Japão pede juros e impostos baixos para investir no Brasil
Os japoneses esperam que o governo brasileiro reduza as taxas de juros e a carga de impostos para investir mais no País. Foi o que afirmaram empresários e representantes de organismos de fomento japoneses durante o seminário promovido no dia 31 de maio, pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e a Embaixada do Japão para discutir as relações econômicas entre os dois países.
O deputado Aroldo Cedraz (PFL-BA), que sugeriu a realização do encontro, também reconheceu a necessidade de o Brasil mudar a sua legislação tributária e trabalhista, e propôs a adoção de novos mecanismos de parceria para incrementar o comércio bilateral.
Parcerias bilaterais
Um desses mecanismos poderiam ser os acordos de parcerias econômicas (EPA, na sigla em inglês), que, segundo o vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, Takao Omae, vêm sendo adotados com grande sucesso pelo Japão com os países da Área de Livre Comércio do Leste Asiático (Asean). Os acordos englobam a proteção de investimentos, serviços e produtos industriais. O problema, segundo o diretor do Departamento de Negociações Internacionais do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Regis Arslanian, é que essas parcerias não incluem os produtos agrícolas e precisariam ser estendidas aos parceiros do Brasil no Mercosul.
O mesmo aspecto foi enfatizado pelo representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI) José Augusto Fernandes. Mesmo reconhecendo a dificuldade de compatibilizar a EPA com o Mercosul, Fernandes defendeu a formalização desses acordos como instrumento de diversificação das exportações brasileiras para o Japão. Ele também reclamou das barreiras sanitárias aplicadas pelos japoneses contra as exportações de carnes e frutas brasileiras.
Custo Brasil
Outros obstáculos apontados pelos empresários japoneses ao ingresso de investimentos no Brasil são a baixa oferta de crédito, o baixo grau de abertura comercial e o chamado Custo Brasil – que corresponde à infra-estrutura insuficiente, à morosidade dos procedimentos alfandegários, à complexidade do sistema tributário, ao mercado cambial não consolidado e à legislação trabalhista desfavorável aos empregadores. Outro ponto negativo ressaltado foi o índice de violência nas grandes metrópoles.
Trauma com assalto
O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Rio de Janeiro, Toshiriro Tsutsumi, relatou a experiência pessoal traumática de ser assaltado no Rio de Janeiro. Ele também reclamou do prazo para liberação de visto para entrada no Brasil, cuja morosidade prejudica especialmente aqueles que vêm para trabalhar nas empresas japonesas aqui instaladas.
O deputado Paulo Delgado (PT-MG) destacou a determinação do País em aprimorar o ambiente de negócios e reduzir a violência. Delgado manifestou solidariedade com o presidente da Câmara do Rio de Janeiro e se desculpou pelo incidente. "Estamos nessa cruzada por um País mais estável social e economicamente, e mais seguro para toda a população."
Investimentos em declínio
Durante o seminário, o empresário Takao Omae apontou uma tendência de declínio no fluxo de investimentos do Japão no Brasil. Em comparação ao bloco de quatro países emergentes conhecido como Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que apresenta essa tendência. Entre 2000 e 2005, os investimentos caíram de 32,8 bilhões de dólares (cerca de R$ 75,4 bilhões) para 15,2 bilhões de dólares (cerca de R$ 35 bilhões), muito próximo ao investimento do Japão na Rússia, que é de 14,6 bilhões de dólares (cerca de R$ 33,6 bilhões), mas era de apenas 2,7 bilhões de dólares (cerca de R$ 6,2 bilhões) em 2000. Já na China, o volume de investimentos, que era próximo ao que o Brasil recebia em 2000 – 40,7 bilhões de dólares (cerca de R$ 93,6 bilhões), saltou para 60,3 bilhões de dólares (cerca de R$ 138,7 bilhões
Fonte: Agência Câmara

Participantes do seminário econômico Brasil-Japão. (foto: Otávio Praxedes / Agência Câmara).





