Rio de Janeiro, 29/08/2007 – As famílias com rendimentos mais elevados investem mais em saúde preventiva, enquanto as famílias com rendas mais baixas destinam seus recursos em maior volume à saúde curativa. Enquanto aquelas cujo rendimento mensal ultrapassa R$ 6 mil gastam 23,7% do total de suas despesas de saúde em remédios, as que ganham até R$ 400 gastam cerca de 76%.
Quando se fala em plano de saúde, no entanto, o cenário se inverte. Esse tipo de gasto representa 37,2% do total de despesas de saúde das famílias mais ricas e apenas 7% das mais pobres. Para os técnicos do IBGE, essa realidade indica fragilidade da condição de saúde dos mais pobres.
“Como as famílias com renda inferior em geral não têm plano de saúde, esses números também indicam uma necessidade de serviços públicos capazes de atender a esse contingente populacional”, afirmou Libete Ferreira, técnica do Instituto.
É o que acontece com a empregada doméstica Bernadete Cândida, que sustenta sozinha quatro filhos. Nenhum deles tem plano de saúde.
"Ninguém lá em casa tem [plano de saúde] porque eu não tenho dinheiro para pagar. Quando alguém fica doente, compro remédio ou levo no hospital público", afirmou.
O levantamento indica que, de um modo geral, as famílias dedicam pequena parcela de seus rendimentos à assistência à saúde, índice que varia entre 4% e 6%. De acordo com o IBGE, isso representa que esta área não está entre as prioridades ou reais necessidades de consumo das famílias brasileiras.
As desigualdades entre as classes também ficam mais evidenciadas quando se observa que entre os 10% mais ricos da população destinam-se cerca de R$ 432 a serviços de saúde enquanto os que vivem em famílias situadas entre os 40% mais pobres do país gastam sete vezes menos, aproximadamente R$ 63,49.
Na divisão por regiões, o estudo revela que no Nordeste, o total de despesas com assistência à saúde é inferior a R$ 100, enquanto no Sul elas chegam a R$ 129,13 e no Sudeste, R$ 180,87.
Agência Brasil – Thaís Leitão
