Fim do redutor de 40% coloca montadoras e autopeças em lados opostos

Montadoras e autopeças estão em lados opostos com o fim do redutor de 40% na alíquota de importação de autopeças, conforme informou o jornal “O Estado de S.Paulo”, no último dia 7/05, no caderno de economia.

Para as montadoras, com o índice maior de peças importadas os carros perderão competitividade, devido ao aumento do custo. Já as autopeças pretendem voltar a produzir componentes que foram desnacionalizados ante a competitividade dos importados.

No entender do presidente da Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos), Cledorvino Belini, alguns modelos podem deixar de ser fabricados no Brasil e passarem a ser importados. No seu entender, o fim do redutor vai ajudar as autopeças a diminuírem seu déficit na balança comercial, porém pode piorar ainda mais a balança de veículos acabados.

As autopeças acumularam no primeiro trimestre saldo negativo de US$ 1,1 bilhão. E as montadoras, déficit de 37,7 mil veículos até abril.

Para o presidente do Sindipeças (Sindicato  Nacional da Indústria de Componentes para Veículos (Sindipeças), Paulo Butori, as montadoras ameaçam os fornecedores com importações quando vão negociar preços. A entidade defende que as autopeças devem nacionalizar componentes que tinham deixado de produzir, como peças para câmbio e motor e conjuntos forjados
e fundidos.

Setor automotivo em 2010

A expectativa para os fabricantes de automóveis é de volumes recordes para o ano. O quadro geral para o setor é otimista, apesar da queda nas vendas. As projeções indicam que as vendas e a produção fiquem perto de 3,4 milhões de veículos, um volume recorde em ambos os casos. As exportações estão estimadas em 530 mil unidades.

Para ser competitivo, segundo Belini, o Brasil precisaria de uma escala de produção de 5 a 6 milhões de unidades ao ano, número que pode ser alcançado em 2014. Atualmente, a capacidade instalada das montadoras no país é de 4,3 milhões de veículos.