A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif disse, durante sua palestra na Câmara, em São Paulo, que o grande desafio hoje na economia brasileira é a consecução do ajuste fiscal, para reduzir a inflação e incrementar o crescimento econômico. "A mãe de todas as crises é a crise fiscal. Cortou o nosso crescimento econômico e acabou alimentando a crise política. Sem o ajuste fiscal, o BC vai perdendo a capacidade de controlar a inflação". Realizado no dia 19 de fevereiro, o evento contou com a presença de mais de 160 pessoas, entre representantes das empresas associadas, autoridades e convidados.
"A fraqueza das economias emergentes acaba contaminando os países avançados. O ambiente externo deteriorou-se e talvez não seja transitório. Os emergentes estão puxando para baixo o comércio mundial. O movimento de desvalorização das moedas dos países emergentes faz com que as exportações aumentem e as importações caiam. Economistas mais conservadores preveem que o crescimento da economia chinesa no futuro caia para cerca de 3% ao ano. O comércio do Brasil é uma das mais fechadas do mundo, mesmo assim o preço das commodities é importante. A moeda americana vai continuar se fortalecendo. No ano passado o Brasil fez um ajuste fiscal de baixa qualidade. Perdemos o grau de investimento. As empresas vão sofrer mais para captar capital. Hoje o ajuste tem que ser muito maior. Não acredito que o Brasil tenha risco de calote. Não acredito que isso aconteça agora. Ainda tem mais recessão por vir. Mas o que me preocupa não é isso. O que me preocupa é o nível dessa recessão que atingiu em 2016 e tende a ser mais difícil do que 2015. Recessão em cima de recessão. Compromete o crescimento de longo prazo. A taxa de câmbio vai ajudar, mas não é isso que vai gerar crescimento da economia brasileira. Alguns setores já ganham com exportação. Substituição de importação. Via ajuste fiscal reduzir a inflação. Não adianta subir o câmbio. Tem que subir com a casa arrumada. Mesmo com a taxa de câmbio elevada a gente conseguia crescer a taxas iguais à média mundial. Salários têm que subir juntamente em níveis do índice de produtividade. Foi uma política desastrosa que contaminou as gerações futuras. Produção cai, o potencial de crescimento de longo prazo fica comprometido. O que me preocupa é que no Brasil não é mais uma recessão normal. Oferta de crédito bancário se retraindo. A nova classe média se endividou e agora não consegue pagar a conta. Numa economia que não cresce o crédito encolhe. É caro demitir no Brasil, mas começamos a ter demissão e que infelizmente tem mais por vir. O setor de serviços está sofrendo com a queda no faturamento. Começou a demitir. É um setor que cria muitos empregos. O mercado está se precarizando, aumentando a informalidade. Temos um governo fraco e sem convicção. Grosso modo sabemos o que tem que fazer: ajuste fiscal. Tudo tem que ser reavaliado. O Brasil não cabe no orçamento. Essa arrumação depende da política. Não temos lideranças que mostrem o caminho. Lideranças políticas que mostrem os problemas, mas mostrem o caminho também e que negociem essa solução. O ano de 2016 é um grande teste de maturidade da nossa sociedade, das nossas instituições. Começa a ter sinais de incômodo muito grande na sociedade. Em 2015 houve incompreensão da classe política com os problemas do país, inclusive da oposição. Hoje há sinalização da volta da oposição para ajudar na reforma. Colaborar com a reforma da Previdência".
Atividades Ordinárias
Palavras do Presidente:
O presidente Toshifumi Murata relatou sua participação em eventos representando a Câmara neste início de ano. "O olhar japonês no Brasil", na abertura no dia 20 de janeiro, que reuniu artistas de diferentes manifestações culturais no Pavilhão Japonês, no Parque Ibirapuera, para celebrar a restauração e reabertura do local, bem como os 462 anos da cidade de São Paulo. O evento que ressaltou o intercâmbio cultural entre Brasil-Japão. Cerimônia de posse do Comitê Executivo da JCI Brasil-Japão (Câmara Júnior Brasil-Japão) e do seu presidente 2016 Shodi Nomura, que aconteceu na noite do dia 1º de fevereiro, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Anunciou estudos para a criação de nova comissão para o fortalecimento de parceria entre as câmaras de comércio japonesas no Brasil; a fusão da Comissão de Coordenação Geral com a Comissão de Planejamento e Estratégia em um único comitê, a Comissão de Coordenação e Planejamento; mudança de denominação da Comissão de Promoção de Intercâmbio Econômico Nipo-Brasileiro para Comissão de Assuntos Econômicos Nipo-Brasileiros; também mudança de denominação da atual Comissão Trabalhista e de Gestão Empresarial para Comissão de Gestão Empresarial e Promoção de Empresas Locais; a Comissão de Finanças desempenhando o Programa de Incentivo à Associação; e Comissão de Relações Públicas, maior utilização da mídia.
Comunicados:
A presidente do Conselho Fiscal, Carolina Sakama, fez relato da auditoria contábil e financeira do quarto trimestre de 2015. Atsushi Okubo, presidente da Comissão de Planejamento e Estratégia, convidou todos a participarem do Simpósio dos Presidentes dos Departamentos Setoriais, a realizar-se no dia 25 de fevereiro, em São Paulo.
Discurso de Três Minutos:
Nilton Tadayoshi Takahashi, diretor do Grupo Taisei, apresentou o perfil institucional da empresa.
Palavras de Chegada e Despedida:
Hiroaki Endo, representante-sênior no Brasil da JICA – Agência de Cooperação Internacional do Japão (Japan International Cooperation Agency) e do escritório da JICA em São Paulo, deu palavras de despedida e apresentou o seu sucessor Hiroshi Sato.
Apresentação de Novas Associadas:
o presidente Toshifumi Murata entregou diploma de nova associada às seguintes empresas, após breve discurso dos representantes: Sanfra Cargo Ltda., representada por Fabio Massao Kawauchi, sócio-diretor e Roland Brasil Importação, Exportação, Comércio, Representação e Serviços Ltda., por João Takao Shirahata, diretor-presidente.
PDF anexo: Apresentação da Palestra

Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos (Fotos: Rubens Ito / CCIJB)

Toshifumi Murata, presidente da Câmara

Keiichi Hara, presidente do Departamento Financeiro

Keiichi Hara (presidente do Departamento Financeiro da Câmara), Zeina Latif (economista-chefe da XP Investimentos) e Toshifumi Murata (presidente da Câmara)

Toshifumi Murata (presidente da Câmara), Takahiro Nakamae (cônsul-geral do Japão em São Paulo) e Atsushi Yasuda (diretor-executivo da Câmara)

Shinji Tsuchiya e Wagner Suzuki (diretores-executivos da Câmara) e Keiichi Hara (presidente do Departamento Financeiro da Câmara)

Presidente da Câmara, Toshifumi Murata (d), faz entrega de placa de agradecimento a Zeina Latif (e), economista-chefe da XP Investimentos






Rubens Ito / CCIJB





