O coordenador-geral do Grupo de Investidores Estrangeiros – GIE, Joel Korn, lembrou a trajetória e os novos desafios do GIE para promover os investimentos estrangeiros no Brasil, em palestra a empresários e executivos japoneses, durante confraternização dos associados, realizada em São Paulo, no dia 15 de junho. Criado em 1990, no início do governo Collor, o GIE é um fórum das Câmaras de Comércio bilaterais – inclusive a Câmara Japonesa como membro -, e das empresas multinacionais, vinculadas a doze países com maior estoque de investimentos diretos no Brasil. Participaram do evento o presidente da Câmara, Makoto Tanaka, o cônsul-geral do Japão em São Paulo, Masuo Nishibayashi, diretores, conselheiros da entidade, e mais de 120 membros-associados. Antes da palestra, aconteceram a reunião extraordinária do Conselho Diretor e a reunião ordinária da Diretoria Executiva da Câmara.
Para Joel Korn, a história do GIE começou com a luta das empresas estrangeiras no Brasil no sentido de acabar com a diferenciação entre capital nacional e estrangeiro. “Daí então surgiu o GIE, uma organização voluntária. Conseguimos na Constituição alterar esse conceito. Somos todos iguais, ainda que hoje informalmente estejam diferenciadas entre capital estrangeiro e nacional, por exemplo, nos financiamentos às empresas concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)”. De acordo com Korn, o então presidente Fernando Collor transmitiu um forte e importante anseio, a inserção internacional do Brasil, a abertura econômica, no sentido de promover maior competitividade do país naquele momento. “Tivemos um período de demanda muito maior com o aumento de regulamento estatal e mudanças muito freqüentes na legislação”.
Foram destacados pelo coordenador além do fim da distinção entre capital estrangeiro e nacional, entre outros, a contribuição do GIE para a informatização de todos os registros de capital estrangeiro no país, que hoje é todo informatizado e o GIE aportou recursos para o BC concluir esse projeto; o Investe Brasil no governo FHC, quando o GIE foi chamado para dar seu apoio com outras entidades, mas que o governo Lula decidiu acabar com a referida agência; a participação de autoridades do governo federal em reuniões de trabalho produtivas e reservadas, para externar a opinião dos investidores estrangeiros, sem a preocupação de serem citados na imprensa; recentemente, encontro no Rio de Janeiro com o governador Sérgio Cabral e nove secretários para a discussão de oportunidades de investimento naquele Estado, e, em breve, realização de um encontro no mesmo formato com o governador de São Paulo, José Serra.
Joel Korn também destacou que o GIE é um grupo não muito numeroso, mas que permite a troca de experiências. E que o GIE não serve como instrumento de lobby (pressão), e sim leva propostas e sugestões junto ao governo. “O GIE oferece consultoria gratuita com propostas para como o Brasil se tornar mais competitivo e moderno”, citou o coordenador.
Reformas estruturais
Atualmente, segundo Joel Korn, o grande desafio do GIE é coordenar em conjunto com outras entidades para lutar pelas reformas estruturais no país. As reformas socioeconômicas associadas a empreendimentos como educação e inovação serão o indutor para o desempenho “forte e sustentado” da economia brasileira, através de ganhos de produtividade, e assim, alavancar os setores produtivos em termos de competitividade. “Hoje o cenário é diferente. Estamos num momento extremamente propício para os investimentos, com inflação controlada, política fiscal bem disciplinada, déficit público cadente, taxa de juros declinante, política de rendas ativa e conjuntura internacional favorável. Mas existem grandes desafios e oportunidades para que o país se desenvolva. Precisa de reformas. O custo Brasil muito alto, burocracia excessiva, custo da contratação de mão-de-obra muito elevado, reforma tributária, fiscal e previdenciária mais que necessária e a valorização do real. Tudo isso precisamos enfrentar. O GIE coordenando conjuntamente com outras entidades vai levar ao governo federal essas reivindicações”. E lembrou que as principais agências de classificação de risco do mundo indicam que o Brasil está próximo à categoria das economias do tipo grau de investimento (“investment grade”). Países enquadrados nessa categoria pelas agências de risco são considerados como mais seguros para investir, porque têm menor risco de calote em seus compromissos financeiros.
Preços de Transferência
