Brasília – O superavit primário do setor público chegou a R$ 5,042 bilhões no mês passado, o pior resultado desde agosto de 2003 (R$ 4,173 bilhões). De janeiro a agosto, o resultado primário positivo de R$ 43,477 bilhões é o menor desde o mesmo período de 2002 (R$ 36,915 bilhões). Esse valor acumulado no ano representa 2,21% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, segundo informou hoje (30) o Banco Central (BC).
O superavit primário é a diferença entre as receitas e as despesas, sem considerar os gastos com pagamentos de juros da dívida pública. O valor registrado em agosto é praticamente a metade do registrado em igual período de 2008 (R$ 10,084 bilhões). Em julho deste ano, o superavit primário foi de R$ 3,180 bilhões. O resultado entre janeiro e agosto também é menor do que o registrado no mesmo período de 2008 (R$ 102,854 bilhões).
“Esse resultado [dos oito meses deste ano] segue influenciado pelas medidas de desoneração adotadas para fazer frente à crise financeira internacional e pelo menor nível de atividade econômica”, diz o documento do BC.
Neste ano, o governo mudou a meta para o superavit primário em relação ao PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país. A meta caiu de 3,8% para 2,5% do PIB. O governo tirou a Petrobras dos cálculos do superavit primário, com o objetivo de aumentar a capacidade de gastos e investimentos.
Em agosto, o Governo Central (Tesouro, Previdência e Banco Central) foi responsável pelo superavit primário de R$ 3,899 bilhões, o valor mais baixo para esse mês desde 2007 (R$ 3,446 bilhões). Os governos estaduais contribuíram com R$ 813 milhões e os municipais, com R$ 290 bilhões, o melhor resultado da série histórica, iniciada em 1991. As empresas estatais tiveram superavit primário de R$ 41 milhões, o maior valor desde agosto de 2002 (deficit de R$ 903 milhões).
De janeiro a agosto, o Governo Central contribuiu com R$ 26,538 bilhões. Os governos estatuais tiveram superavit primário de R$ 16,225 bilhões e os municipais, de R$ 995 milhões. Já as empresas estatais tiveram deficit primário de R$ 282 milhões.
O pagamento de juros somou R$ 13,204 bilhões em agosto, contra os R$ 12,661 bilhões registrados no mesmo período de 2008. O valor referente ao mês passado é o mais alto para agosto desde 2006 (R$ 15,598 bilhões). De janeiro a agosto deste ano, o pagamento de juros chegou a R$ 108,310 bilhões, contra os R$ 120,494 bilhões registrados no mesmo período de 2008. O pagamento de juros nesses oito meses de 2009 é o melhor para o período desde 2007 (R$ 105,022 bilhões).
Ao serem incluídos os gastos com juros, tem-se o resultado nominal. Em agosto, esse resultado foi deficitário em R$ 8,162 bilhões, contra R$ 2,577 bilhões registados em igual período de 2008. O resultado nominal foi o mais alto para meses de agosto desde 2003 (R$ 8,922 bilhões).
De janeiro a agosto, o deficit nominal somou R$ 64,833 bilhões, contra os R$ 17,640 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Esse valor do acumulado até agosto deste ano é o pior da série histórica do BC, iniciada em 2001. (Agência Brasil – Kelly Oliveira)
