Indústria acelera o ritmo de crescimento sem pressionar a capacidade instalada

 

Segundo a pesquisa Indicadores Industriais, em abril o faturamento, as horas trabalhadas na produção e o emprego cresceram; a Utilização da Capacidade Instalada teve relativa estabilidade no mesmo período. A pesquisa completa pode ser baixada no site da CNI: http://www.cni.org.br

Brasília, 4/06/2008 – Depois da acomodação do ritmo de crescimento da indústria de transformação registrado em março, o setor voltou a apresentar aceleração em abril. De acordo com os dados da pesquisa Indicadores Industriais, divulgada hoje em Brasília pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento real, as horas trabalhadas na produção e o emprego tiveram alta em abril ante o mês anterior, ao mesmo tempo em que a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) se manteve praticamente estável.

“Em março houve uma diminuição do ritmo da indústria por conta de efeitos do calendário, principalmente. Em abril tivemos a retomada, ainda mantendo a carona do forte crescimento do ano passado”, comentou Flávio Castelo Branco, gerente-executivo de Política Econômica da CNI. “O bom sinal é que a UCI subiu apenas 0,1 ponto percentual. Como a indústria trabalhou mais horas em abril e a utilização quase não subiu, esse descolamento mostra que os investimentos feitos para ampliar a capacidade produtiva do setor estão entrando em operação”, constatou Castelo Branco.

As horas trabalhadas na produção, indicador mais próximo da produção física, cresceram 1,1% em abril ante março, já descontados os efeitos sazonais. Na comparação com abril do ano passado, o crescimento foi de 9,1%, a maior taxa de expansão anual desde agosto de 2004. Entre janeiro e abril desde ano, o aumento foi de 6,7% em relação ao mesmo período de 2007.

A UCI de abril ficou em 83,2%, de acordo com a pesquisa Indicadores Industriais. No mês anterior, havia ficado em 83,1%, sempre no indicador dessazonalizado. “É importante lembrar que para a indústria é positivo trabalhar com uma utilização de capacidade mais elevada, porque há ganhos de escala. E o nível atual não é tão elevado a ponto de causar preocupação”, afirmou Paulo Mol, economista da CNI.

A indústria de transformação brasileira faturou, em abril, 1,6% mais do que em março, de acordo com a pesquisa. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, abril teve alta de 11,7%. No acumulado do ano, o crescimento está em 8,7%. “A demanda interna ainda é o principal motor desse crescimento”, assinalou Mol. Em torno de 60% desse crescimento foi nos setores de veículos automotores, máquinas e equipamentos e metalurgia básica, destacou o economista. E os setores que mais cresceram, independentemente do peso que têm na composição do indicador, foram os de outros equipamentos de transportes (barcos, motos, aviões, etc), com 26,2%, veículos automotores, também com 26,2%, e máquinas e equipamentos, com 20,1%.

Emprego

O atual ciclo de crescimento da produção industrial e do faturamento real do setor está sendo acompanhado, sem precedentes na série histórica, pelo aumento da força de trabalho. “O emprego cresceu 0,2% em abril ante março e consolidou um período de 29 meses sem queda nesse indicador”, sublinhou Paulo Mol. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o crescimento foi de 4%. No acumulado do ano, o emprego industrial aumentou 4,7% sobre igual período de 2007. Os setores que mais contribuíram para esse crescimento foram os de alimentos e bebidas, máquinas e equipamentos e veículos automotores.

A massa de salário registrou queda de 1,9% em abril ante março, apesar do crescimento do emprego. “Isso acontece porque paga-se em abril referente às horas trabalhadas em março, quando havia tido queda nesse indicador. Por isso, deveremos registrar crescimento da massa salarial na próxima pesquisa”, ressaltou Castelo Branco. A CNI divulgará no dia 3 de julho os Indicadores Industriais referentes ao mês de maio.

Agência CNI