Sobre o andamento do ofício encaminhado pelo GIE, no início do ano – e estimulado pela Câmara -, ao ministro da Fazenda Guido Mantega, pleiteando alterações em pontos específicos, na atual legislação relativa a Preços de Transferência, Joel Korn comentou que existem resistências no governo para eventuais mudanças. O coordenador acredita que com a adesão do Brasil como membro da OCDE ficará mais fácil de a legislação de Preços de Transferência brasileira ficar alinhada a daquela organização. “Vai ter que ser negociada com os demais membros, questão de tempo e vai amadurecer”.
A OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico) não realizou o convite formal de adesão ao Brasil durante a última reunião anual de seu conselho ministerial, realizada em maio deste ano em Paris. A organização, porém, anunciou o convite para que o Brasil e mais quatro países – China, Índia, Indonésia e África do Sul – “reforcem” suas relações com a entidade para uma possível adesão. O Brasil, que já vem cooperando com a instituição desde a década passada e integra diversos de seus comitês, passará a operar de modo ainda mais próximo com aquela casa. Segundo fontes da OCDE, estariam na frente para aderir à organização Rússia, Chile, Israel, Estonia e Eslovênia. A longo prazo viriam Brasil, China, África do Sul e Índia.
Uma organização internacional e intergovernamental que congrega os países mais industrializados da economia de mercado do mundo, com sede em Paris, na França, a OCDE, através dos representantes dos países membros se reúnem para trocar informações e definir políticas com o objetivo de maximizar o crescimento econômico e o desenvolvimento dos países que participam da instituição.
Os países membros atuais da OCDE são Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Coréia do Sul, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Islândia, Itália, Japão, Luxemburgo, México, Noruega, Nova Zelândia, Polônia, Portugal, República Tcheca, Reino Unido, Suécia, Suíça e Turquia.
Perfil – Nascido em São Paulo, economista, formado pela Universidade Mackenzie (São Paulo) e graduado na Harvard Business School, Boston (1983), o coordenador-geral do GIE, Joel Korn, atualmente é presidente e sócio controlador da empresa de consultoria e investimentos WKI Brasil, que atua na formulação de estratégias para empresas, multinacionais e latino-americanas, com foco no reposicionamento e expansão de atividades, assim como na execução de projetos no âmbito de fusões, aquisições e formação de “joint ventures”. Preside o Conselho Consultivo da Conservation International no Brasil e membro do Conselho Diretor em Washington, D.C.; membro do Conselho de Responsabilidade Social da Ford Motor Co. – Brasil; membro da World Presidents’ Organization (WPO); membro do Grupo de Trabalho – único representante brasileiro – constituído pelo presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, com o objetivo de redefinir a estratégia de sua subsidiária, Inter American Investment Corporation. Foi presidente do Bank of America no Brasil (1983/1997) e presidente da Câmara de Comércio Americana para o Brasil – Rio de Janeiro (1997/1998 e 2003/2004), onde exerceu previamente e também acumulou durante esse período diversas outras funções de direção na Organização para a América Latina, dentre as quais: representante-sênior na Venezuela, diretor-geral da unidade “offshore” em Curaçao, presidente na Argentina, C.E.O. para os países do Mercosul e principal executivo da Divisão de International Private Banking para a América Latina e Caribe. No âmbito do Mercosul, foi responsável pela gestão de ativos da ordem de aproximadamente US$ 4 bilhões nos segmentos “corporate” e “varejo” (65 agências) e de um quadro de profissionais de cerca de 1.500 funcionários. Ocupou diversos cargos no conselho e na diretoria de várias entidades e empresas. Recebeu título de Benemérito e Cidadão Honorário do Estado do Rio de Janeiro, outorgados pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, em 1996 e 2003 respectivamente; medalha Tiradentes – Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, em 2003; foi cônsul-geral honorário da Turquia; eleito Líder Empresarial do Estado Rio de Janeiro, em 2005 e membro do Fórum de Líderes Empresariais.

Joel Korn (fotos: Rubens Ito / CCIJB).

Joel Korn (d) com a placa de homenagem da Câmara recebida das mãos do presidente Makoto Tanaka (e).

Fujiyoshi Hirata (secretário-geral da Câmara), Makoto Tanaka (presidente da Câmara), Joel Korn (coordenador-geral do GIE) e Hiroyuki Maekawa (presidente mundial da Kawasaki Kisen Kaisha, Ltd.).

Akira Kudo (presidende de honra da Câmara), Fujiyoshi Hirata e Kenji Kawano (Kenbridge Consultant).
Rubens Ito – CCIJB – 15/06/2007





