Volume de investidores estrangeiros na dívida interna brasileira volta a cair

 

Brasília, 22/04/2009 – Depois de subir no final do ano passado, os investimentos estrangeiros na dívida interna brasileira voltaram a cair. Segundo números divulgados hoje (22) pela Secretaria do Tesouro Nacional, o volume de títulos públicos internos em poder de estrangeiros caiu para R$ 68,7 bilhões em fevereiro. Os dados de março só estarão disponíveis no fim do próximo mês.

Foi a segunda queda consecutiva. Em janeiro, os investidores internacionais detinham R$ 69,2 bilhões em papéis da dívida mobiliária – em títulos – interna. No mês anterior, o número era de R$ 72,6 bilhões.

Apesar da queda, o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Guilherme Pedras, negou o desinteresse dos estrangeiros em financiar o governo brasileiro. “Esses movimentos são apenas marginais. No longo prazo, estamos observando uma ascensão gradual na participação dos aplicadores internacionais”, disse.

De acordo com Pedras, os investidores externos estão abandonando os títulos de curto prazo e comprando papéis de prazo mais longo. Num primeiro momento, afirmou ele, essa movimentação reduz o volume de títulos nas mãos de estrangeiros por causa da concentração de vencimentos – quando o Tesouro compra de volta os papéis dos aplicadores.

Pedras destacou ainda que o volume de investimentos está acima do registrado em outubro, no auge da crise financeira, quando os estrangeiros tinham R$ 66,6 bilhões em papéis da dívida interna. “É importante ressaltar que, nos últimos meses, a presença dos estrangeiros não voltou aos níveis registrados no pior momento da crise”, acrescentou.

Com a redução no volume de aplicadores internacionais, também caiu a participação estrangeira na dívida interna. Em fevereiro, os investidores externos foram responsáveis por 5,75% da dívida interna. No mês anterior, a proporção era de 6%. Antes do agravamento da crise, a participação superava 7%.

Confira a participação dos estrangeiros na dívida interna em títulos:

Mês
Volume
(em R$)
Participação
(na dívida interna em títulos)
Agosto R$ 82,3 bilhões 7,37%
Setembro R$ 80,1 bilhões 7,20%
Outubro R$ 66,6 bilhões 6,05%
Novembro R$ 68,1 bilhões 6,21%
Dezembro R$ 72,7 bilhões 6,5%
Janeiro R$ 69,2 bilhões 6%
Fevereiro R$ 68,7 bilhões 5,75%

Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional

(Agência Brasil – Wellton Máximo)