Foodex Japan 2008: Brasil encerra participação com saldo positivo

É o caso da Bioagrepa, que foi ao Japão apenas com a intenção de prospectar o mercado, mas conseguiu compromissos de negócios em médio prazo. A diretora comercial Gelsí Rosa Siviero manteve contatos com clientes japoneses e coreanos que querem receber amostras de açúcar e melado de cana. Os produtos são orgânicos, produzidos por mais de 400 famílias de 10 cidades do Mato Grosso. Possuem certificação da Ecocert, com validade nos Estados Unidos, Europa e Brasil e, por isso, chamaram a atenção dos asiáticos.
 
Para o diretor de Relações Internacionais da Miolo Wine Group, Carlos Eduardo Nogueira, “o resultado foi acima do esperado”. A empresa expôs pela primeira vez na Foodex e conseguiu contato com quatro importadores interessados em suas bebidas, além de receber visita de proprietários de restaurantes e lojas. Com produção de 6 milhões de litros por ano, o que corresponde a 7 milhões de garrafas, a Miolo já exporta para 26 países. No Japão, mostrou vinhos produzidos em cada uma das cinco regiões onde está presente no Brasil.

O diretor vice-presidente da Sakura, Roberto Ohara, disse que a participação na Foodex contempla três objetivos. “O primeiro é comercial, com ampliação dos contatos japoneses. Depois o institucional para estreitar relacionamento com os parceiros comerciais como a empresa Gekkeikan, que fornece saquê para a Sakura engarrafar e comercializar no Brasil. Por fim há a preocupação em aprender com as críticas recebidas pelos visitantes”. Do faturamento total da empresa, 1,5% é proveniente da exportação para América do Sul (menos Peru), Estados Unidos, Europa e Japão.

A Companhia das Ervas comercializa, há sete anos, molhos e pimentas orgânicas em lojas brasileiras do Japão e espera aumentar as exportações em 2008. “Nossos produtos não têm aditivo químico e estamos com a expectativa de aumentar em cinco vezes a atual exportação para o Japão que atualmente é de um contêiner por ano, principalmente pela qualidade do que produzimos”, contabiliza o gerente internacional Marcelo Cury.

A Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) levou ao Japão xícaras folheadas a ouro para presentear as autoridades nipônicas que visitaram o estande Cafés do Brasil, que contou também com a presença de dois baristas japoneses que prepararam receitas com café brasileiro. Um deles, Takemoto Shunichi, foi campeão do Japan Barista Championship de 2007 e 2008. A empresa Cocarive fechou intenção de compra com novos clientes japoneses e calcula dobrar o volume de 1.500 sacas de café em grão verde do tipo especial exportado por ano para o Japão, depois dos contatos feitos na Foodex 2008.  “A participação da empresa no estande do Brasil fortaleceu o vínculo de relacionamento comercial com os clientes”, disse o diretor Jacques Pereira da empresa sediada em Minas Gerais.

Guaraná

O Chá de Guaraná foi a novidade apresentada aos japoneses pela Agrorisa Produtos Alimentícios Naturais, do Amazonas. O sócio-gerente Rivaldo Gonçalves disse que a idéia de transformar o guaraná em sachê surgiu durante a Foodex Japan do ano passado. A empresa fez pesquisas que resultaram em embalagens com 15 sachês, apresentadas este ano na feira. “Os japoneses consomem muito chá e um cliente pediu para verificar a possibilidade dessa adequação”, disse.

Este ano, Araújo fez contato com cinco importantes importadores interessados em negócios futuros, principalmente com guaraná em pó, chá e extrato (para produzir refrigerantes, sabonetes e itens de confeitaria) de guaraná. “A participação na feira sempre rende negócios. Na Foodex de 2007, por exemplo, conseguimos dois novos clientes e agora recebemos mais empresas interessadas nos nossos produtos”, considerou. No ano passado, a empresa exportou ao Japão cinco toneladas de guaraná em grão e em pó, 1,5 tonelada de camu-camu (fruta rica em vitamina C) e meia tonelada de óleo de copaíba (usado pelos japoneses como antiinflamatório e em cosmético). Desde o início das exportações, em 2002, Araújo calcula que as vendas ao Japão para o país cresceram mais de 200%.

A importadora Arai Shoji expôs o refrigerante Guaraná Antarctica. O representante Seiji Hayashi informou que a bebida é comercializada no Japão há cerca de 30 anos, principalmente em lojas brasileiras. Atualmente são vendidas no mínimo 10 mil caixas de guaraná por mês ou 240 mil latas. O concentrado da bebida vem do Brasil e há uma fábrica no Japão para fazer o produto final.

Exposição

Este ano a Foodex recebeu 96 mil visitantes. O Pavilhão do Brasil, organizado pela Apex-Brasil, apresentou a exposição intitulada ‘Brasil-Japão: 100 anos de futuro’, e registrou a visita de 1.200 pessoas atraídas pela mostra, que destaca, com fotos e informações em multimídia, a contribuição dos japoneses ao desenvolvimento do agronegócio brasileiro. A exposição chamou a atenção dos visitantes com informações como a de que a maçã Fuji, da província de Aomori, foi levada por japoneses para ser cultivada no Brasil. O mesmo caso ocorreu com a tangerina poncã introduzida pelo japonês Kyujiro Kuwabara, que levou a muda da fruta em 1929 ao Brasil. Os imigrantes também foram responsáveis pelo cultivo de pimenta-do-reino no Amazonas.

 

 

 

 

 

Fonte: Apex Brasil