Brasília, 11/12/2006 – No mundo em desenvolvimento, as mulheres trabalham por mais horas que os homens, mas ganham menos. Elas também têm maior probabilidade de obter empregos precários, com pouco ou nenhum benefício social. Estas são algumas das constatações do relatório Situação Mundial da Infância 2007, divulgado hoje (11) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
De acordo com o estudo, na América Latina e Caribe, a remuneração feminina equivale a 73% da masculina. A situação é desigual até mesmo nos países industrializados, onde os salários femininos equivalem a 80% da remuneração masculina. Considerando-se o Produto Interno Bruto (PIB) per Capita, o ganho estimado das mulheres latino-americanas corresponde a 40% dos ganhos dos homens.
No Brasil, dados de 2000 indicam que apenas 11% da terra pertence às mulheres. Trata-se de um dos piores índices da América Latina – no Paraguai, por exemplo, mulheres detêm 27% da terra, no México 22%, na Nicarágua 16% e no Peru, 13%.
Outra característica do mercado de trabalho feminino é a informalidade. No Brasil, 67% das mulheres trabalham no setor informal – índice superior ao de países como áfrica do Sul (58%), México (55%) e Tunísia (39%). A maior informalidade entre os países pesquisados é registrada na Índia, onde 86% das mulheres estão no setor informal.
Quanto à carga horária, nos países em desenvolvimento as mulheres trabalham, em média uma hora e nove minutos a mais que os homens todo dia. O envolvimento das mulheres na política também ainda é menor que o dos homens. No Brasil, a representatividade de mulheres no legislativo, por exemplo, é de apenas 9%.
Nas últimas eleições, das 513 vagas da Câmara dos Deputados, apenas 46 foram conquistadas por mulheres. Das 27 vagas para o Senado, somente quatro foram preenchidas por mulheres (14,8%). Além disso, das 27 unidades da Federação, apenas Pará, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul elegeram governadoras.
“Quando as mulheres participam das decisões políticas, têm poder e espaço social para contribuir no desenvolvimento de políticas públicas, isso tem resultados muito bons para a sociedade. A realização dos direitos da mulher é boa para a sociedade em geral e para as crianças, em particular”, avalia a representante do Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier.
Para aumentar a atuação da mulher na política brasileira, o Unicef recomenda que o país garanta mais espaços de participação dos adolescentes na vida social, familiar, comunitária e política.
No mundo, a maior participação feminina ocorre nos parlamentos dos países nórdicos: 40%. Nas Américas, o índice de representatividade cresceu de 13%, em 1997, para 21% em 2006. A menor atuação política das mulheres é registrada nos estados árabes – apenas 8%. Em 1997, só 3% das mulheres árabes participavam dos parlamentos nacionais.
Na avaliação do Unicef, a participação maior das mulheres, seja no legislativo nacional ou local, ajuda no avanço das legislações com foco nas próprias mulheres, na infância e na família.
Agência Brasil – Mylena Fiori
