Brasília, 3/02/2009 – Mesmo com queda de 17,5% nas vendas da indústria de eletrodomésticos em dezembro – redução recorde no setor – os empresários do ramo procuram manter o otimismo e esperam crescimento de até 4% em 2009. Segundo o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrodomésticos (Eletros), Lourival Kiçula, é preciso esperar o resultado de janeiro para ter um diagnóstico mais real do setor.
Ele disse que o ano de 2008 foi maior que 2007, com crescimento entre 4% e 7% no setor de eletrodomésticos. “Ainda não temos números consolidados sobre as vendas de janeiro, mas tudo indica que teremos em janeiro um número de vendas muito parecido com o mesmo mês do ano passado no setor de linha branca (geladeiras, fogões, freezeres). Deve ser ainda um pouco melhor no setor de linha marrom [informática, som, imagem]”, prevê Kiçula, que se reuniu hoje (3) com o ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge.
A queda na produção registrada em dezembro, na opinião de Kiçula, pode não ser tão significativa para um diagnóstico do setor, porque reflete um mês em que as fábricas optaram por dar férias coletivas, o que contribuiu para regular os estoques que estavam altos, resultado da produção aquecida nos primeiros nove meses do ano.
“O resultado de apenas um mês pode não ser significativo porque havia muito estoque. As vendas de janeiro foram melhores que o esperado. Não foram boas, mas, antes, imaginava-se que seria muito difícil. No entanto, foram feitas promoções, liquidações, e o consumidor comprou”, disse o Kiçula. Ele garantiu que os estoques na indústria de eletrodomésticos estão “regulares”. “O setor se preveniu antecipando as férias coletivas.”
Kiçula acredita que o setor começa a dar sinais de recuperação, mas ressalta que ainda é necessária uma redução maior na taxa de juros para incrementar as vendas no crediário. “Esperamos a redução de mais um ponto percentual na taxa básica [Selic], e os governo está tomando as medidas para que os bancos públicos reduzam os juros. Acho que os outros bancos também farão isso, e a gente participa da pressão para que isso aconteça”, destacou.
“Não estamos tão assustados com a crise. Queremos sair dela trabalhando e fazendo uma força danada para não desempregar. Se tudo isso for feito, não se desemprega, continua-se trabalhando e é possível reverter”, afirmou. (Agência Brasil – Luciana Lima)
