Brasília – A crise financeira internacional, iniciada nos Estados Unidos e que atinge mais as economias dos países desenvolvidos, maltrata mais os países em desenvolvimento quando o foco é a fome

 

Brasília, 9/12/2008 – A crise financeira internacional, iniciada nos Estados Unidos e que atinge mais as economias dos países desenvolvidos, maltrata mais os países em desenvolvimento quando o foco é a fome.

Esse é um dos alertas do relatório O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo – SOFI 2008”, divulgado hoje (9) pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

De acordo com a FAO, a redução da demanda por alimentos nos países desenvolvidos ameaça a renda que os países em desenvolvimento obtêm com a exportação de commodities agrícolas.

O representante da FAO no Brasil, José Tubino, lembra, ainda, que muitos dos países em vias de desenvolvimento são ao mesmo tempo importadores de alimentos e dependente de suas exportações, “que sofrem uma série de barreiras, criadas através de subsídios, tarifas, barreiras para poder exportar seus produtos a países desenvolvidos”.

Tubino explica que a atual crise financeira agrava o quadro iniciado no começo de 2008, quando houve um aumento nos preços das commodities, causado pelo aumento no preço do petróleo, dos insumos agrícolas e na demanda por comida.

Desde então, os preços dos alimentos já caíram, mas ainda não o suficiente para ter impacto no consumo, nem para chegar a um patamar menor do que o de 2006. “A falta de crédito e, por outro lado, os altos custos de produção estão desincentivando a agricultura e a produção e isso poderia trazer para 2009, e é uma preocupação da FAO, uma nova alta de preços de alimentos devido a uma queda na produção”, destaca.

Para o representante da FAO, “durante muitos anos os governos do mundo, em termos gerais, com exceções, é claro, negligenciaram os investimentos públicos no setor rural e na agricultura e, por muitos anos, os preços dos produtos agrícolas estiveram baixos, o que ocasionou desincentivo para investir na agricultura”.

Isso ocasionou uma queda dos investimentos e também da produção, o que somado a problemas climáticos gerou a atual queda nos estoques mundiais “e os governos falharam em reagir adequadamente com estoques estoques estratégicos e com marcos de políticas de incentivo à produção de alimentos e isso se soma aos problemas da especulação com as commodities, que o mundo enfrentou no início de 2008”.

De acordo com Tubino, o que pode ser feito, e que alguns países como o Brasil estão fazendo, é dar incentivo à produção, facilitar crédito para os produtores, dar assistência técnica e preços de garantia, “particularmente para os produtores em situação mais vulnerável”.

Ele também defende que os governos comecem a trabalhar de uma forma mais organizada com estoques estratégicos de alimentos para poder regular o mercado e evitar especulação de preços. “Existe uma série de medidas de política pública que estão sendo implementadas, mas que não têm a força suficiente para contrapor os efeitos de uma crise econômica global como a que se está manifestando agora nos países mais desenvolvidos e que está contaminando os países em desenvolvimento”, conclui. (Agência Brasil – Ana Luiza Zenker)