Potencial do agronegócio brasileiro surpreende e encanta japoneses (09/03/2007)

Estão no agronegócio brasileiro os motivos que podem acelerar a aproximação econômica entre dois gigantes do planeta: Brasil e Japão. O Brasil como líder em território do continente, extensas terras férteis, sustentando grande produção de grãos e carne, produtos que os japoneses muito consomem e população em franco desenvolvimento e o Japão na vanguarda da tecnologia e segunda economia do mundo. Os dois países fizeram das potencialidades do agronegócio brasileiro o principal atrativo da confraternização mensal dos associados, evento promovido pela Câmara, que aconteceu hoje (9/03), em São Paulo.

O palestrante do dia, o ex-ministro Marcus Vinícius Pratini de Moraes, apresentou aos mais de 130 participantes (cerca de 90 empresários e executivos dos maiores grupos japoneses no país e investidores brasileiros) um Brasil estratégico, bem estruturado, belo por natureza e ansioso por desenvolvimento para cumprir seu destino de ser um dos principais países liderando o mundo globalizado.

O Brasil tornou-se um ator global no agronegócio. O país negocia diretamente com americanos, europeus e asiáticos na Rodada Doha de liberalização comercial. A pujança das exportações de produtos do campo e de mineração, que vêm batendo sucessivos recordes, transformou o Brasil num grande fornecedor em escala global. Como o país ampliou e diversificou seus clientes pelo mundo, ficou menos dependente de um ou de outro mercado. O Brasil passa por um excelente momento, de tranqüilidade econômica, financeira e política. O acerto na política econômica gerando baixa inflação; melhora considerável nas contas externas; consumo, concessão de empréstimos e financiamentos e reservas internacionais aumentando; juros e risco-país caindo; dívida externa do governo e das empresas despencando; o PIB (Produto Interno Bruto – soma de todas as riquezas produzidas no país) ultrapassando a casa de 1 trilhão de dólares; com muitas ilhas de excelência em matéria de indústria e de serviços; bons números na área social e democracia cada vez mais forte e mais aprofundada.

Durante sua exposição, o ex-ministro que preside a ABIEC – Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, exibiu números através de projeção institucional em “power point”, que adiantou à plateia dados econômicos do agronegócio brasileiro, principalmente da carne, o que reforçou a mensagem de um Brasil moderno, que consegue aliar desenvolvimento econômico com equilíbrio ambiental, como Pratini de Moraes reiterou por diversas vezes durante a palestra e em entrevista à imprensa.

Pratini de Moraes foi escolhido para falar aos japoneses, conforme explicou o presidente da Câmara, Makoto Tanaka, porque o Brasil reúne o que há de mais importante para um país como “o Japão que importa mais da metade dos alimentos consumidos pela sua população e com a previsão neste século da escassez mundial de alimentos e por ser o ministro uma das maiores autoridades sobre o assunto”.

O Brasil tem o maior rebanho bovino comercial do mundo, com cerca de 204 milhões de cabeças, superando, inclusive, o número de habitantes no país, estimado em 186 milhões. Em 2006 superou a Austrália e foi o maior exportador mundial de carne bovina tanto em volume como em valores.

Segundo Pratini de Moraes, o país hoje exporta carne bovina para 180 países, inclusive todos os países europeus, no entanto, observou que o Japão ainda não importa o produto brasileiro. “Não vendemos carne bovina ao Japão porque o país não aceita a regionalização no combate à erradicação da febre aftosa. Isto se chama protecionismo sanitário”, disse. Segundo o presidente da ABIEC, a carne bovina brasileira é saborosa e muito procurada porque quase a totalidade de nossos rebanhos é criada em pastos. “O Brasil tem o chamado boi verde (herbívoro), que se alimenta da forma mais natural possível, o capim, ao contrário de outros países que cria o boi em confinamentos, à base de milho e outras rações, o que propicia doenças como a vaca louca”, explicou Pratini de Moraes.

