Desempenho da balança comercial continuará “robusto” mesmo com dólar em baixa, avalia Copom

 

Brasília, 26/07/2007 – A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) traz previsões otimistas para o desempenho da balança comercial este ano. O documento afirma que, mesmo com o fortalecimento do real frente ao dólar, a balança apresenta "desempenho robusto", com as exportações se mostrando mais intensas do que era previsto anteriormente tanto pelo governo quanto pelos analistas de mercado.

"As expectativas mais pessimistas serão novamente frustradas em 2007, de modo que a balança comercial permanecerá apresentando um desempenho bastante positivo", diz o documento. O texto registra que o superávit comercial (resultado entre compras e vendas no exterior)  totalizou, até junho, US$ 20,6 bilhões, valor 6,2% superior ao verificado no mesmo período do ano anterior.

No primeiro semestre, o Brasil exportou US$ 73,2 bilhões e importou US$ 52,6 bilhões. "Na margem, as importações crescem em ritmo mais acelerado do que as exportações, em função tanto do maior nível de atividade como do fortalecimento do real, o que sinaliza um processo saudável de ajustamento da balança comercial".

Para o Copom, o crescimento das importações tem sido um forte aliado da política de redução de juros, porque a competição entre os produtos feitos no Brasil e os importados ajuda a manter os preços baixos e, consequentemente, a inflação sob controle.
No que diz respeito ao cenário externo, o Copom considera que "o início de um ciclo de flexibilização monetária nos Estados Unidos da América (EUA) teria sido adiado para o ano que vem, e que, conseqüentemente, a taxa básica de juros naquela economia permaneceria estável por vários meses".

A possiblidade elevação da taxa de juros americana é acompanhada pela autoridade monetária (Banco Central) por causa do risco de investimentos feitos aqui no Brasil, atraídos pelas nossas taxas – ainda elevadas – serem transferidos para lá, o que poderia frear a trajetória de redução da Selic. A ata mostra que a posição do Copom é de que não se pode descartar por completo o risco de novas elevações de taxas de juros nos Estados Unidos.

"Da mesma forma, não se pode descartar a possibilidade de desaceleração mais forte do que o esperado da economia dos EUA, particularmente se os efeitos das dificuldades no setor imobiliário sobre instituições financeiras e o consumo das famílias se mostrarem mais intensos e generalizados", alerta o texto.

A ata mostra o reconhecimento do colegiado do maior nível de atividade econômica na Europa e a expansão em grandes economias asiáticas, que tem sustentado o crescimento mundial em nível mais elevado do que o esperado.

"A manutenção de taxas de crescimento em níveis historicamente elevados em diversas regiões tem levado ao aumento das pressões inflacionárias, notadamente, mas não exclusivamente, no caso de matérias-primas e alimentos, ensejando respostas de política monetária por parte de um número importante de bancos centrais", diz o texto. 

Para o BC, esse contexto externo continua favorável e contribui para que a economia continue em um ciclo de crescimento com estabilidade de preços.

 

 

 

 

 

 

Agência Brasil – Edla Lula