Rio de Janeiro, 2/06/2008 – Os setores da construção civil, automotivo e de bens e equipamentos, líderes no consumo de produtos siderúrgicos no Brasil, devem puxar o crescimento da demanda por aço neste ano, impulsionando o setor. A avaliação foi feita hoje (2) pelo vice-presidente executivo do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Marco Pólo de Mello Lopes.
Ele também destacou que o programa de compras para perfuração em águas profundas e ultra-profundas da Petrobrás abre novas perspectivas de crescimento para o aço brasileiro. “Nossa expectativa é que esses três segmentos, mais o programa, sejam responsáveis por puxar o crescimento da demanda este ano”, disse.
Lopes lembrou que há forte aquecimento da demanda por aço no país, o que refletiu em aumento de 22,5% das vendas internas e de 8,1% da produção, nos três primeiros meses deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado.
O tema do cenário mundial e nacional do setor siderúrgico será debatido a partir de hoje (2) à noite no 1º Encontro Nacional da Siderurgia, que o IBS promove até amanhã (3). O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho, participará do evento, onde falará sobre a nova política industrial.
Recentemente, o IBS reviu para cima as projeções para o setor em 2008. Nessa primeira revisão, a elevação das vendas em volume, no mercado doméstico, passou de 10,7% para 13,1%, enquanto a projeção de crescimento do consumo aparente evoluiu de 10% para 13,7%. O consumo de aço por habitante subiu de 110,3 quilos em 2006 para 129,3 quilos no ano passado. Uma segunda revisão das previsões para o exercício deverá ser feita ao final do semestre.
Marco Pólo Lopes admitiu que o aumento da produção siderúrgica na China sempre foi um fator de preocupação para as usinas brasileiras e para a siderurgia internacional, de modo geral. Ele lembrou que, por outro lado, o próprio governo chinês tomou medidas firmes para desestimular as exportações, que eram o principal temor da siderurgia mundial. “Ou seja, que você tivesse aí volumes excessivos colocados no mercado internacional e que isso acabasse ocasionando fechamento de mercados. E com isso, viéssemos a ter desvios de comércio”, explicou.
A preocupação no Brasil era específica porque, enquanto o mundo se fecha, a política nacional é de abertura do mercado, com redução de alíquotas, alertou Lopes. Ele acrescentou que as medidas tomadas pelo governo chinês surtiram efeito e as exportações sofreram desestímulo. A produção de aço na China totaliza em torno de 500 milhões de toneladas anuais. A exportação, porém, está limitada a 10% da produção. “O mercado interno chinês é muito demandante”, apontou o vice-presidente executivo do IBS.
Agência Brasil – Alana Gandra
