Brasília, 30/10/2007 – O contínuo crescimento do consumo interno, que sustenta o avanço da indústria nacional e da economia, dificilmente causará inflação de demanda, aquela que faz os preços dos produtos subirem porque existem mais compradores do que mercadorias em oferta. A conclusão é dos economistas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base na Sondagem Industrial do terceiro trimestre. A pesquisa, divulgada hoje em Brasília, mostra que há sinais de expansão da capacidade produtiva.
A Sondagem, realizada com 810 pequenas empresas, 466 médias e 226 grandes empresas de todo o país, entre os dias 27 de setembro e 18 deste mês, mostrou que houve aumento da produção industrial e da utilização da capacidade instalada, que passou de 75% em julho para 77% em outubro.
A boa notícia, segundo os técnicos da CNI, é que entre as grandes empresas, que foram as que apresentaram maior crescimento da produção para atender a demanda de fim de ano, de 58,3 pontos em julho para 61,2 pontos em outubro, a utilização da capacidade instalada se manteve praticamente estável. Subiu de 80% para 81%. "Isso é sinal de expansão da capacidade produtiva, com a maturação de investimentos feitos no médio prazo", disse o economista da CNI, Paulo Mol.
Outro fator que faz os economistas da entidade acreditarem que a inflação de demanda não ocorrerá é o indicador de formação de estoques. "A produção está em alta, assim como a demanda, e não há formação de estoques indesejados nas empresas", afirmou Mol. E complementou. "Não importa se o estoque é grande ou pequeno, importa se ele é do tamanho planejado pelo empresário para atender suas necessidades", explicou o economista.
Segundo a metodologia da pesquisa, quanto mais próximo de 50 pontos, melhor a variável que avalia os estoques. Entre as grandes empresas, a variável ficou em 52,5 pontos em outubro. Entre as de médio porte, o indicador foi de 51 pontos. E entre as de pequeno porte, ficou em 47,5 pontos. Ou seja, para as grandes está um pouco acima do desejado, mas próximo, e entre as pequenas um pouco abaixo, mas também próximo ao ideal.
Além disso, a Sondagem Industrial do terceiro trimestre mostrou que os empresários avaliaram que as condições financeiras da empresa melhoraram. Desse modo, qualquer reação a um aumento de demanda inesperado, que poderia causar inflação, fica mais rápida e segura. "Os indicadores de margens de lucro e de situação financeira mostram que as empresas estão mais saudáveis, com capital de giro melhor, condições melhores de se endividar se for preciso. Elas podem reagir bem a uma situação inesperada, se acontecer", concluiu Paulo Mol.
O indicador de lucro operacional, receitas menos custos, passou de 42,3 pontos no segundo trimestre para 44,6 pontos no segundo. "Provavelmente isso se deu por conta de ganhos de eficiência nas empresas, uma vez que os preços dos produtos industrializados, principalmente os bens intermediários, não estão crescendo", afirmou o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. O indicador de situação financeira passou de 49 pontos, abaixo da linha de 50 pontos que indica otimismo, para 51,3 pontos, indicando ligeira satisfação das empresas.
Agência CNI
