Rio de Janeiro, 29/11/2007 – A sobrevivência dos empreendimentos é o ponto de destaque da pesquisa Demografia das Empresas, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje (29). Do total de 737,95 mil unidades abertas em 1997 em todo o país, somente 51,6% continuavam ativas em 2005. As empresas que empregam até quatro pessoas respondiam por 90,8% do total de companhias criadas.
Segundo informou à Agência Brasil a analista da pesquisa, Kátia Carvalho, o IBGE observou que das unidades criadas em 1997, após oito anos da sua criação, ou seja, em 2005, quase metade já havia fechado as portas. "Quase metade das empresas já estava fora do mercado. É a questão da sobrevivência”.
Kátia Carvalho esclareceu que a pesquisa não dá uma justificativa para esses movimentos. “A gente apenas consegue retratar o que está acontecendo”, afirmou a técnica do IBGE. Ela admitiu, porém, que fatores conjunturais econômicos poderiam estar relacionados à extinção das companhias no Brasil. “Certamente, esses fatores poderiam estar permeando”. A analista frisou, no entanto, que a “pesquisa não tem condições de dizer [se] foi isso ou foi aquilo”.
De acordo com o estudo do IBGE, a proporção de empresas sobreviventes criadas em 1997 diminui com o tempo para qualquer faixa de pessoal ocupado, sendo que as menores taxas de sobrevivência são registradas entre as companhias de menor porte, com até quatro pessoas ocupadas.
Segundo a pesquisa, no primeiro ano de existência, 19% das empresas fecharam as portas. A taxa de sobrevida em 1998 era de 81%. Dois anos depois, a taxa de companhias extintas sobiu para 27,2%. Decorridos oito anos, o estudo mostra que apenas 51,6% das companhias abertas em 1997 continuavam em atividade.
Por regiões, pode-se observar que a menor taxa de sobrevivência de empresas ocorreu no Norte do país, onde 46,5% das unidades nascidas em 1997 seguiam em atividade em 2005.
A maior taxa de sobrevida foi encontrada na Região Sul, ao final do período de oito anos: 53,8%. Continuaram ativas 51,8% das empresas no Sudeste, 51,6% no Nordeste e 47,8% no Centro-Oeste.
A análise por porte indica que 5,3% das empresas criadas na faixa de até quatro pessoas ocupadas passaram para a faixa imediatamente superior, entre cinco e 19 pessoas ocupadas, no ano seguinte ao da abertura. Os técnicos do IBGE esclareceram, entretanto, que o fato de não mudar de faixa não significa que a empresa não tenha crescido. Apenas o crescimento não foi suficiente para que houvesse a transferência de faixa de pessoal ocupado.
Comércio concentrou maiores taxas de criação e extinção de empresas em 2005
O setor de comércio, englobando os sub-setores reparação de veículos automotores, objetos pessoais e domésticos, respondeu pelas maiores taxas de abertura (53,1%) e fechamento de empresas (56%) em 2005 no país, de acordo com a pesquisa Demografia das Empresas, divulgada hoje (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram criadas no setor 420,2 mil companhias e extintas 304,5 mil.
“O comércio concentra a maior participação das empresas criadas e extintas”, confirmou à Agência Brasil a técnica da gerência do Cadastro Central de Empresas do IBGE, Kátia Carvalho.
Em seguida aparecem as atividades imobiliárias, com aluguéis e serviços prestados às empresas, que concentraram 13,9% das entradas e 11,6% das saídas do mercado. A indústria de transformação teve taxas próximas de 9% tanto na criação quanto na extinção de empresas, enquanto alojamento e alimentação responderam por cerca de 8% da abertura e fechamento de companhias em 2005. As menores taxas, equivalentes a 0,1%, foram encontradas no setor econômico da pesca.
A gerente do IBGE destacou que o número de pessoas ocupadas no país é afetado diretamente pelos movimentos de entrada e saída das empresas no mercado. “Você tem uma correspondência das pessoas ocupadas. Quando há o surgimento ou a destruição de uma empresa, os movimentos acompanham. Postos de trabalho são criados ou destruídos em decorrência dessa entrada e saída das empresas no mercado”, informou a analista da pesquisa.
Nas empresas de menor porte, com até quatro anos no mercado, por exemplo, a criação de empresas envolveu 15,7% do pessoal ocupado total. Já o fechamento de empresas nessa faixa de pessoal afetou 11,1% do total ocupado.
Por regiões, o documento do IBGE revela que as taxas mais elevadas de entrada e saída de empresas do mercado foram identificadas no Norte brasileiro, respectivamente, 23,9% e 16,9%. Seguem-se as regiões Centro-Oeste e Nordeste, com taxas de 18,9% e 13,4% e 18,9% e 13%, respectivamente.
As menores taxas de abertura e fechamento de empresas foram registradas no Sul (15% e 10,4%) e no Sudeste (15,4 e 10,7%). Segundo o IBGE, embora o Norte tenha apresentado a maior taxa de abertura de empresas em 2005, "relativamente o número de empresas criadas foi menor do que nas regiões Sul/Sudeste”, frisou a analista da pesquisa.
“A taxa leva em consideração as empresas criadas e o estoque de empresas existentes no ano anterior. Esses números, em termos absolutos, podem ser pequenos e dar uma taxa grande. Em contrapartida, Sul/Sudeste têm números altos tanto de entrada como de saída, mas têm um estoque muito alto também. E isso pode acabar gerando taxas menores, como aconteceu em 2005”, esclareceu.
A pesquisa mostra, também, que entre as unidades da Federação, as maiores taxas de abertura e extinção de companhias no ano de 2005 estão localizadas nos estados do Amapá, Amazonas, Roraima e Acre. O destaque nacional em termos de taxa de criação de empresas foi o Amapá (30%), com 2,20 mil novas companhias, o mesmo ocorrendo em relação à maior taxa de fechamento (19,9%).
O ranking dos estados que mais criaram empresas no país naquele ano foi liderado por São Paulo (252,9 mil), seguido de Minas Gerais (82,87 mil) e Rio Grande do Sul (76,08 mil). As taxas de entrada no mercado, entretanto, foram as mais baixas do Brasil (15,8%, 14% e 14%, respectivamente).
Agência Brasil – Ala Gandra
