Na segunda edição da nossa série especial sobre a TICAD, vamos ouvir Katsumi Hirano, vice-presidente executivo do Instituto de Economias em Desenvolvimento da Organização de Comércio Exterior, sobre o investimento privado do Japão na África.
"Nas últimas duas décadas, temos visto um aumento estável no número de companhias japonesas que entram na África. Mas, para ser exato, o comércio do Japão com e investimento no continente permanecem estagnados ou estão em declínio.
Nesse sentido, o Japão está distante do resto do mundo, que está acelerando os avanços na África. Existem alguns campos onde outros países desenvolvidos têm feito avanços, mas o Japão não. Neles se incluem exportações de alimentos, projetos de abastecimento de água e empreendimentos agrícolas.
Estes setores estão se tornando cada vez mais importantes globalmente, e os Estados Unidos e a Europa já têm feito fortes infraestruturas industriais e estabelecido companhias. Porém, infelizmente, não há companhias japonesas que possam trabalhar nessas áreas.
Caso o Japão possa fortalecer essas indústrias e expandi-las no exterior, isso poderia reforçar a economia japonesa como um todo, incluindo seu setor agropecuário. E mais, poderia ampliar a presença global do Japão e estreitar ainda mais os laços com a África.
O Japão entrou agressivamente em mercados estrangeiros durante o período de alto crescimento econômico. Como resultado, acumulou experiências em negócios em países como os da Asean e a China.
Quando pensamos sobre as atividades do setor privado do Japão no exterior, a primeira coisa que nos vêm à mente são seus esforços em construir infraestruturas em países da Ásia. Mas, dada a distribuição populacional de hoje, as atenções poderiam também ser voltadas à África e ao Oriente Médio.
Os negócios japoneses tendem a se concentrar principalmente na Ásia quando se fala em esforços para expandir as atividades fora do país. Contudo, o Japão deveria se empenhar mais para construir a presença global. Para tanto, a natureza e a perspectivas das companhias japonesas necessitam mudar.
Atualmente, a China marca a maior presença na África. O país tem se introduzido no continente, assim como o Japão se expandiu no Sudeste Asiático. Mas, a China e as empresas globais, especialmente aquelas com base nos Estados Unidos e na Europa, têm opiniões diferentes sobre a África.
Espero que a TICAD convide agências da ONU e companhias de terceiros países para transformá-la em um conferência realmente internacional. (da NHK – Conglomerado de mídia pública do Japão)