Brasília, 17/10/2007 – A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 11,25% ao ano, frustrou a indústria brasileira. "A decisão é especialmente frustrante, porque o aumento da inflação nos últimos meses ocorreu por pressões pontuais e não de forma disseminada", argumentou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto. Segundo ele, os reajustes de preços verificados recentemente não ameaçam o cumprimento da meta de inflação.
Monteiro Neto lembrou que a manutenção dos juros é ainda mais danosa à indústria, que enfrenta a elevação contínua da carga tributária e a valorização do real frente ao dólar, provocada, entre outros fatores, pela forte entrada de capital externo em busca de taxas de juros atrativas. “Tudo isso implica severo comprometimento da nossa competitividade”, afirmou.
O presidente da CNI destacou ainda que está preocupado com a condução da política fiscal. “O crescimento real do gasto público em velocidade muito superior à expansão da economia é insustentável”, afirmou. Para ele, o fim desse processo não parece estar próximo, como está claro na proposta orçamentária de 2008, em que há mais aumento do gasto público ancorado na elevação da carga tributária. Essa situação lança o ônus da estabilidade sobre a política monetária, observou Monteiro Neto.
Agência CNI