No fim de sua explanação, traduzida simultaneamente do português para o japonês, Pratini de Moraes foi aplaudido com entusiasmo e muitos empresários e executivos japoneses fizeram questão de cumprimentá-lo. O ministro disse que se sentiu honrado pelo convite, lembrou que já teve a oportunidade de visitar o Japão por várias vezes, e na década de 70 ter se encontrado com ministros japoneses para a expansão da Usiminas, cooperação tecnológica com a CSN – Companhia Siderúrgica Nacional e com a CST – Companhia Siderúrgica de Tubarão, e pediu aos empresários japoneses presentes ao evento que invistam no Brasil e conheçam de perto o que o país tem a oferecer.

“Nós temos que fazer negócios e há um grande potencial de negócios com o Japão. Nós precisamos restaurar o crescimento do comércio Brasil-Japão. Brasil e Japão sabem há muito tempo que o Brasil é a última fronteira agrícola do mundo. Hoje aproveitamos 46 milhões de hectares, o equivalente a apenas 5,5% de nossa área disponível para se plantar que é da ordem de 850 milhões de hectares. Temos 90 milhões de hectares livres para plantar com terra, água, tecnologia e capacidade empresarial. O mundo precisa do Brasil para comer, porque não há no mundo terra, água, tecnologia para a capacidade para produzir”.

Os japoneses demonstram maior interesse pela bionergia (produção de álcool e biodiesel) e industrialização de alimentos. Os japoneses têm interesse no álcool etanol, já que a partir de 2010 o Japão vai adicionar 5% de álcool à gasolina, substituindo o aditivo ETBE (etil tércio butil éter) – um oxigenador de origem fóssil feito de etanol e petróleo, utilizado para aumentar o poder de octanagem da gasolina, que apresentou elevados riscos de contaminação ambiental, podendo causar danos à saúde humana -, investimentos em ferrovia e outros modais de transporte, como a hidrovia, produtos mínero-siderúrgicos, além de reflorestamento para indústria de celulose, papel e produtos florestais. O mercado de bioenergia em que o Brasil também se destaca no cenário mundial vem atraindo grupos estrangeiros, inclusive japoneses.

A confraternização dos associados começou às 12h15 e se estendeu até às 14h. Antes, aconteceu a 57ª Assembleia Geral Ordinária e a Reunião Ordinária do Conselho Diretor da entidade.

Perfil – Marcus Vinícius Pratini de Moraes foi ministro da Indústria e do Comércio (1970-1974); deputado federal, representando do Estado do Rio Grande do Sul (1991-1993); ministro das Minas e Energia (1992); ministro da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (1999-2002). Economista graduado pela Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Rio Grande do Sul (1963), pós-graduado em Administração Pública e Administração de Empresas (Berlim – Deutsche Stiftung fur Entwicklungsländer – 1965) e (Pittsburgh – University of Pittsburgh & Carnegie Tech (Carnegie Institute of Technology – 1966). Entre outras atividades destacam-se: fundador e comentarista da página “Economia e Finanças” do jornal “Correio do Povo” de Porto Alegre (RS) – 1962-1964; presidente do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, Seção Brasileira – 1976-1980; fundador e presidente da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior – FUNCEX – 1976-1985; presidente do Conselho Consultivo do Center of Brazilian Studies – School of Advanced International Studies – The John Hopkins University, Washington – 1977-1981; presidente do Conselho de Administração e Presidente Executivo da Cia. Industrial de Polipropileno – PPH – 1978-1993; membro do Conselho da IFC – International Finance Corporation – 1987-1997; presidente da Associação do Comércio Exterior do Brasil – AEB – 1988-1999; membro do Conselho do Center for Advanced Studies in Management – The Wharton School University of Pennsylvania – 1990; membro do Conselho Consultivo da Bolsa de Mercadorias e Futuros – BM&F – Maio 2003; presidente do Conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes Industrializadas – ABIEC – Agosto 2003; membro do Conselho Empresarial Brasil China – Maio 2004; presidente do Conselho Empresarial Brasil – Rússia – Junho 2004; membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial – Fevereiro 2005; membro titular do Comitê da Cadeia Produtiva da Agro-Indústria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP; membro titular do Conselho Superior de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP; membro titular do Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP – 2006. Foi recém-empossado presidente do Conex (Conselho Extraordinário de Relações Nacionais e Internacionais para o Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso do Sul).

Ministro Pratini de Moraes, presidente da ABIEC

 

Rubens Ito – CCIJB – 09/03/2007