Brasília – A decisão do Banco Central de elevar os depósitos compulsórios dos bancos a patamares pré-crise foi considerada adequada hoje pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para quem a medida não afetará o consumo.
Durante a crise financeira internacional, que refletiu no país a partir do final de 2008, o BC reduziu o compulsório – que os bancos são obrigados a fazer junto à autoridade monetária – , como forma de manter o crédito disponível no mercado.
O ministro não quis comentar se a elevação evitaria que o Comitê de Política Monetária do Banco Central aumentasse os juros básicos da economia, como prevêem alguns analistas.
“Foi uma medida muito importante [na época] para aumentar a liquidez da economia e agora o crédito está normalizado, o volume de crédito é suficiente e até existe um excesso de liquidez. A medida é adequada e terá um efeito positivo na economia”.
Mantega garantiu que não faltará crédito ao consumidor. Segundo ele, há dinheiro no mercado e as carteiras das instituições financeiras dispõem de bastante crédito, além de um volume grande de operações compromissadas (os bancos, diante do excesso de recursos, tem aplicado o excedente em papeis do BC).
“Ou seja, os bancos mesmo estão esterilizando parte do que dispõem na compromissada. Estão aplicando R$ 500 bilhões a R$ 600 bilhões. Então o que haverá é uma troca. Em vez de aplicar na compromissada, recolherá mais de compulsório. Não acredito que isso irá afetará o consumo”.
Segundo o ministro, o volume de crédito está crescendo menos do que em 2008, quando chegou a 32%. Neste ano, a expansão está 20%, na média, índice que Mantega considerou “muito bom” para a atual conjuntura. “Não precisa expandir mais do que isso”.
Sobre a possibilidade de elevação dos juros na próxima reunião do Copom, como como esperam os analistas, o ministro disse que se trata de especulação. (Agência Brasil – Daniel Lima)
