Brasília, 26/02/2009 – O saldo total das operações de crédito a empresas continuou em trajetória de desaceleração no mês de janeiro, de acordo com análise do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) sobre os números divulgados hoje (26), pelo Banco Central, referentes às operações de crédito do sistema financeiro.
O Iedi lembrou que o mês de janeiro normalmente apresenta um “ritmo menor de expansão” do crédito, em relação ao mês anterior, mas ressaltou que o crescimento de apenas 0,2% no mês surpreendeu. Em especial porque a evolução foi sustentada pelos empréstimos direcionados, pois quando se considera apenas o crédito referencial para pessoas jurídicas, a retração foi de 1,9% na mesma base de comparação.
A perda de ritmo do crédito total só não foi maior, segundo o Iedi, por causa da expansão das operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e dos financiamentos habitacionais, o que explica a performance de 0,9% dos bancos públicos na concessão de créditos. Em contrapartida, os bancos privados nacionais cresceram só 0,2% nesse quesito e os bancos estrangeiros recuaram 1,1%.
A distribuição setorial do saldo das operações de crédito mostrou, contudo, que a expansão do segmento direcionado não foi suficiente, de acordo com o Iedi, para evitar quedas de 1,7% e de 0,8%, respectivamente, nos empréstimos ao comércio e à indústria, enquanto no segmento de serviços a carteira de créditos manteve-se estável.
O Iedi destacou, ainda, que as condições de crédito com recursos livres para empresas também se deterioraram, uma vez que o spread médio (diferença entre os juros da aplicação, pelo cliente, e os juros cobrados no empréstimo) foi elevado de 18,3% para 18,8%, em função do aumento do risco atribuído pelos bancos às operações de conta garantida e aquisição de bens, principalmente. (Agência Brasil – Stênio Ribeiro)
