo adotado, em parceria com a Ikeda Internet Software Ltda. – desenvolvimento do software, e Business Trends – implantação em novos clientes.
Paulo Arasaki é diretor-executivo da Business Trends, formado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica – USP em 1977 e com pós-graduação em Administração de Empresas pelo IESE – Universidade de Navarra – Espanha. Atua em consultoria desde 1979, tendo trabalhado em empresas representativas do setor, tais como Accenture, Arthur D. Little, Villares Informática, Roland Berger, KPMG Consulting, Atos Origin e Authent. Na KPMG foi sócio-responsável por trabalhos de Transformação Organizacional e pelo segmento de Consumer and Industrial Markets. Tem atuado como diretor de projetos em importantes trabalhos de transformação organizacional, com um enfoque integrado de melhorias em processos organizacionais, implementações de sistemas de informação, e gestão da mudança organizacional, tanto no Brasil como no Exterior.
"A novidade do método 360º é a auto-avaliação, além da avaliação", segundo o especialista. "É a alavanca muito forte nas transformações organizacionais da empresa, melhorando a comunicação interna entre os funcionários. Muda a atitude das pessoas. As pessoas vão motivar mais as pessoas", diz. Mas o consultor adverte: "empresas que adotaram a Avaliação 360º e pararam no meio do trabalho, criaram uma enorme frustação".
Léo Mizoe, gerente de RH da Tokio Marine Brasil Seguradora S/A., afirma que nos 360 funcionários da empresa foram feitas 2100 avaliações por este método.
A seguir, os principais pontos enfocados pelo expositor:
Objetivos
Segundo o palestrante, os objetivos desse programa são: ter maior transparência na avaliação de desempenho; estabelecer uma ligação clara entre o desempenho e a remuneração; identificar necessidades de treinamento; identificar colaboradores com alto potencial de desempenho; determinar plano de carreira consistente e realista por colaborador; reduzir julgamentos tendenciosos ou pessoais no processo de avaliar; e ter clareza e transparência no processo de comunicação com colaboradores (funções versus perfil, objetivos e pontos de melhoria). O serviço fornece suporte de aplicativo com funcionalidades adequadas ao processo de avaliação de desempenho de Recursos Humanos, através do suprimento em modelo ASP de um sistema que permite a coleta das avaliações, análise e conclusão efetivas de todo o processo.
Experiências na utilização
Ele enumera as principais experiências na utilização do método: processo mais abrangente de avaliação, complementando o ciclo da implementação de grandes transformações organizacionais; alavanca uma mobilização mais efetiva na empresa; utilização da gestão de talentos por competência, com base para avaliação; competência – capacidade de aplicar conhecimentos, habilidades e comportamentos aos processos organizacionais, permitindo a uma empresa atuar de maneira ágil e eficaz, agregando valor aos clientes.
Necessidades para uma condição efetiva
O expositor cita as necessidades para uma condição efetiva: assegurar que a Avaliação 360º seja parte da estratégia organizacional; garantir um processo ágil de condução e obtenção de resultados de um ciclo; realizar todo o processo com baixo custo; uniformizar critérios utilizados para a avaliação; ter ferramental de suporte que possa garantir acesso adequado às informações da avaliação, garantindo a confiabilidade e o sigilo requeridos (avaliado, gestores das áreas, RH).
Vantagens do serviço
Como vantagens do serviço, Paulo Arasaki diz: disponibiliza ferramenta que agiliza a coleta de informações, gestão e a análise de todo o processo de avaliação, permitindo a realização de um ciclo de avaliação em curto espaço de tempo; permite a utilização do conceito de Gestão de Talentos por Competências como base para a avaliação, tornando objetiva e clara a base para a avaliação; o serviço disponibiliza o acompanhamento do histórico de desenvolvimento das pessoas, tornando-se um aliado estratégico na gestão de recursos humanos da empresa; baixo custo do processo, pelo aplicativo ser remunerado de acordo com seu efetivo uso por ciclo de avaliação, evitando-se assim investimentos na infra-estrutura de Tecnologia de Informação.





