Turbulência internacional não afetou projeções de especialistas sobre economia interna

 

Brasília, 20/08/2007 – A turbulência no mercado imobiliário norte-americano, que refletiu nas bolsas de valores do mundo inteiro durante duas semanas, não afetou muito o otimismo dos analistas de mercado e de instituições financeiras quanto ao desempenho da economia brasileira neste ano.

De acordo com o Boletim Focus, divulgado hoje (20) pelo BC, com os resultados da consulta realizada na última sexta-feira, com os reflexos da queda nas bolsas, os especialistas consultados só demonstraram expectativa de aumento na estimativa do câmbio no final do ano, com cotação do dólar em R$ 1,90, e não mais R$ 1,85, como previa a pesquisa da semana anterior.

Os cerca de cem especialistas de mercado ouvidos na pesquisa do BC mantiveram, contudo, a projeção de crescimento da economia interna, que já se vislumbra há quatro semanas, com aumentos pequenos, mas gradativos.

Segundo o Boletim Focus, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas no país em 2007, passou de 4,60%, na semana anterior, para 4,62%, e se aproxima dos 4,70% estimados pela equipe econômica do governo. O aumento projetado foi induzido pelo crescimento da produção industrial, que passa de 4,76% para 4,81% nas contas dos analistas. A estimativa de crescimento do PIB em 2008 evoluiu de 4,30% para 4,35%.

A pesquisa do BC manteve a projeção de US$ 43 bilhões para o saldo da balança comercial (exportações menos importações) neste ano, com queda para US$ 37,05 bilhões no ano que vem. Os resultados são suficientes, de acordo com o Boletim Focus, para garantir US$ 11,50 bilhões, este ano, no saldo de conta corrente, que envolve todas as transações comerciais e financeiras com o exterior. Em 2008 o saldo deve cair para US$ 5 bilhões.

Os analistas também consideram que a equivalência entre dívida líquida do setor público e PIB deve melhorar mais um pouco. A projeção anterior, de que a relação dívida/PIB terminaria 2007 em 43,58% diminuiu para 43,50%, e foi mantida em 42% para o final de 2008. Isso significa dizer que quase metade de tudo que o país produz está comprometido com a dívida e, quanto menor for essa relação, maior a saúde financeira.

A pesquisa do BC manteve, também, a previsão de US$ 27 bilhões para a entrada de investimento estrangeiro direto (IED) no setor produtivo, este ano; e melhorou de US$ 22 bilhões para US$ 22,50 bilhões a projeção de IED para 2008. Isso, em um cenário no qual a taxa básica de juros (Selic), hoje de 11,50%, encerre 2007 em 10,75% e chegue ao final de 2008  estimada em 9,75%.

 

 

 

 

 

Agência Brasil – Stênio Ribeiro