O PIB real do Japão para o período de janeiro a março do ano fiscal de 2017 diminuiu 0,2% em comparação ao trimestre anterior, o que corresponde a 0,6% na base anual. Este foi o primeiro crescimento negativo em nove trimestres ou dois anos e três meses.
No Comentário de hoje, vamos ouvir Toshihiro Nagahama, economista-chefe executivo do Instituto de Pesquisas Dai-ichi Life. Ele vai nos falar sobre o que está por trás do crescimento negativo do último trimestre do ano fiscal de 2017 e perspectivas futuras para a economia.
Ele diz: "Analisando os números detalhadamente, acredito que a contração foi causada por fatores temporários. Vimos uma grande queda no consumo pessoal. Isto se atribui às pessoas gastando menos com alimentação devido aos altos preços dos vegetais, bem como uma queda nos gastos com entretenimento. Isto porque fortes nevascas levaram as pessoas a evitar sair de casa. Tivemos uma severa onda de frio que começou no final do ano passado, e acredito que o clima anormal teve um impacto significativo.
Além disso, mais da metade dos 0,2% de contração econômica pode ser atribuído à queda nos estoques privados. Contudo, a queda vai acabar tendo um efeito positivo na taxa de crescimento econômico do trimestre seguinte. E considerando os planos de produção das empresas a partir de abril, a economia deve voltar a ter crescimento positivo. As exportações continuam aumentando, apesar do crescimento estar estagnado. Afinal, o país teve sua primeira contração em nove trimestres. Então, ao meu ver, podemos encarar esta situação como temporária.
Ainda não sabemos o que esperar da cúpula entre Estados Unidos e Coreia do Norte e da situação no Oriente Médio. Estes eventos lançam dúvidas sobre os rumos das economias estrangeiras. Por causa deste cenário, os preços do petróleo bruto estão aumentando, e por isso fica difícil esperar uma recuperação acentuada do consumo. Mas acredito que, por enquanto, a economia vai continuar no caminho para a recuperação. Isto porque o incremento nas atividades de produção vai se traduzir em recuperação econômica, ainda que o consumo pessoal não se recupere.
Normalmente, medidas financeiras e fiscais são tomadas para incentivar a economia. No Japão, o banco central já fez de tudo em termos de política financeira. Quanto à política fiscal, o governo do premiê Shinzo Abe já tomou medidas amplas, apesar de atualmente o governo manter uma política de austeridade. Para incentivar o consumo pessoal no país, o Japão precisa de medidas fiscais que lembrem as deduções fiscais amplas e de longo prazo de Donald Trump nos Estados Unidos. Se nada mudar, a economia japonesa deve continuar dependendo da demanda estrangeira, que por sua vez depende dos rumos das economias no exterior." (da NHK World Japan)