Brasília, 23/10/2007 – Os problemas são antigos e conhecidos. Na área de infra-estrutura, faltam marcos regulatórios, há deficiências no acesso a portos, nas políticas de integração dos diferentes meios de transportes e grande deterioração da rede viária terrestre. Na área da construção civil, a precária condição das estradas é um entrave ao desenvolvimento do setor, que vem crescendo gradativamente.
No oeste de Santa Catarina, a indústria da construção civil registra anualmente perdas em faturamento e qualidades dos produtos, uma vez que a produção geralmente é escoada por rodovias. "O setor perde de 10% a 20% da sua competitividade em função do custo bastante elevado para transportar em rodovias e dos prejuízos causados pela má condição das estradas", disse o presidente do Sindicato da Construção Civil de Chapecó, Valdemar Spricigo. Ele é um dos líderes sindicais que participam do 2º Encontro Nacional da Indústria.
Spricigo ressaltou que as discussões ocorridas nesta terça-feira, 23 de outubro, durante a sessão temática sobre infra-estrutura, ajudarão a melhorar a situação do setor. "Houve uma explanação muito eficaz quanto a essa problemática. Se o governo não tomar providências, será cada vez mais difícil e caro transportar materiais para suprir a construção civil. E essa via de escoamento é muito importante para que tenhamos competitividade", afirmou.
Promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o 2º Encontro Nacional da Indústria reúne cerca de 1.200 líderes empresarias em Brasília. Na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Fundição (Abifa), Devanir Brichesi, o crescimento sustentado da economia passa pela criação de políticas que regulamentem diversos setores e reduzam a morosidade dos licenciamentos ambientais.
De acordo com Brichesi, o setor não consegue licenciamento ambiental para realizar o descarte da areia utilizada durante a fundição. "Essa areia tem um custo alto para ser descartada. Em países desenvolvidos as indústrias reutilizam essa areia ou reacomodam de uma forma diferente das exigências do Brasil", disse.
O impacto dessa realidade diversa é sentido no custo do produto final. A proposta do setor é que sejam realizados, com licença ambiental, aterros para que a areia seja depositada de forma adequada, sem interferir no meio ambiente. "Com o passar do tempo, essa areia guardada poderá ser utilizada na fabricação de piso asfáltico, por exemplo. O fato é que essa medida poderá trazer uma redução de 50% no custo do descarte, que cairia de R$ 35 a tonelada para R$ 15 ou R$ 20 a tonelada", concluiu Brichesi.
Agência CNI
