Lula: queremos o capital externo no Brasil para criar empregos e distribuir a renda

Luiz Inácio Lula da Silva
Para o fortalecimento do mercado interno "para defender a economia do povo" e o desenvolvimento de uma política de comércio exterior mais agressiva, o presidente de honra do PT – Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva, garantiu que a posição do partido em relação ao capital externo é bem-vinda: "pois cria empregos e distribui a renda".
Mas pressupõe a necessidade de melhorar a infra-estrutura. E que "os lucros das multinacionais sejam, de preferência, reinvestidos aqui", diz.
Este foi o tom de sua palestra realizada no Almoço de Confraternização da Câmara, no dia 14 de setembro último (ano 2001), na cidade de São Paulo, cujo público presente estava composto por empresários e executivos de várias empresas associadas à entidade, lideranças comunitárias, representantes da comunidade nipo-brasileira e convidados.
A belíssima palestra do orador fez os presentes vivenciar um evento ímpar. Foi um dos melhores encontros proporcionados pela Câmara.
Lula foi recebido pelo presidente da Câmara, Masahiko Sadakata, pelo cônsul-geral-interino do Japão em São Paulo, Toshio Ikeda e pelos demais membros da Diretoria Executiva da entidade, presentes na ocasião.
O presidente de honra do PT estava acompanhado do economista Guido Mantega, da administradora da Regional da Sé da Prefeitura da Cidade de São Paulo, Clara Ant, do consultor-previdenciário e ex-deputado federal, Luiz Gushiken, do presidente do Instituto Cidadania, Paulo Okamotto e do diretor do programa "Folclore do Japão" da rede CNT, Ademar Eigi Morinaga.
Pela segunda vez desde a fundação do PT, em 1980, que Lula participa de um encontro com membros da Câmara, para expor suas idéias e sobre as relações entre o Brasil e o Japão. Sua primeira vinda à entidade foi no dia 10 de fevereiro de 1994, quando esteve acompanhado de companheiros do partido como José Dirceu, Aloizio Mercadante, Ricardo Kotscho e Oded Grajew.
No início do seu discurso, Lula prestou a mais irrestrita solidariedade ao povo norte-americano, com repúdio absoluto à barbárie dos atentados terroristas ocorridos nos EUA, no dia 11 de setembro último: um momento trágico na história da humanidade.
Citou a questão social como prioritária, para o desenvolvimento com eqüidade no Brasil. "Empresários, trabalhadores e o governo devem estabelecer um parâmetro de desenvolvimento do país". "Que as desigualdades sejam diminuídas, entre aqueles que ganham mais e aqueles que ganham menos". "É possível que cada cidadão tenha o direito de ter três refeições por dia". "Não podemos acreditar num mercado interno onde 50 milhões de brasileiros ganham menos de um dólar por dia, não conseguem se alimentar, não têm uma sobrevivência honrosa, digna e decente". "Precisamos ter consciência para dar vez e voz à grande parcela dos brasileiros, que não tem voz e lugar na sociedade brasileira", disse. O dirigente petista diz que, para o país obter a competitividade neste novo século necessita de mão-de-obra qualificada, e sendo assim, investimentos em educação, pesquisa e desenvolvimento serão fundamentais.
No plano da segurança pública, Lula defende uma polícia melhor preparada e remunerada, a necessidade de mudança do poder judiciário e do sistema prisional, bem como resolver os problemas educacionais e sociais do país. "Menos polícia e mais educação, emprego, cultura, lazer e esporte, para que os jovens ocupem o tempo ocioso, assim, não sendo futuros delinqüentes", declarou.
Luiz Inácio Lula da Silva mencionou a importância do aperfeiçoamento das relações internacionais. Afirmou que quer uma melhor relação do PT com a comunidade nipo-brasileira. "Um debate como este estreita a aproximação de ambos", diz.
Rubens Ito





