SP lança calendário de comemorações do centenário da imigração japonesa

“Foram 52 dias de viagem e aqui chegaram os primeiros 793 imigrantes japoneses, em julho de 1908. Em sua bagagem, esse pessoal trazia pouca coisa, além de uma enorme capacidade de trabalho e muita confiança no futuro, certamente seus maiores bens”, lembrou o governador José Serra, na cerimônia de apresentação do calendário. “Tudo aqui era estranho, mas o que era comum com a gente da terra era a disposição de trabalho, que é uma marca de São Paulo, a disposição para construir um novo país, uma nova nação", completou o governador.

“Optamos pela realização de eventos que marcassem a importância do centenário para toda a sociedade. Queremos deixar marcada a gratidão de todos os que vivem em São Paulo à imigração japonesa e sua contribuição, tanto para o nosso desenvolvimento, como para a criação do ambiente cosmopolita que é a cara de São Paulo”, explica o assessor especial para assuntos internacionais, José Roberto de Andrade Filho, que coordena as ações em comemoração ao Centenário da Presença Japonesa do Estado.

Raízes e trajetória

Entre as ações, um dos destaques é o projeto Viva Japão, da Secretaria da Educação, que teve início no ano passado. Desde março de 2007, professores e alunos da rede pública vêm aprofundando conhecimentos sobre as raízes e a trajetória do relacionamento entre brasileiros e japoneses nos últimos 100 anos. Até o momento, cerca de 400 unidades escolares aderiram ao projeto, atingindo aproximadamente 300 mil estudantes. “O curioso é que esse projeto, que é implantado a partir do pedido das escolas, foi solicitado por unidades localizadas em municípios que não contam com número expressivo de nikkeis”, destaca Andrade.

A Inclusão de crianças e jovens que retornaram do Japão às escolas públicas brasileiras, outro projeto da Secretaria da Educação, tem o objetivo de proporcionar uma melhor adaptação das crianças e jovens que, por um período, estudaram no Japão. Embora tenha sido elaborado em razão do centenário, o projeto deverá prosseguir após as comemorações. Isso porque o movimento de descendentes de japoneses que vão ao Japão e que retornam ao Brasil é constante.

Cine Niterói 

Merece destaque, ainda, o Festival Itinerante de Cinema Japonês, desenvolvido pela Secretaria de Relações Institucionais. O objetivo é resgatar, digitalizar e divulgar 10 obras do acervo do Cine Niterói, que trouxe para o Brasil, a partir de 1953, filmes de produção japonesa e foi um dos principais pólos da vida cultural da Colônia. Além de produzir cópias dos filmes e disponibilizá-las para centros culturais e universidades, está prevista a produção de documentário sobre a influência do Cine Niterói nos imigrantes japoneses de São Paulo.

Outros eventos

Também estão entre as ações a instalação de “escolinhas de esportes”, com a inclusão de modalidades de grande aceitação na colônia japonesa, como o beisebol, em municípios com grande concentração de nikkeis; eventos voltados ao meio ambiente; assinatura de convênios com os Museus de Imigração no Japão para troca de informações e pesquisas; ciclos de palestras sobre a cultura japonesa; apresentações de coral e dança; workshops de culinária japonesa; cursos de ikebana; oficinas de origami; festival itinerante de cinema japonês; seminários sobre a contribuição da colônia japonesa na agricultura paulista; homenagens a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do Estado e muitas outras.

Andrade informa que as 100 ações comemorativas do Governo paulista se somam ao que vem sendo feito pela Prefeitura de São Paulo, Governo Federal e pela comunidade Nikkei (japoneses e descendentes), representada pela Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa.

História

O Centenário da Imigração Japonesa tem como marco a chegada do navio Kasato Maru ao Porto de Santos, no dia 18 de junho de 1908. Com ele, chegaram as primeiras 165 famílias do Japão para trabalhar nos cafezais do oeste paulista. Até 1940, cerca de 180 mil japoneses já haviam saído do país natal para trabalhar no Brasil.

Cem anos depois do início deste movimento que tanto contribuiu para a formação da sociedade brasileira e, principalmente, da paulista, a arte, a cultura e os costumes japoneses vão invadir São Paulo.

 

Cíntia Cury – Governo de São Paulo

 

Serra recebeu, de Maurício de Souza, quadro com os dois mascotes das comemorações
do centenário dos imigrantes japoneses (foto: Gilberto Marques / Governo de SP).

 

Serra discursa durante cerimônia de lançamento do calendário das comemorações
da imigração japonesa no Brasil (foto: Gilberto Marques / Governo de SP).

 

 Cerimônia de lançamento foi realizada no Palácio dos Bandeirantes, na capital
(foto: Gilberto Marques / Governo de SP).

 

Estado tem cerca de 1 milhão de japoneses e descendentes

Tamanho envolvimento do governo paulista nas comemorações do centenário da imigração japonesa se justifica: estima-se que cerca de 1,3 milhão de nikkeis vivam no Estado de São Paulo. Além da região metropolitana da capital, a população de nikkeis também é significativa nos municípios de Atibaia, Mogi das Cruzes, Suzano, Bastos, Marília, Lins, Registro, Araçatuba, Presidente Prudente e Pereira Barreto. Em alguns desses municípios, eles  chegam a representar cerca de 30% da população. No Brasil vivem mais de 2 milhões de japoneses e descendentes, o que representa a maior comunidade nikkei fora do Japão do mundo. O segundo país com maior número de japoneses e descentes é os Estados Unidos, com um milhão de pessoas.

