Redução do spread bancário não ocorre na velocidade desejada, diz presidente da Andima

 

Rio de Janeiro, 5/05/2009 – O novo presidente da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), Sérgio Cutolo, disse hoje (5) que as instituições do setor têm alongado os prazos dos empréstimos e reduzido as taxas de juros, acompanhando os bancos públicos, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.

Ele ressaltou, no entanto, que a redução do spread bancário não vem ocorrendo em velocidade razoável. “E o governo está usando os bancos públicos para tentar reduzi-lo ainda mais”. O spread bancário é a diferença entre o custo de captação de recursos para os bancos e o que eles cobram do tomador final nas operações de empréstimo.

Segundo Cutolo, diante da crise internacional, o setor financeiro precisa cuidar de sua solvência. “Porque, se tem algum problema de solvência, é a sociedade, é o contribuinte que acaba pagando. Então, todo cuidado é pouco”. O spread sofre impacto da carga tributária e do custo de captação no Brasil, com destaque para a poupança, que tem uma taxa de juros embutida, observou Cutolo, em entrevista à Agência Brasil.

Ele disse que a questão mais crítica é a da inadimplência, que tem crescido, mas está “sob controle relativo”, o que considera “importantíssimo para manter a solvência do sistema financeiro, fator essencial para o funcionamento da economia”.

Na opinião de Cutolo, um país não tem taxa de crescimento razoável, se não dispõe de um sistema financeiro saudável. No caso do Brasil, ele disse que, apesar de suas condições econômicas serem diferentes das do resto do mundo, o país só deve começar a mostrar sinais de recuperação da crise nos últimos meses deste ano.

Cutolo lembrou que o Brasil passou por um ajuste financeiro quando foi implantado o real, e que esse ajuste está ocorrendo agora no mundo. “O Brasil viveu alguma coisa numa proporção menor, mas semelhante ao que está acontecendo no resto do mundo”. Ele informou que, antes do Plano Real, 910 instituições participavam do sistema financeiro nacional e que hoje elas são cerca de 400. “Foi um ajuste de quase 60%”, afirmou Cutolo, que considera saneado o sistema financeiro brasileiro.

O novo presidente da Andima disse que existe um problema de liquidez “localizado”, mas ressaltou que o Banco Central tem tomado medidas para prover liquidez ao mercado, “o que é saudável”. Para ele, a situação existente no Brasil é diferente da dos demais países, o que dá uma perspectiva econômica favorável ao país.

Ex-ministro da Previdência Social e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Sérgio Cutolo foi empossado ontem (4) na presidência da Andima para o biênio 2009/2011. (Agência Brasil – Alana Gandra)