Março assinala a passagem de sete anos desde o acidente na usina nuclear Fukushima 1. Pelo plano de descomissionamento do complexo, o governo vai retardar até o ano fiscal de 2023 a remoção das varetas combustíveis das piscinas de armazenamento dos reatores 1 e 2. A intenção é proceder com cuidado no trabalho de retirada dos escombros e de descontaminação. Haverá, assim, três anos de atraso em relação ao cronograma inicial. No ano fiscal com início em abril deverá começar, como foi planejada originalmente, a retirada de varetas combustíveis da piscina do reator 3. Paralelamente esforços são feitos em várias partes do Japão para o religamento de usinas nucleares, visto que o governo mantém a determinação de produzir eletricidade com esta fonte de energia. Nesta quarta edição da série de Ano-Novo do Comentário, Tetsuo Ito, professor do Instituto de Pesquisa de Energia Atômica, da Universidade Kinki, fala sobre perspectivas para 2018 em relação a usinas nucleares no Japão.
“Estou na expectativa de ver até que ponto avançará a execução do plano para a usina nuclear Fukushima 1 e o quanto será possível conhecer a extensão dos estragos ocorridos no interior dos reatores. Se pudermos ter uma visão clara da situação, haverá meios de realizar com estabilidade o processo de descomissionamento. Ainda poderá ser difícil ter um prognóstico da remoção de resíduos radioativos resultantes do derretimento do combustível no interior dos reatores, considerando-se que ainda não foram criados robôs para essa finalidade.
Também me interessam os passos que são dados em várias partes do Japão para o religamento de usinas nucleares.
Em outubro, o órgão regulador do setor certificou que atendem às novas normas pós-desastre do governo nacional as providências de segurança tomadas em dois reatores da usina Kashiwazaki-kariwa, da província de Niigata. Contudo, o governo provincial não concordou com o religamento dos reatores, dizendo precisar de tempo para analisar a situação.
Além disso, o Tribunal Superior de Hiroshima ordenou à administradora da usina nuclear de Ikata que não religue o reator 3 do complexo. O reator havia sido religado depois da sua aprovação em vistoria feita pelo órgão de regulação nuclear.
Como o Japão teve a experiência das bombas de Hiroshima e Nagasaki, assim como a do acidente nuclear em Fukushima, a impressão dos japoneses é de que acidentes nucleares são assustadores. Por causa destes sentimentos nacionais, pode ser difícil fazer avançar o religamento das usinas.
Contudo, num período de dez a 20 anos, poderão deixar de existir não apenas grandes reatores nucleares comerciais, como também pequenos reatores de pesquisa. Está hoje desligado, por exemplo, o mais importante reator de pesquisa da Agência de Energia Atômica do Japão.
Será realmente uma boa ideia acabar com as usinas nucleares em um país como o Japão, que carece de recursos naturais? É preciso fazer com que 2018 seja o ano do início de sérias discussões sobre a necessidade de usinas nucleares no Japão.” (da NHK World)