São Paulo, 10/04/2007 – O Índice do Custo de Vida (ICV) no município de São Paulo passou de 0,21%, em fevereiro, para 0,25%, em março, segundo o calculo efetuado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Apesar desse aumento de um mês para o outro, a taxa é, praticamente, metade do percentual constatado em igual período de 2006, quando houve uma variação positiva de 0,52%, conforme observou a coordenadora de pesquisa de preços do Dieese, Cornélia Nogueira Porto.
Em sua análise, o ICV de março foi pressionado por conta de reajustes sazonais, no período, de itens alimentícios semi-elaborados e in natura, que subiram em média 1,89%, além dos gastos em saúde com alta de 0,15%. Entre os produtos que mais pesaram no bolso do consumidor ,destacam-se a cebola, com aumento de preço em torno de 25,91%, a beterraba (17,69%), a batata (13,14%), a cenoura (10,06%) e o tomate (15,99%). Também estavam mais caros os ovos com correções de 7,57%, e o frango , 3,77%.
Alguns desses aumentos foram compensados pela queda de alguns legumes, como o chuchu (-24,60%), a berinjela (-20,26%), a abobrinha (-17,14%) e o pepino (-7,58%), bem como os dois alimentos brasileiros mais básicos: o arroz (-2,67%) e o feijão (-1,36%).
Na área da saúde, os preços foram puxados pela alta nos serviços médicos, que ficam em média 0,17% mais caros. De acordo com Cornélia Porto, o reajuste dos preços dos medicamentos previstos para este mês de abril deve provocar uma alta no índice, mas sem comprometer a estabilidade na variação anual. Nos últimos 12 meses, o ICV acumula uma alta de 2,62% e, no primeiro trimestre , 1, 42%.
Cornélia Porto informa ainda que uma pesquisa realizada pelo Dieese sobre as correções dos medicamentos nos últimos 4 anos e três meses constatou uma alta acima da variação inflacionária para o período. Enquanto os remédios subiram em 33,41%, o ICV do Dieese teve elevação de 28,3%. Na avaliação da coordenadora do Dieese, não há razão para tais níveis. “A justificativa sempre apresentada pelo setor, a de custos de insumos de importação cotados em dólar não mais tem sentido”, diz ela. Ela lembra, ainda, que, no mesmo período, a moeda norte-americana registrou queda de 31,35%. Num total de 14 itens pesquisados, os analgésicos lideram em aumentos, tendo subido em 58,82%, seguidos pelas vitaminas, com alta de 36,74%.
A pesquisa do Dieese mostra ainda que, quando é feita a separação por faixas de renda, o impacto inflacionário é maior entre as famílias mais pobres, com ganhos na média de R$ 377,49 por mês. Para essas, o índice subiu 0,37%. Já entre as famílias com renda média de R$ 934,17, a taxa ficou em 0,27% e na faixa de R$ 2.792,90, o ICV atingiu 0,21%.
Agência Brasil – Marli Moreira
