O diretor-geral da ANEC – Associação Nacional dos Exportadores de Cereais e da ANEA – Associação Nacional dos Exportadores de Algodão, Sérgio Castanho Teixeira Mendes, em palestra na Câmara, durante confraternização dos associados, destacou o câmbio como principal entrave do momento para as exportações do agronegócio brasileiro. O evento, que teve tradução simultânea, aconteceu no dia 9 de fevereiro, em São Paulo.
O saldo da balança comercial brasileira do agronegócio vem batendo sucessivos recordes e nos últimos dez anos as exportações do complexo soja, pelo menos, septuplicaram. Apesar disso, Sérgio Mendes ressalta sobre a necessidade de se desvalorizar o câmbio para que a soja e todos os demais produtos brasileiros se tornem mais competitivos no exterior. “O preço da soja, dizem, está ruim. Mas não é isso. Ruim está o câmbio”, disse, citando a commodity que vem enfrentando a alta nos custos de transportes convertidos em dólar. “A evolução do custo do frete por causa do dólar fraco que transforma para reais vai pagar e descontar mais dólares do preço que o Brasil vai receber das exportações. Eu acho muito difícil essa cotação do dólar continuar persistindo. Todos os produtos agrícolas correm riscos. É a agricultura quem fez o ganho brasileiro. Com essa diferença de 20% a 22% não pode perdurar. É o dólar que está fazendo a diferença”, disse a uma platéia de cerca de 120 empresários e executivos.
Segundo o diretor da ANEC e ANEA, no caso da soja, os importadores preferem importar do Brasil o grão para criar emprego em seus países. “É o que o mundo quer, para elaborar produtos industriais”.
Mendes também destacou a importância dos corredores rodo-ferroviário ligando as regiões produtoras do Centro-Oeste com o porto de Vitória (ES), o que encurta milhares de quilômetros a distância dos principais mercados produtores do Brasil com o Japão. Ao invés de descer até aos portos das regiões Sudeste e Sul.
Menor distância significa menos dinheiro gasto com frete, conseqüentemente os produtos nacionais chegariam mais baratos ao Japão, argumentou. Durante a palestra foi apresentado também projeções em gráficos sobre o desempenho do agronegócio brasileiro – evolução das exportações, dos preços da soja, comparativo de frete por país, progressiva perda de competitividade do produtor brasileiro, produção no cerrado, principais portos de embarque ao Japão, destino das exportações em 2006, intercâmbio comercial, entre outros.
O comércio do Brasil com o Japão também cresce. “Formidável e amadurecido”, afirma Mendes, pois, “saímos de um valor relativamente médio em 2001 e vem crescendo muito”. O intercâmbio bilateral no ano passado foi de US$ 7,723 bilhões e tudo indica que neste ano será maior. As exportações brasileiras para o Japão em 2006 cresceram 12,6% ante o ano anterior, perfazendo um total de US$ 3,884 bilhões e as importações 13,7%, equivalendo a US$ 3,839 bilhões. O Japão é a segunda economia do planeta, com um PIB de US$ 5 trilhões, apenas atrás dos Estados Unidos, a maior economia do mundo.
Ao encerrar a sua explanação, Sérgio Mendes disse que se sentiu honrado pelo convite da Câmara e que tem muita admiração pelo povo japonês. Citou duas frases de Jean de la Bruyere, escritor e moralista francês do século XVI, que segundo o diretor da ANEC e ANEA, “não se aplicam absolutamente aos japoneses”. São elas: “A maior parte dos homens é capaz de um grande esforço do que de uma longa perseverança” e “A corte não torna ninguém feliz, mas ela impede que alguém o seja feliz fora dela“. Logo em seguida, recebeu calorosos aplausos do público presente, muitos deles, fizeram questão de cumprimentá-lo.
Perfil – Sérgio Mendes é diretor-geral da ANEC e da ANEA, representando estas duas entidades junto ao governo federal. ANEC e ANEA estão representadas através dele, nas diversas Câmaras Temáticas do Ministério da Agricultura e na CAMEX – Câmara de Comércio Exterior, entidade governamental do Ministério do Desenvolvimento, constituída pelo seguinte colegiado de ministros: do Desenvolvimento, da Agricultura, da Fazenda, da Casa Civil, das Relações Exteriores, e dos Transportes. Graduado e pós-graduado pela Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas, Sérgio Mendes já exerceu a função de presidente da ABRASSUCOS (Associação Brasileira das Indústrias de Sucos Cítricos) e vice-presidente da ABECITRUS (Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos).
O agronegócio na balança comercial
Anunciado pelo ministro da Agricultura Luiz Carlos Guedes Pinto, no último dia 5 de janeiro, o agronegócio respondeu por 73% do superávit (saldo positivo) comercial alcançado pelo país no ano passado, que chegou a US$ 46 bilhões. Sozinho, o agronegócio registrou saldo de US$ 42,726 bilhões, com incremento de 13,04% sobre o superávit do setor em 2005.
Em 2006, as exportações do setor atingiram o recorde histórico de US$ 49,42 bilhões, com aumento de 13,4% em relação a 2005. Na ocasião, o ministro disse que as perspectivas para este ano são ainda melhores, uma vez que os preços mundiais da soja e do milho estão se recuperando, e as condições climáticas no Brasil são favoráveis.
Nos últimos 12 meses até janeiro, as exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 50,26 bilhões. Foi a primeira vez que o país alcançou a marca de US$ 50 bilhões. E isto aconteceu em razão das exportações em janeiro que somaram US$ 3,77 bilhões, crescimento de 29% sobre o igual período de 2006.
ANEC e ANEA
Fundada em 1965, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), com o propósito de promover o desenvolvimento das atividades relacionadas aos cereais como soja, milho, arroz, feijão e outros grãos, vem defendendo os interesses de seus associados perante as autoridades públicas e privadas. A entidade foi criada com foro na cidade de São Paulo e cobertura em todo o território nacional.
A Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (ANEA), fundada no ano 2000, tem como objetivo promover e ordenar as exportações Brasileiras de algodão, agindo perante os participantes do mercado e as autoridades pertinentes.

Sérgio Castanho Teixeira Mendes (foto: Rubens Ito / CCIJB).
Rubens Ito / CCIJB / 9/02/2007





