Buenos Aires, 23/04/2009 – A declaração conjunta de Brasil e Argentina defende as negociações da Rodada Doha, o uso de moedas locais no comércio bilateral e o Mercosul para enfrentar a crise financeira mundial e das negociações comerciais sobre a venda de 20 aviões da Embraer para uma companhia aérea argentina.
O texto ficou pronto depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a Argentina na tarde de hoje (23). O atraso foi causado por uma demora na redação do documento na parte que trata das negociações entre a Embraer e a Aerolíneas Argentinas. Na semana passada, havia a expectativa de que o anúncio do negócio seria feito durante a visita do presidente Lula, mas não houve acordo.
Na declaração, consta a informação de uma reunião ocorrida há dez dias, em São José dos Campos, São Paulo, quando se chegou a um entendimento para a negociação dos aviões modelo 190 AR, da Embraer, que contará com linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No encontro de hoje, as diplomacias brasileira e argentina destacaram os avanços posteriores à reunião.
Os governos dos dois países, ainda segundo o texto, trataram da assinatura de um acordo de confidencialidade com o propósito de transmitir normas técnicas da indústria aeronáutica brasileira à fábrica de aviões de Córdoba, interior da Argentina, para a confecção de peças e componentes.
Também está registrado na carta do encontro, o compromisso de incentivar o uso do sistema de pagamento do comércio bilateral em moedas locais. O mecanismo permite que o Brasil e a Argentina efetuem as transações de comércio exterior com o real e o peso.
O Brasil e a Argentina concordam que a consolidação do Mercosul é um elemento-chave para enfrentar a atual crise econômica internacional. E declaram apoio às negociações da Rodada Doha, para alcançar uma maior integração dos países em desenvolvimento na economia internacional.
Na declaração, está registrado o consenso dos dois países sobre a necessidade de trabalhar pela reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para torná-lo mais democrático, transparente e representativo. (EBC – Gislene Nogueira)
