Queda do PIB não afeta otimismo de empresas do Pólo Industrial de Manaus

 

Manaus, 10/03/2009 – Apesar da queda de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre do ano passado, as indústrias instaladas no Pólo Industrial de Manaus mantêm-se otimistas e esperam retomar o crescimento nos próximos meses. O diretor executivo do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Ronaldo Mota, disse que a expectativa do setor é positiva, embora todos entendam que dependem do comportamento de outras economias.

Mota ressaltou que a queda no PIB brasileiro era esperada, pois reflete um momento financeiro internacional. “O mundo inteiro está em crise, e o Brasil não está isolado disso, porque depende de exportações”, afirmou Mota. Ele observou que o país depende também dos pacotes que, principalmente, os governos dos Estados Unidos e da Europa estão fazendo para socorrer suas economias. “Se isso não surtir efeito, obviamente, a crise vai se prolongar.”

Em entrevista à Agência Brasil, Mota disse que o Pólo Industrial de Manaus é um dos “termômetros” das conseqüências da crise internacional no país, uma vez que o parque fabril instalado na capital amazonense tem no mercado interno sua principal fonte de consumo. As empresas do pólo estão tomando medidas para preservar os empregos – o que  está faltando é o Brasil voltar a consumir como antes, pois o estado depende muito da reação do mercado nacional. “Isoladamente, ele [Amazonas] não sobrevive, porque a nossa dependência é de praticamente 90% do mercado nacional. O restante se divide entre mercado local e exportações”, acrescentou.

“Estamos numa crise. Ainda não é uma recessão, mas, se as medidas tomadas, sobretudo nos Estados Unidos não surtirem efeito, poderemos entrar numa recessão. Se o Brasil vai bem, o Pólo Industrial de Manaus também vai bem.” No entanto, alertou Mota, embora as empresas do pólo estejam lidando bem com a crise, é preciso que recebam atenção do governo, que não pode deixar de tomar medidas que favoreçam às indústrias.

Ele lembrou ainda a questão dos juros e criticou os seus valores praticados: “Nosso maior problema hoje não é o crédito, e sim os juros muito altos. Se os consumidores pararam de comprar, significa que houve um recuo natural no consumo. Pelo medo da inflação, acaba-se prejudicando a economia. O governo não pode deixar de tomar medidas que favoreçam às indústrias”.

Mota alertou também para a ameaça que a presença dos produtos asiáticos no mercado brasileiro representa para os produtos fabricados em Manaus: “Com a recessão dos Estados Unidos, que eram o grande mercado consumidor dos produtos asiáticos, países como a China, cada vez, vão querer garantir o consumo do mercado brasileiro para seus produtos. Eles têm preços que não dá para entender como alcançam e a concorrência é desigual”, finalizou. (Agência Brasil – Amanda Mota)