“O Brasil é o país mais japonês depois do Japão. E a maioria dos japoneses que vivem no nosso país, estão no Estado de São Paulo”, ressalta Andrade. Para o coordenador, a presença dos japoneses e descendentes é fundamental para São Paulo. “A sociedade paulista, como conhecemos hoje, moderna e que atrai gente do Brasil e do mundo, é resultado da imigração”, afirma.

Andrade ressalta que os imigrantes japoneses foram os que tiveram a melhor e mais rápida ascensão sócio-econômica. Atualmente, as principais universidades paulistas, por exemplo, contam com um número significativo de  nikkeis em seus quadros de pesquisadores e cientistas.

A influência dos imigrantes japoneses está presente hoje na agricultura, nas ciências, cultura, religião (os japoneses trouxeram o budismo para o Brasil) e na culinária.

Dekasseguis ajudam a movimentar economia paulista

A importância dos japoneses que vieram para o Brasil é inegável. Porém, a ida dos descendentes de japoneses para o Japão (os dekasseguis) também tem lugar de destaque.

Atualmente, cerca de 300 mil dekasseguis estão no Japão. Dos quais, cerca de 150 mil saíram do Estado de São Paulo para trabalhar no país de origem dos pais ou avós. “Em 2005, os dekasseguis mandaram para cá US$ 1,25 bilhão. O montante é igual ou maior que investimentos internacionais anunciados por grandes empresas”, ressalta o coordenador estadual das festividades do centenário da imigração.

Grande parte dessas remessas tem como objetivo o pagamento de despesas de familiares que vivem no Brasil. Cerca de 30% do total, porém, é destinado ao investimento em pequenos negócios ou compra de imóveis. “Esse dinheiro vem para ser gasto aqui e ajuda a ativar nossa economia”, observa Andrade.

Governos de SP e do Japão mantém parceria produtiva

A proximidade entre o Estado de São Paulo e o Japão não se limita apenas à imigração. Os Governos paulista e japonês também são parceiros em ações para melhorar a vida da população, como o programa de recuperação ambiental da Região Metropolitana da Baixada Santista, o rebaixamento da calha do Rio Tietê e o intercâmbio de cooperação para o programa de policiamento comunitário, entre outros.

O Programa de Recuperação Ambiental da Região Metropolitana da Baixada Santista prevê investimentos de R$ 1,23 bilhão em empreendimentos de coleta e tratamento de esgotos e no aprimoramento dos sistemas de abastecimento de água. Os recursos serão financiados pelo Japan Bank for International Cooperation (JBIC), com contrapartida da Sabesp e do BNDES. A ação beneficiará nove municípios: Cubatão, Santos, Bertioga, Guarujá, Praia Grande, Mongaguá, Peruíbe, Itanhaém e São Vicente. A região conta com 1,6 milhão de habitantes e população flutuante (turistas e visitantes) de 1,35 milhão de pessoas.

Já o aprofundamento da calha do Rio Tietê, com rebaixamento médio de 2,5 metros e alargamento da base em até 45 metros, aumentou em até 60% a vazão do rio e têm contribuído para evitar enchentes nos períodos de chuvas nas marginais. A obra, que começou em 1998, contou com a parceria do JBIC – Japan Bank for International Cooperation, que financiou 75% do programa e 25% do Tesouro paulista.

Maurício de Souza apresenta mascotes do centenário da imigração japonesa

O cartunista Maurício de Souza também esteve presente na cerimônia de lançamento do calendário de eventos paulistas em comemoração ao centenário de imigração japonesa para a apresentação oficial das duas mascotes das festividades. Tikará e sua amiguinha Keika farão parte, a partir de agora, da Turma da Mônica. “As personagens vão entrar nas histórias, vão virar história em quadrinho, desenhos animados”, disse o cartunista.

Maurício de Souza, que é casado com uma descendente de imigrantes japoneses, passou dois dias desenhando japonesinhos até chegar a Tikará, que significa força, energia, resistência. Keika, a companheira de Tikará, veio depois. Maurício pediu que a diretora de arte Alice Takeda desenhasse uma garotinha meiga, delicada e que tivesse a boca pequenininha, como, segundo ele, todas as japonesas. Seu nome quer dizer “aquela que acrescenta bravura, honestidade”.

“Os dois representam, realmente, o que é o descendente japonês, o que é a contribuição, o que é a alegria e o grafismo, inclusive, que os japoneses trouxeram para o Brasil”, explicou Maurício. (Maria Eugênia Cruz – Governo de São Paulo).

 

 Confira mais detalhes no site criado para divulgar as festividades

( www.saopaulo.sp.gov.br/imigracaojaponesa )

 

Cintia Cury – Governo de São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

CCIJB – 13/02/2008