O Mercosul fechou com a Índia um acordo de preferências tarifárias que tramita no Congresso e que, conforme Didonet, estará na Comissão de Economia da Câmara dos Deputados em duas semanas. “Além desse acordo [Índia], o Itamaraty já desenha um plano de ação com Cingapura… Estamos em contato com entidades empresariais como a Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo], CNI [Confederação Nacional das Indústrias] e CNA [Confederação Nacional da Agricultura], para elaboração de estudos em benefício da indústria e da agricultura”, disse, durante encontro do Foro de Cooperação América Latina – Ásia do Leste (Focalal), realizado hoje (20/08) na Fiesp.
O diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Carlos Cavalcanti, mostrou-se otimista com o sucesso na Rodada Doha, e explicou que as negociações multilaterais são um “trampolim” para fomentar o fluxo de comércio entre a América Latina e Ásia. A pauta de exportação dos países latinos aos asiáticos é basicamente produtos agrícolas, enquanto que os países da Ásia vendem à América Latina produtos manufaturados. “Temos que tornar esse fluxo [de comércio] mais equânime”, afirmou.
Na avaliação do embaixador brasileiro em Cingapura, Paulo Alberto, as negociações entre os latinos e asiáticos não estão seguindo uma lógica voltada ao desenvolvimento econômico. Segundo ele, os números de comércio refletem esse cenário. Em 2006, os dez países da Asean exportaram para o mundo US$ 760 bilhões e importaram US$ 540 bilhões – um mercado de US$ 1,3 trilhão. “Nesse imenso mercado, o Brasil participa com apenas US$ 7 bilhões. Não é nada”, afirmou o embaixador. “Falta informação dos empresários sobre o que está acontecendo nos países da Ásia, com destaque para Cingapura.”
De fato, Cingapura desponta com um importante pólo exportador. No ano passado, seu intercambio comercial foi de US$ 500 bilhões, quase cinco vezes mais que o do Brasil. Algumas empresas brasileiras identificaram a oportunidade e já desembarcaram no país asiático, como a Embraer, Perdigão, Sadia e Companhia Vale do Rio Doce. A Embraer mantém em Cingapura um centro de treinamento para 40 pilotos. “Um grande mercado [Cingapura], que o Brasil não aproveita como deveria”, concluiu o embaixador.
Pela Câmara, participaram do encontro e, depois, do almoço o presidente Makoto Tanaka e o secretário-geral, Fujiyoshi Hirata, quando puderam trocar amplas impressões de interesse comum, com autoridades governamentais e empresariais brasileiras, da Cingapura, da Tailândia, das Filipinas, entre outros.
Fonte: Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp
Foto: Kênia Hernandes

Didonet e Cavalcanti.
CCIJB – 20/08/2007





