No dia 27 de agosto às 11 horas foi realizada a cerimônia inaugural da missão em São Paulo, com a presença de autoridades do governo japonês e brasileiro no assunto. Participaram pela Câmara, o presidente Makoto Tanaka e secretário-geral, Fujiyoshi Hirata.
Durante a cerimônia, o vice-presidente-executivo da Jetro, Shunichi Yamamoto iniciou os discursos apresentando os objetivos da missão bem como os locais que o grupo visita no país, seguido pelo ex-ministro Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior que reforçou a importância desta missão e o potencial do etanol. Ainda, o ex-ministro da agricultura Roberto Rodrigues expôs que o etanol terá um papel histórico na área de energia, sem a necessidade de extrair nenhuma árvore da Amazônia, e os atuais 3,5 milhões de hectares da área de plantio da cana poderá expandir-se até 22 milhões de hectares. Por último o cônsul-geral do Japão em São Paulo, Masuo Nishibayashi comentou sobre a atualidade da indústria de etanol no Brasil a partir de sua experiência acompanhando missões do governo japonês como ministros e governadores visitando locais de produção do etanol pelo país.
Ter uma visão mais clara sobre as reais condições do Brasil fornecer o combustível de forma contínua e em grande quantidade seria o principal objetivo da missão japonesa do Brasil. O maior obstáculo que o Brasil precisa superar para aumentar suas vendas de álcool ao Japão seria o risco de desabastecimento. Outro empecilho seria o preço elevado do produto praticado atualmente.
Por enquanto os japoneses não misturam o etanol diretamente à gasolina como se faz no Brasil, embora uma legislação permita a mistura de até 3%. Em vez disso, utilizam um aditivo chamado ETBE (etil tércio butil éter), feito de etanol e petróleo.
Histórico
Na visita ao Japão em maio de 2005, por ocasião da reunião com o então primeiro-ministro Junichiro Koizumi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, expressou seu forte interesse na colaboração entre o Brasil e o Japão na área de bioenergia. Como resultado das discussões, os dois países estabeleceram um “Grupo de Trabalho Ministerial sobre Etanol” (ministro Toshihiro Nikai do METI: Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão e ministro Luiz Fernando Furlan do MDIC: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).
Em abril de 2006, quando o ministro Furlan visitou a Jetro por ocasião de sua ida ao Japão para participar da 1ª. reunião do Grupo de Trabalho, o presidente & CEO Osamu Watanabe da JETRO lhe sugeriu a realização no Japão do “Seminário Sobre o Etanol do Brasil”, que foi aceito pelo ministro Furlan. O ministro Nikai se referiu no Grupo de Trabalho à realização desse seminário.
Em setembro do mesmo ano o “Seminário Sobre o Etanol do Brasil”, organizado pela Jetro, foi realizado. O encontro contou com a participação de 171 pessoas e o resultado de pesquisa de monitoramento dos participantes apontou para 98% de grau de satisfação (satisfeitos: 49%, até certo ponto satisfeitos: 49%), com boa avaliação dos participantes.
Em janeiro de 2007, o presidente & CEO Watanabe da JETRO participou da reunião de Davos, na Suíça, quando teve a oportunidade de manter conversações com o ministro Furlan, o qual expressou sua gratidão pela colaboração da Jetro na realização do seminário. Além disso, o presidente & CEO Watanabe apresentou ao ministro Furlan seu plano de envio de uma missão de estudos relacionada ao etanol por volta do segundo semestre deste ano. Sobre o plano, o ministro Furlan expressou: “é um plano espetacular e em colaboração com a CNI estaremos prestando nossa mais ampla cooperação”.
Circunstâncias envolvendo o etanol. Objetivos da missão ao Brasil
Em virtude dos preços elevados do petróleo, cresce em todo o mundo a demanda por etanol como combustível alternativo. Além disso, estuda-se a possibilidade de introdução do etanol como forma de redução dos gases estufa. O METI, no âmbito da “Nova Estratégia Nacional de Energia (maio de 2006)”, definiu como metas a redução, até 2030, do grau de dependência do petróleo no setor de transportes para cerca de 80% e até 2010 o setor petrolífero decidiu a introdução de 840.000 kl de agente aditivo ETBE (equivalente a 210.000Kl de óleo cru). Embora no âmbito do setor industrial japonês exista a opinião de que se deva promover uma maior introdução do etanol, acompanhando a tendência mundial de realização de mistura direta com a gasolina, há dúvidas a respeito da capacidade do Brasil, do qual o Japão importa, de fornecimento estável do produto havendo, em particular no setor petrolífero, uma forte cautela com relação à mistura direta do etanol à gasolina.
Sob tais circunstâncias, a Jetro adota uma política neutra ao enviar ao Brasil uma missão de estudos, fornecendo a oportunidade para que se tome conhecimento da situação atual no que diz respeito ao fortalecimento do sistema de produção do etanol, infra-estrutura de transportes, contratos de fornecimento de longo prazo etc., que são temas relativos à obtenção de fornecimento estável do etanol.
Somado a isso, para as empresas japonesas que pretendem atuar na produção de etanol e na infra-estrutura de transportes no Brasil, bem como para aquelas que mostram interesse em participar em negócios relacionados, a missão representa uma oportunidade de pesquisa do ambiente de investimentos local. Em parte, ao mesmo tempo em que há receio de uma disputa entre produção de energia e alimentos, várias empresas japonesas avançam na pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias para aumento da produtividade na produção e tecnologias de produção de etanol com utilização de matérias-primas de celulose, como resíduos de madeira, entre outros. Também do ponto de vista dessas novas tecnologias, acredita-se haver necessidade de estudos in loco tendo em vista a participação futura nos negócios.
| Importações japonesas de etanol | ||
| (Unidade: Kl、1000 ienes) | ||
| Ano 2005 | ||
| País de origem | Volume | Valor |
| Brasil |
359.351 |
8.239.908 |
| China |
69.004 |
3.468.057 |
| Tailândia |
40.257 |
1.939.916 |
| Arábia Saudita |
17.692 |
724.425 |
| Outros |
22.856 |
1.189.494 |
| Total |
509.161 |
15.561.800 |
| (Unidade: Kl、1000 ienes) | ||
| Ano 2006 | ||
| País de origem | Volume | Valor |
| Brasil | 277.435 | 16.542.455 |
| China | 122.825 | 7.623.209 |
| Indonésia | 31.174 | 2.065.531 |
| Arábia Saudita | 23.375 | 122,115 |
| Outros | 475.142 | 2.876.430 |
| Total | 502.324 | 30.328.775 |
| (Fonte) Ministério da Fazenda do Japão | ||
| (Obs.) ¥118 / US$1.00 no mês de abril, 2007 | ||
Rubens Ito – CCIJB – 27/08/2007 (com informações da Jetro)





