Estudo do Banco Mundial diz que Brasil deve investir mais em educação

 

Brasília, 10/10/2007  Na era da competição global acirrada, a situação da educação no Brasil indica que, provavelmente, o país ficará atrás de outras nações na corrida por investimentos e oportunidades de expansão da economia. A conclusão é do estudo Brasil: Conhecimento e Inovação para a Competitividade (Brazil: Knowledge and Innovation for Competitiveness), realizado pelo Banco Mundial (Bird).

O levantamento será o ponto de partida para maior conscientização da sociedade e dos empresários sobre a necessidade do investimento na formação dos trabalhadores. Com isso, o Brasil atingirá um estágio mais elevado de inovação na indústria, caminho para o crescimento econômico e diminuição das desigualdades sociais.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, e representantes do Banco Mundial no Brasil assinaram nesta terça-feira, 9 de outubro, em Brasília, memorando de entendimento para a tradução, edição e impressão do estudo em português. Depois, o estudo será distribuído a empresas, sindicatos, federações de indústrias e escolas, entre outros.

De acordo com Renato Caporali, gerente-executivo da Unidade de Cooperação Internacional da CNI, o trabalho do Bird analisa a competitividade brasileira em termos de recursos humanos comparada a dos principais países em desenvolvimento, como Coréia do Sul, China, Índia e Rússia, concorrentes do  Brasil no mercado internacional. "O estudo constata uma radical dificuldade na formação básica das habilidades para o trabalhador lidar com o processo produtivo", avaliou Caporali. "Isso gera, portanto, impacto negativo na aptidão do empregado e das empresas brasileiras de produzir inovação", completou.

O Banco Mundial demonstra que as empresas brasileiras, em especial as do setor industrial, investem na formação de mão-de-obra nos mesmos níveis de seus concorrentes de mesmo porte. "Mas muito do investimento brasileiro é para recuperar o que o trabalhador não aprendeu no ensino fundamental, enquanto que em outros países o investimento é mais na especialização", disse Caporali.

O estudo conclui que "a falha em gerar capacidades básicas nos primeiros estágios educacionais gera conseqüências em termos de competitividade global". Reconhece ilhas de excelência no Brasil, como nos setores de extração e refino de petróleo, de aviação e de pesquisa agropecuária. Mas ressalta que, para uma estratégia de incentivo à inovação em empresas de pequeno e médio portes, "é necessário um constante fornecimento de mão-de-obra qualificada".

A tradução, edição e impressão do estudo em português deve ficar pronta no início de 2008. A intenção da CNI é divulgá-lo  em todo país, com a ajuda das federações de indústrias, promovendo debates locais com professores, educadores, formuladores de políticas públicas e empresários.

 

 

 

 

Agência CNI