Brasília, 9/02/2009 – A adoção de medidas protecionistas como resposta à crise financeira internacional já preocupa a Organização Mundial do Comércio (OMC). O temor motivou a realização de reunião informal do Órgão de Exame de Políticas Comerciais, hoje (9), em Genebra.
O diretor-geral da instituição, Pascal Lamy, apresentou informe sobre o impacto da crise no comércio internacional e fez um alerta aos 153 países-membros da OMC: “As fracas perspectivas econômicas de cada membro se tornaram particularmente vulneráveis diante da introdução de novas medidas que bloqueiam o acesso a mercados e distorcem a concorrência”.
Lamy chamou atenção especialmente para o impacto nos países em desenvolvimento, uma vez que, em muitos deles, o crescimento econômico depende do comércio internacional. Ele chegou a citar os presidentes do Brasil e dos Estados, Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama, que têm destacado a necessidade de resistir a pressões domésticas por medidas protecionistas e de manter a economia aberta à competição externa.
“Isso me faz crer que a situação está sob controle. Mas devo dizer que meu sexto sentido é de que estamos ainda num estágio inicial de políticas contra a recessão e devemos nos manter vigilantes”, afirmou Lamy. “Os membros da OMC têm a responsabilidade de monitorar o desenvolvimento de políticas que estão tendo impacto no comércio internacional e no sistema multilateral de comércio”, ressaltou.
O diretor da OMC pediu um esforço coletivo e coordenado para evitar maiores danos ao comércio internacional e defendeu a conclusão da Rodada Doha como remédio anticrise. “Completar a Agenda de Desenvolvimento de Doha é nossa mais importante contribuição nesse sentido. Esse ainda é o caminho mais seguro para defendermos nossos interesses comerciais individuais e o sistema multilateral de comércio contra a ameaça de explosão do protecionismo”, ponderou.
A preocupação já havia sido manifestada a chanceleres e ministros de Comércio em jantar na Suíça, paralelamente ao Fórum Econômico Mundial, no final de janeiro. Em outubro do ano passado, Lamy chegou a criar um conselho, que chamou de força-tarefa, para analisar os efeitos da crise financeira internacional nas trocas comerciais. No mês seguinte, preocupado com a escassez de crédito para operações de importação e exportação, convocou uma reunião com instituições financeiras multilaterais e bancos privados. (Mylena Fiori)
