Brasília, 12/05/2008 – A nova fase da política industrial ajudará a promover o desenvolvimento do país. A avaliação foi feita hoje pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto. “A política industrial é abrangente, mas tem foco”, disse. Ele elogiou a iniciativa do governo Lula em colocar a política industrial no centro da agenda do país. “Durante muitos anos prevaleceu a idéia de que bastava criar um ambiente macroeconômico adequado e o resto era remetido à vontade dos agentes econômicos”, destacou, durante discurso na solenidade de lançamento do Programa de Desenvolvimento Produtivo, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.
Na avaliação de Monteiro Neto, com o plano, o governo reconhece o papel central da indústria no processo de crescimento da economia e coloca a política industrial como um dos elementos-chave da estratégia de desenvolvimento do país. Ele lembrou, no entanto, que o êxito das medidas depende de um ajuste fiscal que retire da política monetária todo do ônus da estabilidade econômica. “A política monetária tem um peso muito forte na economia, porque não há uma contribuição efetiva da política fiscal para a estabilização. O efeito disso é a excessiva valorização do real frente ao dólar, que afeta o potencial de crescimento do país”, explicou o presidente da CNI.
Segundo ele, o Brasil deve reduzir o rigor da política monetária para estancar a crescente desvalorização do dólar frente ao real. Além disso, lembrou, a manutenção do alto ritmo de crescimento exige a aprovação de reformas estruturais, como a modernização do sistema tributário, em tramitação no Congresso Nacional.
Monteiro Neto disse ainda que os benefícios da política industrial serão maiores se governo criar uma instância forte de coordenação e articulação institucional e intragovernamental. Essa coordenação única e centralizada ajudará a reduzir a superposição de agentes públicos e as instâncias de decisão sobre o mesmo tema existentes nos ministérios e nas agências governamentais, que prejudicam a implementação de projetos importantes para o desenvolvimento do país.
Outro ingrediente importante para o êxito da política industrial é a ampliação do diálogo entre o governo e os empresários. “A política industrial é um processo estratégico de contribuição entre governo e empresários que identifica políticas, obstáculos e oportunidades para o país”, afirmou. Ele lembrou que Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), criado em 2005 por sugestão da CNI, é um bom espaço para o diálogo. “Mas o Conselho não se reúne há 15 meses. É preciso valorizar esse espaço”, recomendou Monteiro Neto.
Agência CNI
